Tim "Ripper" Owens
Abertura: Carro Bomba

 Domingo, 08 de junho de 2025
Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP
  

Heavy Metal Rules Again!!!

    De volta à Limeira, o vocalista norte-americano Tim "Ripper" Owens alçou a fama no cenário mundial do Heavy Metal quando foi nomeado como vocalista do Judas Priest em 1996, e antes disso, havia integrado com o Winter's Bane e participava também da British Steel, uma banda tributo ao Judas Priest ( aliás, o filme Rock Star do diretor Stephen Herek se inspirou nesta história real ).

    O apelido Ripper foi dado quando esteve no comando dos vocais da lendária banda inglesa com a qual gravou os álbuns Jugulator de 1997 e Demolition de 2001 ( além dos ao vivo 98' Live Meltdown de 1998 e o Live In London de 2003 ).

    Depois que saiu do Judas Priest, após sete anos na banda, Tim "Ripper" Ownes foi para o Iced Earth e com a banda americana gravou o The Glorious Burden de 2004, o EP Overture Of The Wicked de 2007, o Framing Armageddon de 2007 e o ao vivo Festivals Of The Wicked de 2011.

    Além disso, ele fez parte da banda do guitarrista Yngwie Malmsteen ( onde registrou os álbuns Perpetual Flame - 2008 e o Relentless - 2010 ), do Beyond Fear, do Charred Walls Of The Damned e do tributo ao saudoso Ronnie James Dio intitulado Dio Disciples e atualmente está no KK's Priest do guitarrista K.K. Downing ( ex-Judas Priest ).

    Nesta longa turnê sul-americana feita por Tim "Ripper" Owens, obviamente, o repertório seria composto somente de clássicos de sua carreira com ênfase no Judas Priest e com músicas da época dos discos Jugulator e Demolition e, só por isso, já valia estar presente neste show centrado no mais puro Heavy Metal, que foi o que muitos de nós escolhemos para o domingo dia 08 de junho no Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP em um evento que contou com a abertura da banda brasileira de Hard Rock e Heavy Metal Carro Bomba.

Carro Bomba

    Ainda comemorando os 20 anos de banda, o Carro Bomba aportou novamente em Limeira/SP para realizar a abertura para Tim "Ripper" Owens e desta vez, Rogério Fernandes nos vocais, Marcello Schevano na guitarra e vocais, Ricardo Schevano no baixo e Biel Astolfi na bateria e vocais prepararam um set para mexer e esquentar mesmo o público presente na casa através da divulgação do disco Esmigalhando Ao Vivo, que foi gravado no Sesc Santo André em setembro de 2023 registrando a tour do do Migalhas de 2022, o sexto da carreira da banda paulistana.

    Poucos minutos depois que cheguei no Estúdio Mirage Eventos, o Carro Bomba começara o seu show, e ao olhar no relógio vi que eram 18:06, ou seja, novamente no horário programado e o quarteto mostrou toda a potência de seu som com a pesadaça Máquina do disco A Máquina Não Pára de 2016 com destaque para os solos de Marcello Schevano e os vocais de Rogério Fernandes com o som no talo.

    O vocalista conversou com o público e disse: "Tudo bem.. estamos aqui de novo... eu gosto da cidade e daqui a pouco ... vocês já viram o cara que estará aqui... eu nunca vi..." - referindo-se a Tim "Ripper" Owens - e em seguida foram para o álbum Nervoso de 2008 com a canção O Foda-se e o guitarrista brilhou com os solos que extraiu de sua Gibson SG vermelha enquanto que Rogério Fernandes mandava seus longos agudos. Antes de relembrar do Segundo Atentado de 2006, ele informou que já morou em Limeira e então tivemos a encorpada Overdrive Rock and Roll com um punch contagiante e muitos solos fervorosos de guitarra.

    Garantindo muita adrenalina tivemos a Queimando a Largada, que foi gravada no Carcaça de 2011 e o quarteto estava agradando bastante, pois, a galera agitava com eles e cantava os versos das músicas. Ainda no Carcaça, tocaram a veloz canção título do quarto disco e fomos expostos á um Rockão robusto e que fica-se envolvido por ele com facilidade. A avalanche aconteceu mesmo com a raivosa e intensa Esporro representando o álbum Pragas Urbanas de 2014 e nesta eles tocaram com uma cólera única.

    Eles foram bastante aplaudidos e Rogério Fernandes agradeceu a presença de todos e questionou quem conhece o álbum Migalhas e então, junto aos demais, executaram a canção título do último disco de estúdio do Carro Bomba em que a interação de baixo, bateria, guitarra e vocais produziu um Rock'n'Roll bastante fortificado, aliás, que solo de guitarra foi incluso... daqueles que você olha com atenção o trabalho de Marcello Schevano.

    Rogério Fernandes enfatizou: "Daqui a pouco tem Tim Ripper.. e com vocês Fuga...", outra canção do Pragas Urbanas que é uma pedrada na cara... vide o peso que eles exibiram neste início de noite em Limeira. "Vamos agora para as três últimas músicas saideras... Punhos de Aço!!!", desta forma o vocalista retornou para o disco Nervoso e com a garra que colocaram nesta composição, o público reagiu com socando o ar e sacudindo os pescoços.

