Best Of Blues and Rock - 12ª Edição
Com: Alice Cooper - Too Close For Comfort Tour
Abertura: Black Pantera, Larissa Liveir
e Marcão Britto & Thiago Castanho - Charlie Brown Jr.
Coletivas de imprensa
Parque do Ibirapuera - São Paulo/SP
Sábado, 14 de junho de 2025
   

    Se no primeiro final de semana do Festival Best Of Blues and Rock tivemos atrações importantes como Dave Matthews Band e Richard Ashcroft ( The Verve ) como headliners do sábado e domingo e também as presenças de Vitor Kley, Cachorro Grande, Barão Vermelho e Soul Lee - Paula Lima canta Rita Lee nos dias 7 e 8 de junho; no segundo e último final de semana, posso dizer que 'a coisa ficou séria' com os únicos shows na América do Sul neste ano do Alice Cooper e do Deep Purple nos dias 14 e 15 de junho, respectivamente.

    Além dos dois grandes nomes do Rock Mundial tivemos também os brasileiros do Black Pantera, a guitarrista Larissa Liveir e a dupla Marcão Britto e Thiago Castanho - Charlie Brown Jr. no sábado 14 e a americana Judith Hill e os brasileiros do Hurricanes no domingo 15.

    Nesta matéria especial para o Rock On Stage vou atentar aos detalhes do sábado em que o Alice Cooper fechou a noite, que ao ler você saberá de curiosidades deveras interessantes não somente do show em si, mas, também da concorrida coletiva de imprensa concedida pelo simpático vocalista norte-americano. Vamos lá...

    Cheguei cedo nas dependências do enorme Parque do Ibirapuera e com isso tive tempo de andar um pouco pelo parque antes de entrar na parte onde seriam realizados shows, de forma que pude observar este belo espaço na maior cidade da América Latina, algo que no interior é comum, olhar para os lados e ver as montanhas ou em poucos minutos estar um local cercado de verde.

    Quando finalmente entrei e realizei o meu credenciamento, ao seguir até a plateia externa do Auditório do Ibirapuera passei por totens com imagens e fones de ouvidos para relembrar das edições anteriores do festival e pouco depois deparei a loja de guitarras Studebaker, que segundo seus atendentes me confessaram teve seu nome inspirado na famosa linha de picapes e carros dos anos 50. A estrutura da praça de alimentação e demais stands eram muito bonitos e compatíveis com um festival deste porte deixando todos à vontade antes que os shows começassem efetivamente.

Marcão Britto e Thiago Castanho - Charlie Brown Jr

    Precisamente às 16hs, conforme o programado, os guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho junto aos bateristas André "Pinguim" Ruas e Bruno Graveto ( que também fizeram parte do Charlie Brown Jr. ), Rafael Carleto nos vocais e Denys "Mascote" Rodrigues no baixo iniciaram o seu tributo ao Charlie Brown Jr. relembrando das músicas dos tempos dos saudosos Chorão e Champignon. Para quem nunca viu um show do Charlie Brown Jr. como foi o meu caso, assistir esta galera fazendo a releitura dos sucessos registrados em sua carreira foi bastante gratificante.

    Eles saudaram o público logo de cara e começaram o set com Papo Reto do disco Bocas Ordinárias de 2002 com o vocalista berrando "Vamos tirar o pé do chão" nesta música que traz boas lembranças na maioria das pessoas que tem na casa de uns 30 a 40 anos, que ouviram exaustivamente a canção em programas como Malhação e nas FM's, que levou os fãs a cantarem com Rafael Carleto. Prosseguiram com a Tudo Que Ela Gosta de Escutar, o terceiro single do Transpiração Contínua Prolongada de 1997, que mexeu com a galera, que pulou e agitou bastante em retribuição.

     Rafael Carleto pediu para todos levantarem as mãos e tocou a Me Encontra, que saiu como single antecipando o lançamento do Camisa 10 ( Joga Bola Até na Chuva ) de 2009 e a cada vez que ele gritava "Charlie..." os fãs atentos respondiam: "Brown..." em uma ótima interação banda-plateia. Poucos instantes depois, o vocalista pediu novamente mãos para cima e com os demais tocou Pontes Indestrutíveis, o segundo single do Ritmo, Ritual e Responsa de 2007, que em seu ritmo Reggae garantiu a energia dos presentes.

