Santa Bárbara Rock Fest com Sepultura e Viper
 
Usina Santa Bárbara em Santa Bárbara d'Oeste/SP
Sexta, 21 de agosto de 2026
   

    Há praticamente dois anos, tive a oportunidade de conferir no Complexo da Usina Santa Bárbara em Santa Bárbara do Oeste/SP mais um dos shows da Celebrating Life Through Death Tour ( saiba como foi ) do Sepultura e infelizmente, um dos últimos shows com o Pit Passarell no Viper ( ele nos deixou poucos dias depois desta data em 2024 ) e agora em 2026, eu e a multidão de fãs de Rock e Heavy Metal presentes no evento assistiu o primeiro show da Holy Land 30th Anniversary Tour, que o Angra está fazendo para celebrar o seu segundo e grandioso álbum e estúdio.

    O Santa Bárbara Rock Fest, que começou em 2014 chegou em 2026 à sua 9ª Edição e em seus 6 palcos tivemos neste ano 64 atrações entre os mais conhecidos nomes do país e muitas bandas independentes. Das atrações da sexta feira, tivemos Docaos, Spectro, Hungrs, Allen Key, The Iron Troopers, Marenna, Malvada, Warshipper, Kill For Nothing e a principal, a já citada, Angra, além de DJ's.

    Tivemos novamente Heavy Metal e suas subdivisões para todos os gostos e aí todos escolheram algumas das bandas para assistir suas apresentações. Como já havia visto a Malvada em 2025 no 2º Moto Rock Fest em Vargem Grande do Sul/SP e há tempos queria ver o Marenna e o Warshipper, bandas que já resenhei seus cd's aqui no Rock On Stage, as duas mais o Angra foram as minhas escolhas nesta primeira noite de Santa Bárbara Rock Fest.

Marenna

    Logo após entrar em mais um muito bem organizado Santa Bárbara Rock Fest e ver que o público já estava lotando as dependências do Complexo Usina Santa Bárbara vi o Palco Água sendo preparado e já questionei um técnico de som se era ali que teríamos o Warshipper. Com a resposta positiva, o caminho agora seria encontrar o Palco Gig, que foi o local onde o Marenna se apresentou nesta sexta feira e conquistar assim o primeiro objetivo da noite.

    Pena que chegamos no evento pouco depois das 21hs e perdi uma parte do show do Marenna, mas, o importante é que consegui ver como a pegada dos gaúchos ao vivo é deveras pulsante. Vale dizer que o quinteto de Hard Rock/AOR já dividiu o palco com nomes como Scorpions, Geoff Tate, Glenn Hughes, Eric Martin, Crazy Lixx, Danny Vaughn e Marco Mendoza e em novembro de 2024 fez uma turnê europeia com seis shows em seis países, com passagens em Amsterdam, Paris e Londres ( com uma apresentação no Cart and Horses, um pub que foi palco para os primeiros shows do Iron Maiden ).

    Além do vocalista e líder da banda, Rod Marenna, o Marenna é formado por Edu Lersch na guitarra, Bife no baixo, Luks Diesel nos teclados e Arthur Schavinski na bateria e eles estavam no Palco Gig aproveitando a oportunidade para prosseguir na divulgação do álbum Ten Years After ( disco ao vivo que marca os primeiros 10 anos de carreira ).

    Voltando a contar do show, perdi as músicas "Voyager", "Never Surrender", "Pieces Of Tomorrow", "Wait", "Out Of Line" e "Too Young To Die" - infelizmente, quase que a maior parte do show - mas, assim que cheguei lá... fui surpreendido pelo belíssimo solo de Edu Lersch na sua guitarra que introduziu a Runaround ( primeiro single de estúdio do novo Ten Years After ) e aí pude ver como Rod Marenna canta de forma empolgada e contagia quem está assistindo.