    Sem tempo para pensar... é o Carro Bomba conectou Punhos de Aço a Sangue de Barata, outra do Nervoso, que foi uma martelada sonora na galera, que estava nas mãos do quarteto. Após, rápidos agradecimentos e uma rápida apresentação dos membros da banda, eles encerraram o show com a pancada simplesmente fulminante contida em Thrash and Roll do Pragas Urbanas em que o baterista Biel Astolfi realmente "desceu a mão" em seu kit. Novamente, durante os quarenta minutos que estiveram no palco do Estúdio Mirage Eventos, o Carro Bomba entregou um show em que se a missão era detonar com tudo... eles detonaram com sucesso... que venham mais 20 anos e muitos, muitos shows!!!

Set List do Carro Bomba

1 - Máquina
2 - O Foda-se
3 - Overdrive Rock and Roll
4 - Queimando a Largada
5 - Carcaça
6 - Esporro
7 - Migalhas
8 - Fuga
9 - Punhos de Aço
10 - Sangue de Barata
11 - Thrash and Roll

Tim "Ripper" Owens

    Foi por volta das 19:30 que começou o set de Tim "Ripper" Owens em Limeira, sendo que primeiro entraram Wander Cunha ( Rexor ) e Bruno Luiz ( The Heathen Scÿthe, Gloria Perpetua, Daron, Command6 e Stormsons ) nas guitarras, Fabio Carito ( Metalium ) no baixo e Marcus Dotta ( Metalium e The Heathen Scÿthe ) na bateria, ou seja, uma turma de respeito para apresentarem as canções escolhidas pelo vocalista nesta noite.

    E Tim "Ripper" Owens com um boné, óculos escuros, colete de couro e correntes entrou sem muito alarde e já disparou a fortificada Jugulator, título de seu primeiro álbum com ele nos vocais do Judas Priest e saudamos o vocalista com os "hey... hey... hey..." no ritmo cadenciado da canção, que após seu longo agudo tivemos a rifflerama de Wander Cunha e Bruno Luiz, interpretando muito bem K.K. Downing e Glenn Tripton. Para mim ( e acredito que para muitos ) foi uma delícia pessoal muito grande (re)ver Tim "Ripper" Owens cantando músicas de sua era no Judas Priest, já que não consegui(mos) ver a banda com ele quando passou no Brasil.

    Contente com a recepção do público, Tim "Ripper" Owens bradou: "Make Some Noise!!! Make Some Noise!!!" e anunciou a The Green Manalishi ( With The Two Prong Crown ), cover do Fleetwood Mac gravada pelo Judas Priest no disco Killing Machine em 1978, cujo andamento Rock'n'Roll te puxa para agitar com eles... e foi o que fizemos com chuvas de "hey... hey... hey...", muitos socos no ar, solos exuberantes da dupla Wander Cunha e Bruno Luiz nas guitarras, além de "ôôôôôôôôôôôôôô" acompanhando o vocalista.

   Aos gritos de "Ripper... Ripper... Ripper..." com ele olhando para nós com a mão no ouvido, após uma breve conversa, o norte americano nos levou de volta ao Jugulator com a bordoada Burn In Hell, onde o baixista Fabio Carito deu o tom ( e toques ) em seu baixo para o clima sombrio da música, que foi aumentando nas vocalizações de Tim "Ripper" Owens - totalmente à vontade no show. Bacana que ele se movimentava muitas vezes olhando e sentindo o solo de guitarra, praticamente igual o que fazemos, e depois voltava a cantar os seus versos.

    E falando nos guitarristas, a dupla teve o seu momento para brilhar com solos na essência do que admiramos no Heavy Metal, primeiro Bruno Luiz com sua Jackson Flying V branca e depois Wander Cunha com sua Jackson Flying V preta, que serviram para a introdução da porrada Hellfire Thunderbolt, composição do álbum Sermons Of The Sinner de 2021, que estava na boca da galera que gritou seu título para Tim "Ripper" Owens com toda a força que conseguia extrair dos pulmões. E os quatro músicos convidados fizeram uma versão fiel ao que foi gravado no primeiro álbum do KK's Priest e estão de parabéns ( bem... se não fossem capazes, não estariam na banda de apoio a Tim "Ripper" Owens no Brasil ).

    O vocalista comentou da importância do baterista Les Binks para o Judas Priest, que faleceu aos 73 anos e dedicou a Beyond The Realms Of Death para ele e apresentou uma versão memorável da canção do álbum Stained Class de 1978 soltando seus longos agudos e com Marcus Dotta em grande atuação na bateria, e isso, sem mencionar a beleza dos solos de guitarras e os nossos "hey... hey... hey..." nas partes que nos cabiam produzindo um ambiente magnífico.