    Rafael Carleto passou o microfone para Thiago Castanho que foi até ao álbum Música Popular Caiçara - Ao Vivo de 2011, para relembrar da lenta Céu Azul, cuja letra é uma belíssima poesia e que fez muitos cantarem seus versos com ele e também admirarem os solos de guitarras que foram exibidos. Depois, o guitarrista, como se precisasse, convocou nossa participação e veio com um solo que levou até a Hoje Eu Acordei Feliz, o primeiro single do disco 100% Charlie Brown Jr. - Abalando a sua Fábrica de 2001, que concedeu uma aura mais Punk ao show do Marcão Britto e Thiago Castanho - Charlie Brown Jr.

    Do Irmandade Musical de 2005, eles sacaram a entusiasmada Lutar Pelo Que é Meu e continuaram com duas do Preço Curto... Prazo Longo de 1999, primeiro a conhecidíssima Te Levar, que foi iniciada com um riff bastante forte de guitarra e responsável por um momento de curtição enorme ( com todos cantando seus versos ) em que saliento o swing dos toques feitos pelo baixista Denys "Mascote" Rodrigues. A segunda foi a Zoio de Lula, que foi direcionada ao Reggae, porém, Marcão Britto e Thiago Castanho garantiram ótimos solos de guitarras em seu decorrer. 

    O guitarrista Marcão Britto exaltou os amigos falecidos Chorão e Champignon e também comandou duas canções nos vocais, sendo a primeira, a lenta Como Tudo Deve Ser do 100% Charlie Brown Jr. - Abalando a sua Fábrica e a alegre Só Por Uma Noite do Bocas Ordinárias de 2002, que também foi tema do seriado Malhação em 2003 e contou com o coral formado no Ibirapuera, que cantou verso por verso.

    A acelerada e até que um tanto pesada So Far Away gravada em inglês no Tamo Aí Na Atividade de 2004 antecedeu a balançada e com pés no Reggae canção título do sexto disco de estúdio da banda ( a Tamo aí na Atividade ) e foi cantada por Rafael Carleto em parceria com Marcão Britto, que agradou bastante ao público.

    Bastante aplaudidos, eles nos agradeceram, disseram que celebram os 30 anos de história e assim tocaram uma das mais aguardadas com a emocionante Só Os Loucos Sabem, que contou com os vocais de Thiago Britto e o coro formado pelos fãs nesta composição do Camisa 10 ( Joga Bola Até na Chuva ), tanto que a nossa participação foi maior após ser inflamada pelo vocalista.

    Rafael Carleto falou "sei que vocês estão aí para ver o gringo, nós temos que enaltecer o Rock Nacional" - sim concordo, porém, não é um gringo qualquer... é Alice Cooper... - e terminou a apresentação deste tributo ao Charlie Brown Jr. que durou uma hora com o hit Proibida Pra Mim ( Grazon ) do Transpiração Contínua Prolongada de 1997, que fez todos cantarem pela última vez com o sexteto neste final de tarde de sábado.  Antes de irem embora, fizeram a reunião para uma foto conosco ao fundo e ainda gritaram mais algumas vezes "Charlie" para nós completarmos com "Brown" terminando de vez esta ótima apresentação, que mantém o legado, a importância e a chama do Charlie Brown Jr. viva em nossas mentes.

Set List do Marcão Britto & Thiago Castanho - Charlie Brown Jr.

1 - Papo Reto
2 - Tudo Que Ela Gosta de Escutar
3 - Me Encontra
4 - Pontes Indestrutíveis
5 - Céu Azul
6 - Hoje Eu Acordei Feliz
7 - Lutar Pelo Que é Meu
8 - Te Levar
9 - Zoio de Lula
10 - Como Tudo Deve Ser
11 - Só Por Uma Noite
12  - So Far Away
13 - Tamo Aí Na Atividade
14 - Só Os Loucos Sabem
15 - Proibida Pra Mim

Larissa Liveir

    A jovem, talentosa e muito simpática guitarrista mineira Larissa Liveir foi certamente a revelação desta edição do Best Of Blues and Rock e logo aos 8 anos de idade ganhou o seu primeiro violão conhecendo o mundo da guitarra através do jogo Guitar Hero.

    Até aí tudo bem, muitos garotos e garotas também foram apresentados desta forma, porém, ela divulgou seus vídeos na Internet em seu canal do Youtube tocando covers de bandas famosas do Rock e Heavy Metal entre eles Metallica, Led Zeppelin, Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Pink Floyd, Van Halen, Lynyrd Skynyrd e viralizou... com vídeos atingindo mais de 2 milhões de visualizações e outros com mais de um milhão.