    Aproveitando cada segundo do set, eles ligaram Runaround a Getting Higher ( pertencente ao EP Pieces Of Tomorrow de 2020 ), que além dos ótimos vocais, as linhas instrumentais estiveram vistosas e repletas de energia. A próxima foi Breaking The Chains e Rod Marenna sempre alcançava altas notas em seus vocais passando essa vibração para cada um de nós, além de deixar oportunidades para os demais fazerem os backing vocals e complementarem a dedicação que aplicaram na canção de abertura do álbum Voyager de 2022 ( leia resenha ); tanto é verdade que a combinação dos solos de guitarra feitos por Edu Lersch e os toques nos teclados de Luks Diesel foram e são um diferencial na banda.

    Antes de seguir com o show, Rod Marenna apresentou cada um de seus colegas de palco e foi apresentado por um deles, que puxou um coro de "Marenna... Marenna... Marenna..." e então nos informou que tocariam a primeira música do primeiro álbum com a You Need To Believe, que foi muito bem aceita por todos e suas melodias nos convocam a cantar com eles, afinal, trata-se de uma grande canção de Hard Rock presente no Livin' No Regrets de 2018 ( confira a sua resenha ) e que é possuidora de um baita solo de guitarra, que ver ao vivo Edu Lersch executando-o foi uma satisfação pessoal.

    Rod Marenna nos avisou que ficariam no setor do merchandise logo após o show e despediram-se do Santa Bárbara Rock Fest com a ótima Had Enough, single de 2021 e assim que acabou fomos andar pelo complexo sabendo que vimos um excelente show de uma banda em franca ascensão no cenário do Hard Rock brasileiro. Todavia, faço uma anotação pessoal aqui... estou me devendo um show completo do Marenna, que pretendo cumprir esta tarefa autoimposta em alguma outra oportunidade.

Set List do Marenna

1 - Voyager
2 - Never Surrender
3 - Pieces Of Tomorrow
4 - Wait
5 - Out Of Line
6 - Too Young To Die
7 - Runaround
8 - Getting Higher
9 - Breaking The Chains
10 - You Need To Believe
11 - Had Enough

 

Warshipper

    Com a primeira parte da missão completada, hora de seguir até ao Palco Água, pois, em eventos assim, os horários são devidamente respeitados e o Warshipper naturalmente começaria o seu show às 22hs conforme o programado.

    E seria também a primeira vez que assistiria o Warshipper, banda de Thrash/Death Metal com 15 anos de história, que já tocou no Setembro Negro Festival, já passou duas vezes pela Europa e fez parte do Bangers Open Air de 2025, ou seja, uma galera que sabe muito bem o que está fazendo. E como mencionei no princípio desta matéria, o Warshipper é também uma das muitas bandas que já contei um pouco de sua discografia aqui no Rock On Stage através das resenhas de alguns de seus cds.

    Formado por Renan Roveran nos vocais e guitarra, Rodolfo Nekathor no baixo e vocais, Thales Statkevicius na guitarra e Murilo Pasqualino na bateria, o Warshipper era uma das mais pesadas bandas do festival e começaram o set quebrando tudo com a crua Barren Black do disco Barren... de 2020 ( leia resenha ), onde os solos velozes e fulminantes de guitarras de Renan Roveran e Thales Statkevicius somados aos vocais guturais esclareceram como é potente o Warshipper ao vivo para quem ainda não conhecia a banda.

    E o interessante é que o público que viu o show tinham também muitas mulheres, que vez ou outra entravam nas rodas que surgiam de frente para o palco. E o quarteto nos brindou com a paulada Glowworm Dragon, que foi gravada no primeiro álbum da banda, o Black Sun de 2008 ( que conheci através do duplo Past Essentials de de 2022, confira a resenha aqui ), onde despejaram uma tonelada de urros e solos ferozes.

    Com uma breve saudação para nós, Renan Roveran disse: "E aí galera.... valeu por ter vindo aí... muito foda.." e continuou: "é a nossa primeira vez aqui em Santa Barbara do Oeste, puta evento foda... puta festival foda... estrutura maravilhosa, diversidade fudida de bandas e homenagem à esse momento - All Hail The Metal Of Death", assim o Death Metal mortal e cadenciado - que saiu em single em 2025 - foi vocalizado por Rodolfo Nekathor e veio de forma avassaladora até nós.