    Em outra breve conversa, o vocalista agradeceu nossa energia e seguiu com mais uma do Judas Priest com a pulsante Blood Stained, que em seu estilo cadenciado e consideravelmente pesado abriu o campo para os "hey... hey... hey..." e para os sempre poderosos vocais de Tim "Ripper" Owens ecoarem por todo o Estúdio Mirage Eventos nesta música destruidora gravada no Jugulator e nesta noite os guitarristas e a galera fizeram seus backing vocals ( Tim "Ripper" Owens mirou seu microfone no nosso lado para captar nossa voz ), aliás, que solos simplesmente de guitarras exterminadores eles nos presentearam.

    Com um "Thank You..." pelas palmas obtidas e ele berrou "Let me hear you... Let me hear you..." e nós "Riiiipeeeer" e "Yeeeaaaaahhhhhh!!!!", desta forma nos dedilhados de guitarra e ótimos toques de baixo, que nos levou aos "hey.. hey... hey..." foi a hora da fortaleza sonora contida em One More Shot At Glory do recente The Sinner Rides Again de 2023, que além de exalar a vigorosa voz de Tim "Ripper" Owens, contém uma contém uma virada em seu andamento feita com precisão pela banda e também toda a melodia sensacional de guitarra criada por K.K. Downing.

    Se for pensar, esta One More Shot At Glory e a Hellfire Thunderbolt foram ainda mais importantes para nós curtimos, pois, são duas do KK's Priest, que não sabemos se um dia a banda nos contemplará com uma visita no Brasil ( caso vierem... um show em Limeira seria sensacional, não é Circle Of Infinity Produções? ) e nós, no Estúdio Mirage Eventos, tivemos o privilégio de ver o seu vocalista interpretando-as com a devera exatidão. Valeu "Ripper".

    Para respirar um pouco, Tim "Ripper" Owens falou outra vez conosco e emocionado enfatizou a importância e a saudade que tem do colega Paul Di'Anno, que nos deixou em outubro do ano passado e celebrou o seu legado para o Heavy Metal com a icônica Wrathchild do Iron Maiden em que gritou como nunca e contou com os reluzentes solos de Wander Cunha e Bruno Luiz nas guitarras durante esta música do Killers de 1981.

    Em outro breve discurso, ele nos informou que a seguinte seria a sinistra Hell Is Home, que também começou nos dedilhados e recebeu muita melodia ao passar de seus minutos

 e também os nossos "ôôôôôôôôôôô" no refrão. E meu caro leitor(a) do Rock On Stage, quando era a vez de Tim "Ripper" Owens berrar.... que gritos impressionantes ele deu nesta música do Demolition de 2001... era como se estivéssemos em um show da tour do álbum.

   Nos "ensinando" a gritar após contar até três, sim.. era "one... two... three... " dito por ele e nós um "yeaaah" cada vez maior, Tim "Ripper" Owens sacou a excitante Electric Eye do Judas Priest, que contou com uma participação imensa de todos, que pularam, cantaram e socaram o ar neste clássico do álbum Screaming For Vengeance de 1982. Aos praticamente incessantes gritos de "Ripper... Ripper... Ripper...", o vocalista muito calmo nos perguntou se vamos cantar com ele a próxima, e ao perceber que se tratava da marcante Living After Midnight... nem precisava ter perguntado... porque cantaríamos de qualquer jeito e outra vez foi um prazer ver esta música do British Steel de 1980 ao vivo no ano ( a outra vez foi no Monsters Of Rock com o próprio Judas Priest, veja matéria neste link ).

    Living After Midnight criou um coro de fãs cantando a plenos pulmões quase encobrindo a voz de Tim "Ripper" Owens, que inclusive deixou somente nós cantando o refrão com apoio dos toques do baterista Marcus Dotta antes de retomar o ritmo e finalizá-la com um longo grito. Depois deste êxtase sonoro, ele apresentou cada um dos músicos da banda e exclamou "Make Some Noise..." e executou a One On One do Demolition de 2001, que passou toda sua vibração Heavy Metal para nós, que só pudemos reagir socando o ar em seu andamento.

    Muitos queriam que fosse tocada a Painkiller do Judas Priest, todavia, depois de pouco mais de sessenta e cinco minutos de uma aula de Heavy Metal do mais alto nível, nossa satisfação já estava completada e o vocalista se despediu com um "Thank You", porém, encontrou um tempo ainda para autografar capas de discos dos fãs. Enfim, Tim "Ripper" Owens continua fazendo shows memoráveis e neste ano pude revê-lo em um deles nesta noite perfeita em Limeira em que somada com a apresentação do Judas Priest consegui comemorar os 50 anos da banda inglesa com músicas de todas as suas fases. 

Texto e fotos: Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à equipe da Circle Of Infinity Produções
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Julho/2025

Set List de Tim "Ripper" Owens

1 - Jugulator
2 - The Green Manalishi ( With The Two Prong Crown )
3 - Burn In Hell
4 - Guitar Solo
5 - Hellfire Thunderbolt
6 - Beyond The Realms Of Death
7 - Blood Stained
8 - One More Shot At Glory
9 - Wrathchild
10 - Hell Is Home
11 - Electric Eye
12 - Living After Midnight
13 - One On One

Galeria de 125 fotos dos shows de Tim "Ripper" Owens e do Carro Bomba
no Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP

Voltar para Shows