    Este show no Best Of Blues and Rock, que começou às pontualmente às 17:30 trouxe Larissa Liveir com sua guitarra vermelha acompanhada de Eduardo César Gonçalves Megale na guitarra base, Marco Aurélio Ramos Coelho no baixo, Hugo Bizotto nos teclados, Carlos Eduardo Marotta Capanema nos vocais e Lina Linassi na bateria.

    Ela iniciou o show com os riffs conhecidíssimos de Thunderstruck do AC/DC e Sad But True do Metallica e então ligou a Whole Lotta Love do Led Zeppelin com ótimas vocalizações de Eduardo César Gonçalves Megale e os solos na medida da guitarrista, que entrou toda de preto, exceção feita a sua capa vermelha combinando com a cor de sua guitarra e fez um medley com a clássica War Pigs do Black Sabbath com o público acompanhando nas palmas e cantando seus versos.

    Feliz da vida e exibindo toda sua técnica, a guitarrista era só sorrisos com a plateia e antes de prosseguir conversou um pouco conosco toda emocionada dizendo que preparou com carinho este show e que é o primeiro para um grande público. A segunda do set da Larissa Liveir foi onde tudo começou... Johnny B. Goode do lendário mestre Chuck Berry e este contagiante Rock'n'Roll foi muito bem recebido e executado por ela e sua banda, que adicionou alguns riffs extras se divertindo com a energia que a música nos proporciona.

    Eduardo César Gonçalves Megale comentou sobre a próxima música que transita entre o Rock e o Blues tal como o título do festival e com muito feeling, Larrisa Liveir tocou o Blues Since I've Been Loving You do Led Zeppelin depositando mesmo sua alma em cada corda de sua guitarra nesta excelente escolha para o show.

    Depois, tivemos o baixista Marco Aurélio Ramos Coelho tocando com muito swing até nos conduzir para as viagens feitas por Carlos Santana em que Larissa Liveir tem incorporada em seu estilo de tocar guitarra. A versão instrumental de Still Loving You do Scorpions feita por ela foi de uma beleza singular e em nossas mentes cantávamos os seus versos ( no refrão soltamos a voz ) lembrando do show dos alemães no Monsters Of Rock ( leia matéria ).

    Pouco depois tivemos também a versão dela para Comfortably Numb do Pink Floyd em que ela foi direto para o majestoso solo de David Gilmour e o fez com a devida competência. Todavia, durante a exuberante execução da versão de Confortably Numb, eu fui para a área interna do Auditório do Ibirapuera para participar da coletiva de imprensa de Alice Cooper ( e vários outros colegas de imprensa também ). Sim, um dos maiores vocalistas de todos os tempos estaria diante de nós respondendo nossas perguntas, mas, isso será assunto para a próxima parte desta matéria.

      Larissa Liveir recebeu na seguinte uma convidada mais que especial: a belíssima e também detentora de um talento gigantesco Nita Strauss, a guitarrista do Alice Cooper trajando uma camisa do Sepultura com a capa do Chaos A.D. e juntas impactaram o público com uma versão de The Trooper do Iron Maiden.

    O set da mineira contou ainda com Stairway To Heaven do Led Zeppelin, Iron Man do Black Sabbath, Surfin' USA do The Beach Boys, You Really Got Me do The Kinks e finalizou com a Crazy Train do Ozzy Osbourne.

    Foram excelentes canções que depois que retornei para a área externa e conversei com os amigos fiquei sabendo que ela brilhou muito em seu show e agradou bastante. Espero que em outra oportunidade eu veja um show completo da jovem Larissa Liveir e aí possa detalhar mais para vocês, mas, é compreensível, afinal, não se encontra Alice Cooper por aí muitas vezes...

Set List Larissa Liveir

1 - Whole Lotta Love
2 - War Pigs
2 - Johnny B. Goode
3 - Since I've Been Loving You
4 -  Still Loving You
5 - Comfortably Numb
6 - The Trooper
7 - Stairway to Heaven
8 - Iron Man
9 - Surfin' USA
10 - You Really Got Me
11 - Crazy Train

Coletiva de imprensa de Alice Cooper, Judith Hill e Larissa Liveir

    Ao chegar no local onde seria realizada a coletiva de imprensa revi muitos colegas que há tempos não os via e o auditório estava repleto de jornalistas, afinal, presenciar uma estrela do quilate de Alice Cooper não é algo que acontece com frequência e junto de Gastão Moreira, que atuou como mediador e a tradutora, a coletiva começou após a introdução do organizador do festival Pedro Bianco.