    Após sua execução, Renan Roveran falou: "espero que vocês tenham curtido... quero agradecer quem chegou, quero agradecer a presença de vocês, agradecer ao Eliton do Som do Darma parceira forte há muito tempo, agradecer à todas as bandas que estão aqui...", para então ironizar: "vamos tocar uma baladinha da banda aí...", bem não era bem uma baladinha, mas, sim uma dinamite sonora, rude e visceral chamada Numb - Pleasures Of Possession, onde os urros, os solos matadores de guitarras, a bateria e o baixo tocados de forma fulminante dominaram o Palco Água com essa canção que também pertence ao disco Barren..., que resultou em poderosas rodas.

     Expressando seu contentamento com o que viu do palco, Renan Roveran disse: "é isso aí... tem que abrir roda mesmo... essa aqui que vamos tocar agora é do nosso último álbum, inclusive tá vendendo aqui do lado do palco, depois passa lá... ajuda a gente..." e assim anunciou a pedrada Migrating Through Personality Spectra do Essential Morphine, uma verdadeira avalanche Death Metal, que começa acelerada e depois atravessa trechos cadenciados e de vocais raivosos ótimos para a abertura de rodas, que foi o que muitos fizeram.

    Muito comunicativo, o vocalista elogiou a galera da produção e enfatizou a nossa presença para concluir dizendo: "recentemente a gente lançou um single, a gente tá preparando um novo álbum...", desta forma atacaram com a Shadows Of Science, outro Death Metal devastador, onde os riffs de guitarras estiveram realmente dilacerantes e fomos expostos aos vocais guturais da dupla Renan Roveran e Rodolfo Nekathor arrebentando com tudo. Vale dizer que em Shadows Of Science, o Warshipper exibiu uma canção deveras variada e habilidosa.

    Renan Roveran terminou a música e nos contou o seguinte: "Pra quem não sabe, esse brother aqui na batera nos salvou a gente, nós estávamos com um problema sério na formação, ele é da região aqui de Americana, ele está tocando pela primeira vez...".

    Depois do elogio ao baterista Murilo Pasqualino, o vocalista e guitarrista comentou: "galera... reta final do rolê... muito obrigado por todos vocês e respeito à esse moleque foda...", desta maneira ele anunciou a Respect!, que em estúdio conta com Fernanda Lira nos vocais e nesta noite em Santa Bárbara do Oeste foi tão aniquiladora quanto no disco Barren... a ponto de nos deixar de olhos arregalados com a atuação do Warshipper seja por conta dos urros em seus vocais ou por conta dos solos exterminadores nas guitarras.

    Para terminar o terremoto Death Metal do quarteto, eles escolheram a esmagadora canção que empresta seu título à banda, a Warshipper, que saiu no primeiro disco, o Worshippers Of Doom de 2014 ( que também foi relançado no Past Essentials ) e meus caros leitores e leitoras do Rock On Stage... que destruição que eles promoveram no Palco Água, pois, entre os vocais urrados de Renan Roveran, Rodolfo Nekathor disparava vocais rasgados entre riffs opressores de guitarras e muita distorção!!!

    "Muito obrigado, vocês são foda demais...", bradou Renan Roveran agradecendo à plateia e posso concluir que após aproximadamente 40... 45 minutos do Warshipper no palco, saímos de lá sabedores que vimos um baita showzão em que a banda desceu o martelo sem dó e nem piedade!!!

Set List do Warshipper

1 - Barren Black
2 - Glowworm Dragon
3 - All Hail the Metal Of Death
4 - Numb ( Pleasures Of Possession )
5 - Migrating Through Personality Spectra
6 - Shadows of Science
7 - Respect!
8 - Warshipper

 

Angra

    Depois de concluir a segunda missão da noite, hora de ir até ao Palco Terra para conferir o Angra. No caminho até lá encontrei com Edu Lersch, Luks Diesel e Arthur Schavinski do Marenna e conversei rapidamente com os gaúchos, parabenizei eles pelo show e pelos discos que tive a oportunidade de resenhar no site, que vale dizer que os três foram bastante receptivos e atenciosos, porém, como todos nós queríamos ver o Angra, a conversa foi curta.

    A região do Palco Terra estava tomada por uma multidão de fãs que calculo que deveria ser maior que 10.000 pessoas... todas prontas para assistirem ao Angra, que além da celebração dos 30 anos de seu segundo disco de estúdio, veríamos nesta noite também como que o vocalista Alírio Netto se encaixou junto a Rafael Bittencourt  e Marcelo Barbosa nas guitarras, Felipe Andreoli no baixo e Bruno Valverde na bateria. Isso já havia acontecido há alguns meses antes, no Bangers Open Air e side show que o Angra fez em São Paulo no Espaço Unimed, porém, no interior do estado era a primeira vez.

Terra Santa

    Exatamente às 23 horas, a introdução Crossing foi tocada com imagens relacionadas ao disco nos telões ( aliás tão grandes quanto de shows em estádio ) para que então o quinteto junto à alguns percussionistas fossem ao palco e inflamassem a todos com Nothing To Say, onde os solos de Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa nas guitarras trouxeram um totalmente empolgado Alírio Netto no palco impactando cada um de nós e nos fazendo lembrar de quando ouvimos o Holy Land pela primeira vez. Já de cara deu para ver que Alírio Netto está à vontade na banda e soube como conduzir aquela imensa legião de fãs, afinal, ele é um grande frontman também.

    Em nossas mentes, a imagem do vocalista Andre Matos aparece imediatamente, ainda mais com músicas de um disco registrado por ele e já pensamos se Alírio Netto daria conta do recado e este vai aos teclados e sem falar nada já interliga Nothing To Say na belíssima Silence and Distance aplicando um sentimento na música tão grande que a resposta ao questionamento que deixei no ar acima é um grande Sim!!!

   Quando os demais entraram na música em suporte ao Alírio Netto colocando seu peso e suas linhas melódicas, a satisfação de estar em um show desses toma conta de todos nós e claro... procuramos cantar com ele os versos de Silence and Distance. Antes do fim, o vocalista voltou nos teclados para tocar as últimas notas entregando-se totalmente à canção e já colocando o seu estilo.

    A terceira do set list do Angra e do álbum Holy Land é uma das minha favoritas e uma das que assisti poucas vezes a banda interpretando-a... estou falando de Carolina IV e com os backing vocals de Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para chegarem nas melodias da música, que foi algo memorável no show do Angra nesta noite.

    Após seu princípio cheio de 'brasileiridade', o seu lado Power Metal rápido entrou em cena e o desejo foi de sair pulando e até abrir uma roda ou ainda cantar com Alírio Netto. Além de observar Bruno Valverde na bateria, Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa nos solos de guitarras, o mais incrível desta parte do show foi ver Alírio Netto brincar com sua voz nos fazendo acompanhá-lo no meio de Carolina IV, como se estivesse aquecendo-a e dizer sorrindo: "vocês cantam demais..." para seguir com a música e soltar a voz nos versos acelerados.

    Seguindo a sequencia registrada no disco foi a vez da canção, que ao vê-la o Angra tocando ela no Jô Soares 11 e meia no SBT me tornei fã da banda e decidi que compraria o disco no dia seguinte. E detalhe... foi a quinta exibida na sequencia direto. A música em questão é a sensacional Holy Land, onde Alírio Netto novamente foi nos teclados, tocou, cantou e recebeu nossas palmas em retribuição no ritmo da canção, isso até que a sua beleza instrumental explícita nas guitarras, no baixo e na bateria entraram em cena e tomaram conta de todos nós levando à um êxtase grandioso.