    A primeira pergunta foi do Gastão Moreira sobre como Alice Cooper escolhe os set lists do shows, afinal, ele tem 30 álbuns de estúdio e a resposta foi a esperada... é difícil e como tem o lado teatral, ele procura mesclar um pouco de cada um deles. Comentou sobre o falecimento e a importância que o vocalista e guitarrista Brian Wilson ( Beach Boys ) teve para ele. Quando questionado sobre a Nita Strauss teceu elogios sobre a capacidade da guitarrista, como ela é um verdadeiro furacão no palco, além de dizer para que ela fosse ela mesma no palco sempre. E cá entre nós... ela é... e literalmente toca muito suas guitarras.

    Uma parte muito bacana da entrevista foi quando Alice Cooper contou que o último show da banda original, a Alice Cooper Band foi no Brasil em 1975 em um dos primeiros shows de Rock Internacionais que aconteceram no país em plena época da Ditadura Militar.

    Ao contar sobre a letra de Hey Stooped que é sobre suicídio, Alice Cooper disse que é uma forma dizer "ei estúpido, não faça isso ( se suicidar )... viva!!!". Outro ponto muito bacana foi quando disse que tem discos do Tom Jobim em casa e ouve discos mais antigos de bandas como Beatles e Beach Boys, mas também costuma ouvir nomes mais novos como Green Day, White Stripes e Foo Fighters

    Ao ser questionado se tivesse que escolher uma música para as gerações futuras, qual seria e porquê, Alice Cooper respondeu que as duas seriam tocadas nesta noite: School's Out ( quem não adora e aguarda o último dia de aula antes das férias? ) e Eighteen ( sobre a liberdade que se conquista ao completar 18 anos... ).

    Também comentou que viu shows do Jimi Hendrix, de Paul McCartney, do The Doors, do The Rolling Stones e todos em suas melhores fases, ou seja, nos anos 60 e 70. Alice Cooper mostrou uma tranquilidade enorme, uma gigante simpatia e um carisma incrível ao responder as perguntas dos repórteres.

    Pouco depois, Judith Hill e Larissa Liveir vieram para a coletiva, e esta última tive a honra de questioná-la sobre o que exibiu pouco antes no palco tocando músicas de bandas que... quando surgiram, a guitarrista não era nem nascida e ela me respondeu que não sabe exatamente como o Rock'n'Roll entrou na vida dela, pois, nasceu em uma cidade em que o Rock não é o forte, a família não ouvia muito Rock, enfim, aconteceu e ela hoje se tornou a excelente a guitarrista que é ( claro que muito estudo e dedicação também somaram para isso ).

Black Pantera

    Ao olhar no relógio vi que eram 19hs e já estava na hora em que os mineiros de Uberaba/MG do Black Pantera estariam no palco, então, fui de volta para a parte externa e assim pude conferir o show da banda mais pesada do festival Best Of Blues and Rock, que é formada por Charles Gama nos vocais e guitarra, Chaene da Gama nos vocais e baixo e Rodrigo Pancho na bateria.

    Logo após a introdução, que apresentou sonoridades até estanhas, o trio atacou com a Candeia do Perpétuo de 2024, que foi clipe do disco e além dos vocais raivosos de seu Crossover, Charles Gama e Chaene da Gama não paravam quietos no palco se movimentando bastante e colocando todos para agitarem com eles. Depois tivemos Provérbios do Perpétuo e o primeiro single do novo álbum com a agressiva Padrão é o Caralho, que é uma ácida crítica à sociedade.

    Antes da próxima, valorizaram a honra de estarem no festival, pediram rodas e nos mostraram a crua e bastante rápida Mosha do Ascensão de 2022, que resultou sim em rodas por vários lados do Ibirapuera.

    Com ênfase na percussão e berrando uns "hey..." acompanhado pelos presentes, o Black Pantera focou em duas do Pérpetuo na sequência, primeiro com a encorpada Seleção Natural e a Perpétuo, que foi antecedida por uma fala do vocalista dizendo: "brigado... brigado pela presença, são 11 anos de carreira, a gente começou lá de baixo e é muito foda pra caralho estar aqui hoje...", depois disso, tiveram a galera cantando os versos desta música, o que sempre deixa os músicos contentes e Pérpetuo salienta a bastante questão racial existente em nosso país.

    Fogo Nos Racistas é uma colérica composição do Ascensão, cujo título repetido várias vezes expressou bem o posicionamento da banda quanto aos racistas e no decorrer da música Charles Gama modificou alguns versos para "fogo nos fascistas" e pediu para que todos se agachassem e se levantassem contra os racistas, o que aconteceu. Para mais lenta, porém, não menos pesada, a Tradução do Perpétuo, o trio dedicou a canção para todas as mães com todo o respeito que nossas mães são merecedoras.

    Em Fudeu, outra do Perpétuo, eles mostraram um ritmo dançante e até que inesperado, que vez ou outra descamba para momentos esmagadores, cuja letra estava na ponta da língua de muitos da plateia. Na áspera Só as Mina, o vocalista pediu para todos os homens afastarem-se o quanto possível para que formasse uma roda só de mulheres, e foi o que aconteceu... elas fizeram uma roda daquelas e bem... posso dizer que quebraram tudo. Confesso que nunca tinha visto uma roda só de mulheres...

    Unfuck This é possuidora de versos em inglês e teve seu debut ao vivo nesta noite, sendo que seu ritmo também foi centrado na pegada Hardcore/Crossover do Black Pantera e os fãs estavam ligados na composição, que será parte do futuro álbum da banda. Bastante aplaudidos, após o solo de baixo de Chaene da Gama, foi a hora do destruidor single de 2024, a Dreadpool.

    Com dedilhados que me lembraram do Metallica, o Black Pantera tocou a rude Revolução é o Caos do disco Ascensão e terminou sua participação no Best Of Blues and Rock com a totalmente Hardcore Boto Pra Fuder do primeiro trabalho, aliás, a canção de abertura do Project Black Pantera de 2015 ( leia resenha ), visto que em algumas partes, o público lembrou de um certo ex-presidente e fez aquele coro de "ei Bolsonaro vai tomar no cu" e depois cantou com Charles Gama o verso "eu não espero nada de ninguém" com todos os toques ríspidos a la Sepultura.

    Logo após uma apresentação tão intensa ficou fácil entender porque o Black Pantera está em franca ascensão no Brasil e foi escalado como uma das atrações do importante festival de Heavy Metal Hellfest de 2025 na França, pois demonstraram muita originalidade com sua proposta.

Set List do Black Pantera

1 - Intro
2 - Candeia
3 - Provérbios
4 - Padrão é o Caralho
5 - Mosha
6 - Seleção Natural
7 - Perpétuo
8 - Fogo Nos Racistas
9 - Tradução
10 - Fudeu
11 - Só as Mina
12 - Unfuck This
13 - Dreadpool
14 - Revolução é o Caos
15 - Boto Pra Fuder

Alice Cooper

Épico e até que aterrorizante   

    Depois de quase 8 anos de quando vi o show de Alice Cooper pela primeira vez na vida durante a abertura para o Guns'n'Roses em 2017 ( saiba como foi ), uma ansiedade e um sonho foram despertos: rever mais uma vez Sr. Vincent Damon Funier e em uma apresentação completa do mestre do horror. Ambos desejos foram saciados neste sábado 14 de junho neste show que pertenceu à Too Close For Comfort Tour e como era a única data na América do Sul... ficou ainda mais especial e uma experiência para ímpar para todos nós.

    Às 20:30, o banner em forma de jornal que separava o palco da plateia e que estava escrito "Alice Cooper banido no Brazil" e mais abaixo: "julgamento por crimes contra a humanidade" exibiu a silhueta do veterano vocalista com sua cartola e após ele cortar esse banner com sua espada, ele entrou em cena devidamente acompanhado do seu trio de competentes guitarristas Tommy Henriksen, Ryan Roxie e a gatíssima Nita Strauss, além do baixista e backing vocal Chuck Garrick e o baterista Glen Sobel.

    Com a presença de palco fabulosa e carisma que é detentor, vimos Alice Cooper no centro com terno, cartola e movimentando sua espada com muita habilidade durante a música Lock Me Up do Raise Your Fist and Yell de 1987, com Glenn Sobel detonando na bateria enquanto que os riffs de guitarras seguiam soltos e exalando toda a destreza dos três. O vocalista andava de um lado para outro contagiando todos os presentes que procuravam cantar com ele os versos da canção, que conectou-se a Welcome To The Show do álbum mais recente, o ótimo Road de 2023, sendo que esta composição é um convite para ver uma apresentação do vocalista.