    Quase que dava para fechar os olhos e ver Andre Matos cantando seus versos. Em tempo, claro que o maestro alcançava notas mais altas que todos os outros vocalistas do Angra, mas, a experiência e as sensações que Holy Land desperta e passa são sempre únicas, altamente positivas e produzem lembranças.

    Sem conversar com os fãs, o Angra tocou mais uma desse disco e como estamos em um festival, onde o tempo da banda no palco é menor que em uma apresentação somente sua, eles optaram por não executar o disco na integra, sendo Make Believe foi a última do Holy Land e Alírio Netto no decorrer da canção solicitou que nós participássemos com ele no refrão ( como se fosse necessário pedir... ).

    O Holy Land não foi exibido em sua totalidade, mas, as melhores foram... e isso já está valendo muito para nós e ainda em Make Believe, vale dizer que foi muito interessante os prolongamentos na sua parte instrumental e os agudos que Alírio Netto atingiu com sua já conhecida também muito poderosa voz.

Clássicos de todos os tempos

    No que posso considerar como a segunda parte do show, o vocalista finalmente bateu um papo conosco ao dizer: "E aí Santa Barbara... tão gostando?" e novamente nos teclados cantou a Stand Away, música que começa mais lenta, ganha em energia e nos fortes agudos que ele extraiu de sua voz, outra vez nos acertando em cheio. Fomos brindados com esta execução da composição do Angels Cry de 1993 pela primeira vez desde 2013, uma ótima surpresa para marcar o show da banda no Santa Bárbara Rock Fest 2026.

    Rafael Bittencourt foi ao microfone e comentou: "Alírio Netto pessoal!!! nada melhor que começar esse giro de volta ao mundo em 60 dias que faremos e apresentar o novo vocal do Angra -  Alíriioo Nettooo" e assim este recebeu os aplausos dos fãs e teve seu nome berrado por todos nós.

    Entretanto, ele não falou nada e Rafael Bittencourt dedilhou seu violão e no microfone cantou os versos iniciais de Vida Seca, canção do Cycles Of Pain de 2023, que começa em português e depois Alírio Netto cantou os seus versos em inglês, que em estúdio ficaram à cargo de Fabio Lione na parte mais Heavy Metal da música e em outra ótima versão.

     "O que vocês acham da gente voltar um pouquinho no tempo" - falou Alírio Netto e então eles sacaram o Power Metal de Anges and Demons com os riffs melódicos estourando entre os fortes toques de bateria de Bruno Valverde e aí posso dizer que o desafio do vocalista estava completo ao cantar músicas dos tempos do Angra, pois tivemos canções dos tempos de André Matos, de Edu Falaschi e de Fabio Lione, e, tenho que concordar que ele se saiu bem. Como se trata de uma já clássica do Angra, Angels and Demons do Temple Of Shadows de 2004 foi muito bem recebida por todos, que também puderam admirar os virtuosos solos de Marcelo Barbosa em sua Ibanez.

    "Acho que todo mundo lembra, quando o Angra surgiu veio quebrando paradigmas, ajudando a botar o nome do Heavy Metal Brasileiro no mundo inteiro, eu acho que... nós temos muito a agradecer... não só ao Angra, mas ao nosso saudoso maestro Andre Matos, um cara que deixou um legado incrível para a gente se orgulhar, então esta música gostaria de oferecer para ele em nome do Angra, em nome de todo mundo que tá aqui... este é um clássico, que ficou melhor ainda na voz dele" - discursou o sempre simpático e respeitoso Alírio Netto para então cantar a balada Wuthering Heights, da cantora Kate Bush. Sem querer comparar as vozes de André Matos e Alírio Netto foi muito bom e emocionante relembrar desta música gravada no Angels Cry nesta noite e outra vez sentir suas boas vibrações com o atual vocalista cantando seus versos diretamente dos teclados.