    E o quarteto da linha de frente da banda de Alice Cooper movimenta-se pelo palco tanto quanto ele, pois, se você distraísse seu olhar para um lado veria que nenhum deles guardava sua posição de forma que nós ficamos atentos ao máximo de seus movimentos, e eles fizeram isso sem perderem o ritmo Rock'n'Roll das músicas, o que enfatiza o grande entrosamento que possuem entre si, sejam tocando os solos e riffs ou mirando suas guitarras na plateia ou ainda erguendo-as para cima, de forma que aumentaram a animação que direcionam para os fãs.

    Para colocar a 'casa abaixo' tivemos o clássico No More Mr. Nice Guy do disco Billion Dollar Babies de 1973, que é pertencente aos tempos da Alice Cooper Band, que aí sim... formou-se um coro gigantesco com sorrisos felizes em cada um de nós e o mais incrível é ver o performer Alice Cooper com uma muleta andando 'com dificuldade' pelo palco e em várias vezes erguê-la para o alto enquanto vocaliza perfeitamente seus versos.

    O que estava para lá de muito bom ficou ainda melhor quando os solos de guitarras denunciaram que a seguinte seria a I'm Eighteen, hit do disco Love It To Death de 1971 também da Alice Cooper Band, outra vez cantamos seus vesos com Alice Cooper e vimos Nita Strauss agitando freneticamente. E a azeitada banda sabe como dividir os solos em cada um dos três guitarristas sem sair da sua envolvente linhagem Rock'n'Roll.

    Ovacionado pelos fãs, Alice Cooper e sua banda não concederam um tempo para nós respirarmos, pois, dispararam simplesmente a empolgante Under My Wheels e esta composição registrada no Killer de 1971 com a Alice Cooper Band é uma das minhas favoritas e que produziu um impacto descomunal em que só pudemos aplaudir e socar o ar transbordando de felicidade, e de novo, o trio de guitarristas entregou um solo mais magnético que o outro.

    Mais Hard Rock de altíssima qualidade com a Bed Of Nails do álbum Trash de 1989, que contou com um solo reluzente de Nita Strauss, agora neste show toda de preto e com uma maquiagem sinistra tal como é o padrão de um integrante da banda de Alice Cooper e loira não para quieta no palco - toca, vai de um lado para outro, agita as madeixas e nos encara... um verdadeiro furacão. Preciso dizer que os fãs também cantaram com Alice Cooper? Bem digo.. cantaram e com muita força cada verso... é... seja com as mãos, com os olhares, com as vestimentas, Alice Cooper sabe como comandar uma plateia.

    Em Billion Dollar Babies, composição título do disco do Billion Dollar Babies, o vocalista colocou um terno dourado passando a sensação de glamour e de riqueza com uma espada na mão. Já mencionei, mas é impressionante como ele movimenta essa espada com uma técnica de quem treinou esgrima e outra vez formamos um coro para acompanhar suas vocalizações.

    Uma surpresa inesperada no set list foi a inclusão de Snakebite, uma que sou fã desde que comprei o meu álbum Hey Stoopid de 1991, que trouxe aquela magia excitante que músicas assim proporcionam e vale ressaltara aqui como Alice Cooper cantou com precisão a música, cujos solos de guitarras fazem a diferença em sua versão ao vivo, inclusive, posso dizer que um filme passou em minha cabeça ao recordar daqueles deliciosos anos 90.

    De volta ao Killer tivemos o flamejante Rock'n'Roll contido em Be My Lover e que foi recepcionado nas palmas aumentando o grau da sedução que as músicas de Alice Cooper enviam para nós. Nem deu para perceber quando eles evocaram o disco The Last Temptation de 1994 com a vibrante Lost In America, pois, uniram sua linhagem Rock com a anterior, o que fez a diferença foi a jaqueta utilizada por Alice Cooper com a bandeira dos Estados Unidos nas costas.

    Mantendo o pique lá no alto foi a vez de He's Back ( The Man Behind The Mask ), a representante do  Constrictor, registro de 1996 e que também teve seu refrão cantado por todos e então uma 'fã' mais exaltada invadiu o palco tirando várias selfies, e em seguida, 'um assassino a mata', calma, era a parte teatral do show com mais realce, sendo que não deixa de ser uma crítica ao vício que temos com os nossos celulares de tirar fotos o tempo todo e não prestar atenção puramente no que está diante de nossos olhos.

    O sucesso Hey Stoopid, que empresta seu título ao álbum era uma das mais aguardadas do show, pois, provocou um frisson maior no público que pulou, agitou e cantou consideravelmente Alice Cooper. E lembrem-se o que Alice Cooper falou na coletiva sobre esta música... bem, nós que somos do Rock'n'Roll escapamos deste problema, afinal, somos felizes e ficamos ainda mais em um show como este.

    A energia estava tamanha e por um momento, o vocalista deixou somente nós cantando o refrão de Hey Stoopid até retomar o seu final com a banda. E um outro detalhe que deve ser mencionado: um 'fotografo' caminhou no palco tirando fotos dos músicos atrapalhando o show ( bem longe do pit ) e foi 'morto' por Alice Cooper com o pedestal/lança do seu microfone, outra encenação deixando claro qual é o limite de cada um e uma ótima crítica à sociedade.

    Glenn Sobel ficou sozinho no palco e iniciou o seu solo de bateria, onde expressou toda a sua habilidade no instrumento e o jeito que ele toca, que movimenta as baquetas em suas mãos é algo que somente os melhores bateristas de todos os tempos costumam fazer ( além dos jazzistas é claro )  e o seu solo contou com partes de Black Juju ( música da Alice Cooper Band gravada no Love It To Death ), que nos conduziu para a Welcome To My Nightmare, canção que intitula o primeiro álbum solo de Alice Cooper de 1975 em que ele cantou da escada que havia na lateral direita do palco em meio à muita fumaça com seus guitarristas e seu baixista olhando para o mestre, que regia seus solos.

    No Rock'n'Roll de Cold Ethyl do Welcome To My Nightmare, que começou com um riff de guitarra cheio de adrenalina, Alice Cooper dançou com uma boneca cadáver em uma interessante relação de amor/ódio com ela. Em Go To Hell, que pertence ao disco Alice Cooper Goes To Hell de 1976, o vocalista tocou maracas e sua esposa Sheryll Cooper apareceu com um chicote e foi expulsa do palco pelo 'malvado' marido, que ficou com o chicote, mas, calma é tudo parte do teatro que são os shows dele.

    Um dos momentos mais aguardados por todos é quando fomos expostos aos riffs incandescentes da música Poison do álbum Trash, que foram protagonizados por Nita Strauss com uma guitarra vermelha no alto da escada e podemos dizer que o Ibirapuera balançou com o calor do público nesta música, que cantou para valer seus versos, enfim, um dos grandes hinos da carreira de Alice Cooper, que foi um ponto alto do show, só não foi maior porque o que estava por vir era indiscutivelmente estupendo.

Final Colossal

    Sim, porque de princípio tivemos a assustadora voz de Vincent Price no telão narrando a The Black Widow ( do Welcome To My Nightmare ), posteriormente foi a vez de  Nita Strauss realizar um solo de guitarra daqueles que são memoráveis, que todo fã de Hard Rock adora e ela foi muito bem acompanhada por Tommy Henriksen e Ryan Roxie em suas guitarras.

    Pouco depois, o nosso ( anti ) herói Alice Cooper foi capturado e amarrado à uma camisa de força, que nos deixou extremamente ligados no que acontecia no palco. Nisso, já estamos em Ballad Of Dwight Fry do Love It To Death e é incrível como ele consegue cantar e se expressar desta forma - diria que deve ser incomoda, porém, bastante dramática - enquanto que uma figura tenebrosa e mascarada caminhava pelo palco e lhe aplica uma terapia de choque com um bastão elétrico.

     Todavia, Alice Cooper 'liberta-se' da camisa de força e com uma espada 'mata' o estranho ser que perambulava pelo palco e Sheryl Cooper ressurgiu com uma roupa medieval deu um beijo no marido, que pareceu que ficou bobo e então, ela conduziu-o para a guilhotina amparada pelas duas horripilantes figuras.

    Ela pediu a nossa participação erguendo as mãos e os executores subiram a lâmina, no entanto, quem puxou a corda para o golpe final foi ela e a lâmina caiu, cortou a cabeça de Alice Cooper e então, ela ergueu exibindo-a para todos, sabemos que não é real, mas é feito de forma tão perfeita que quase chega à enganar.