    Outro grande sucesso da fase de André Matos nos vocais do Angra foi com a Lisbon e não tem jeito, ao ouvir seus toques já saímos cantando seus versos, o fizemos procurando seguir fielmente com Alírio Netto cada um deles, aliás, no refrão, o vocalista bradou: "Santa Barbara... quero ouvir vocês!!!" e aí soltamos as vozes com garra mesmo e logo em seguida recebemos os seus formosos solos de guitarras protagonizados por Marcelo Barbosa e depois por Rafael Bittencourt. Muito bacana foi Alírio Netto modificar a parte "Here in Lisbon" para "Here in Santa Babara" antes dos solos finais da música do Fireworks de 1998 ( e que solos!!! ).

    Considerado por muitos como o hino do Angra ou a 'Satisfaction' deles e que jamais pode faltar nos shows, a rápida Carry On veio com seu rolo compressor Melódico para cima e provocou aquela reação intensa nos presentes que alternavam pulos e socos no ar, além de também cantarem seu refrão com Alírio Netto e seguirem seus solos nas palmas. Carry On, que também é do aclamado Angels Cry marca um momento sempre ímpar em um show do Angra e que não foi diferente nesta noite.

    Rafael Bittencourt berrou: "Santa Bárbara... tão cansados?" e com o sonoro "nãoooo" dos fãs, ele prosseguiu: "Maravilha, essa banda vem provando para todos e para as pessoas que tem a oportunidade de se reinventar, de superar desafios, de começar novamente, em outras palavras de renascer...".

    Com estas palavras, ele basicamente introduziu a Rebirth, título do álbum de 2001, que me levou ao meu primeiro show do Angra em Amparo/SP no Festival de Inverno da cidade em em 2002 em outro evento gratuito para a população - uma prova que o dinheiro público pode também promover Heavy Metal de qualidade como o desta sexta feira.

    Dedilhando seu violão, Rebirth também foi cantada por todos e nos enviou toda seu entusiasmo e finalizou o show antes do bis. Confesso que minha mente voou para aquele show em 2002, todavia, neste show Rafael Bittencourt fez alguns prolongamentos no violão antes de Alírio Netto cantar seus últimos versos.

    Aos gritos de "Angra... Angra... Angra..." intercalados com "Nova Era... Nova Era..." e "Olê... Olê... Olê... Angra... Angra...", a banda voltou ao Palco Terra durante a introdução In Excelsis para encerrar a primeira noite do Santa Barbara Rock Fest com a já também clássica Nova Era para delírio daquela quantidade enorme de fãs. E o sucesso do Rebirth na voz de Alírio Netto ficou tão cativante quanto na voz de Edu Falaschi e causou a mesma eletricidade que antigamente.

    Alírio Netto nos agradeceu dizendo "Isso aí Santa Bárbara... show ducaralho!!!" e então, eles reúnem-se no centro do palco para despedir-se de nós e ao som de Time Stand Still do Rush tiram a foto com todos nós ao fundo e foram embora de vez.

    Depois de um baita show do Angra sair do Complexo Santa Bárbara com Rush foi o fechamento ideal de uma sexta feira que ficará marcada em nossa história. É o Angra renasceu com um novo e excelente vocalista, que também marcará sua fase na história da banda e terá um peso extra: cantar as músicas de todas as fases da banda.

    O Santa Bárbara Rock Fest cresceu e já é um dos maiores festivais de Rock do Brasil e o nível está tão alto que se quiserem colocar atrações internacionais no festival... notoriamente o evento está pronto, entretanto, que continue mesmo levando os maiores nomes do Rock e Heavy Metal Brasileiro lá sempre provando que... quando o poder público quer... é possível realizar festivais dessa grandeza e com a devida qualidade.

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: Equipe do Santa Bárbara Rock Fest
e Fernando R. R. Júnior
Outubro/2026

Set List do Angra

1 - Crossing
2 - Nothing to Say
3 - Silence and Distance
4 - Carolina IV
5 - Holy Land
6 - Make Believe
7 - Stand Away
8 - Vida Seca
9 - Angels and Demons
10 - Wuthering Heights
11 - Lisbon
12 - Carry On
13 - Rebirth

Bis:
14 - In Excelsis
15 - Nova Era

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