    Isso tudo ocorreu durante a canção título do disco Killer, que uniu-se a I Love The Dead do Billion Dolar Babies, apenas com a banda no palco e Chuck Garrick gritou o título da música enquanto que nós fazíamos o coro com ele e Sheryl Cooper deu um beijo na 'cabeça' decepada mostrando depois para nós como se fosse um troféu. E de fundo nestas atuações tínhamos um solo mais inflamável que o outro despejados com excelência pelo trio de guitarristas finalizando a parte mais alucinante do show.

   Com um terno, cartola e bengala brancas, Alice Cooper reapareceu reluzente para comandar a euforia contida na School's Out, outra do Billion Dollar Babies de 1972 ( como disse mais acima... todos sempre amamos o último dia de aula ), a farra ficou por conta das grandes bolas aboboras e  infláveis que foram jogadas para a plateia e que, obviamente, nós brincamos com elas. Ahh... e como sempre acontece já há algum tempo, School's Out esteve umbilicalmente ligada a Another Brick In The Wall, Part 2 do Pink Floyd e procuramos cantar com todas as forças que ainda restavam criando assim um coro fortíssimo. Alice Cooper com sua espada estourava os balões que caiam  perto dele ( eles tinham papéis picados ) deixando claro que não estava para brincadeiras, afinal, ele é 'mau'.

    De volta ao ritmo de School's Out, o mestre disse: "Sao Paulo Brazil.... Alice Cooper to speak to you..." e desta maneira, ele apresentou cada um dos membros de sua banda com elogios e algumas piadas para que recebessem os aplausos e as ovações de todos nós e nem preciso dizer que uma das mais aplaudidas foi a Nita Strauss, correto?

    Na hora de apresentar a esposa, Alice Cooper disse: "Ela é mortal, ela é perigosa, ela é deliciosa, minha amada esposa Sheryl Cooper!!!", que se aproximou dele com passos de bailarina e deu até um beijinho, mas, quando saiu de cena fez uma cara de tipo: "droga não consegui matá-lo desta vez!!!", cena típica de desenho animado. Por fim, quando apresentou-se recebeu tantos aplausos, que deve ter se emocionado com seu público e ele e banda retomaram os versos de School's Out para terminarem o show e se direcionarem ao centro do palco para ganharem muitas... muitas... palmas.

    Entretanto, Alice Cooper não iria embora sem nos brindar com um bis e após alguns barulhos de estática elétrica um Alice Cooper imenso e monstruoso ( um Alice Frankenstein ) andou pelo palco e foi tocada a Feed My Frankenstein do Hey Stoopid para colocar números finais de um dos mais fascinantes shows de Rock que temos notícia e que foi naturalmente um dos melhores de 2025 realizados no Brasil por este simpático e admirável senhor Alice Cooper de 77 anos ( com fôlego de um jovem ) e sua magnífica banda após uma hora e meia. A galera gritou quase que incessantemente "Olê... Olê... Olê... Cooper... Cooper..." e ele se despediu dizendo: "boa noite para todos, que vocês tenham sonhos amáveis com pesadelos!!!".

    E creio que este show de Alice Cooper tenha sido também um dos melhores dentre todas as 12 edições do Best Of Blues and Rock de forma que só posso comentar aqui: Obrigado Alice Cooper por nos 'chocar' com seu Rock'n'Roll mais uma vez.

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: @flashbang, Paula Cavalcanti ( @eyeofodin.photo ) e
Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à equipe da Marra Comunicação - www.marracomunica.com.br
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Julho/2025

Set List do Alice Cooper

1 - Lock Me Up
2 - Welcome To The Show
3 - No More Mr. Nice Guy
4 - I'm Eighteen
5 - Under My Wheels
6 - Bed Of Nails
7 - Billion Dollar Babies
8 - Snakebite
9 - Be My Lover
10 - Lost In America
11 - He's Back ( The Man Behind The Mask )
12 - Hey Stoopid
13 - Drum Solo
14 - Welcome To My Nightmare
15 - Cold Ethyl
16 - Go To Hell
17 - Poison
18 - The Black Widow
19 - Guitar Solo
20 - Ballad Of Dwight Fry
21 - Killer 
22 - I Love The Dead
23 - School's Out / Another Brick In The Wall, Part 2

Encore:
22 - Feed My Frankenstein

Voltar para Shows