Monsters Of Rock 2026
Com: Guns n' Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen, Dirty Honey e Jayler

Estádio Allianz Parque - São Paulo/SP
Sábado, 04 de abril de 2026
  

Passado, presente e futuro do Rock em evidência

    A nona edição do Monsters Of Rock foi realizada na véspera da Páscoa, assim como no ano passado ( 2025 ) e novamente os espaços do Allianz Parque foram tomados por fãs de todos os lugares do Brasil. Só eu conversei com duas simpáticas fãs de Itapema/SC, uma outra de Belo Horizonte/MG e um senhor de Vitória/ES e isso sem contar a as pessoas de várias outras cidades de São Paulo/SP e de Minas Gerais/MG que estavam nos dois ônibus que nos levou até ao evento.  

    Se no ano passado o Monsters Of Rock foi mais Heavy Metal através de algumas de suas variações, esta nona edição foi mais Hard Rock, pois tivemos um dos maiores nomes do estilo e que foi responsável pela imensa maioria dos presentes no estádio: o Guns n' Roses, que sozinho já lotaria o Allianz Parque. Todavia, este Monsters Of Rock tinha mais nomes do Hard Rock e várias estreias, como foram os casos do Extreme, do Halestorm, do Dirty Honey, do Jayler e também a estreia do Lynyrd Skynyrd, que é pertencente ao Southern Rock.

    A única exceção que não era Hard Rock e único representante mais Heavy Metal da edição e que já se apresentou anteriormente ( em 2015 ) foi o guitarrista sueco Yngwie J. Malmsteen resultando em mais de 12 horas de evento e de 10 horas com as bandas no palco em excelentes apresentações, que foram muito bem organizadas pela Mercury Concerts e que detalharei mais abaixo. Curiosidade: nesta nona edição do Monsters Of Rock foi a que contou com cinco quartetos no palco e ao menos três guitar hero... e muito... muito.... carisma dos artistas...

    E antes de comentar mais de mais um dia histórico para o Rock no Brasil, vale dizer que o Monsters Of Rock estava acontecendo de dois em dois anos... mas desta vez foi realizado por dois anos consecutivos, o que me leva a questionar... teremos a décima edição do festival no sábado de aleluia de 2027?

Jayler

    Foi pouco depois das 11 da manhã que realizei o meu rápido credenciamento e já fui direto para a Pista Vip para conferir a jovem banda inglesa Jayler, que surgiu em 2022 quando o vocalista e guitarrista James Bartholomew e o guitarrista Tyler Arrowsmith fizeram de seu projeto escolar junto a Ricky Hodgkiss ( baixo ) e Ed Evans ( bateria ) uma banda de Hard Rock fortemente influenciada pelo Led Zeppelin, que teve seu nome tirado das iniciais de seus dois criadores ( 'Ja' de James Bartholomew e 'yler' de Tyler Arrowsmith ).

    Esta promessa do Hard Rock Britânico disponibilizou o seu primeiro EP em 2023 sobre alcunha de A Piece In Our Time e lançará o seu primeiro disco Voices Unheard em maio de 2026 teve a missão de abrir o festival diante de um público ainda pequeno, porém, que aumentava a cada minuto.

    Britanicamente no horário marcado, logo após as falas de Walcy Calas ( Woodstock Discos ) e Eddie Trunk ( radialista e apresentador de Talk Show ), o quarteto adentrou o palco com muita desenvoltura e sem sentir a pressão ao se apresentar diante de um público em um estádio como o Allianz Parque ( lógico que sentiram a pressão, mas, o show realizado dois dias antes ao lado do Dirty Honey, com certeza deixou os garotos mais tranquilos ).

    Com aquele visual anos 70, ou seja: calça listrada, colete, colares, peito aberto ( caso do vocalista James Bartholomew ), calça jeans e camiseta psicodélica ( casos de Tyler Arrowsmith e Ricky Hodgkiss ), o Jayler iniciou o show com Down Below ( do Voices Unheard ), um Hard Rock setentista, de baixo forte e com os longos agudos a la Robert Plant do vocalista, que já cativaram os presentes. Aliás, ele se saiu muito bem tocando gaita durante o ritmo Rock'n'Roll cheio de energia fornecido pelos demais.

    Obviamente muito animado, James Bartholomew nos questionou como estamos e fez uma saudação ao público para então logo depois executar a nova The Getaway, onde Tyler Arrowsmith portou uma Gibson Les Paul nos brindando com riffs mais acelerados e trechos onde sentimos a música fluir com a eletricidade que o Hard Rock solicita.

    Destilando uma rifflerama deveras interessante tocada pela dupla James Bartholomew e Tyler Arrowsmith tivemos a pulsante No Woman do A Piece In Our Time com mais grandes agudos e solos livres de amarras. Na sequencia exibiram o single de 2025 Riverboat Queen, que nos concedeu um mergulho no Blues graças ao uso do slide pelo guitarrista Tyler Arrowsmith e outra dose da ótima voz de James Bartholomew, que bradava tantos agudos que deixaram absolutamente claro como ele deve adorar Mr. Robert Plant. Inclusive, vale dizer que a gaita solada por ele deu mais profundidade à música e certamente conquistou mais fãs para a banda e, para um apreciador de gaita que sou... ver solos assim é gratificante.

    Em seguida, ele nos pergunta: "São Paulo, vocês querem voltar aos bons tempos?" e disse que somos a melhor plateia que já tocaram e que nos amam. Essa declaração foi para introduzir a canção Lovemaker, single de 2024, que exalou um punch marcante com Blues e Rock, muitos riffs de guitarra e solos de gaita, cujo final lembrou demais do Led Zeppelin pelos 'aahhhh haaaa" e "mamaamaamaaa" proferidos pelo vocalista provocando a participação e aplausos dos fãs.

     "As pessoas do Brasil são maravilhosas", disse o vocalista todo contente com a recepção obtida e seguiram o set com o Rockão I Believe To My Soul, canção de Ray Charles que aos solos da Gibson Les Paul de Tyler Arrowsmith ficaram ainda mais formosos. Em outra rápida conversa com os fãs, o vocalista do Jayler nos trouxe o Rock eletrificado presente em Need Your Love, que teve um prolongamento daqueles que você gosta imediatamente, seja por conta dos riffs de guitarra ou pelos longos vocais agudos nesta composição que também será parte do Voices Unheard.

    Continuando no debut ( que sairá oficialmente no final de maio ), eles tocaram a sonzeira Over The Mountain e seguiram com The Rinsk, sendo que o vocalista tocou novamente uma guitarra e que em seus momentos de improvisações foram inspirados no mestre Jimmy Page, aliás, Tyler Arrowsmith solou como gente grande amparado muito bem pela ótima base de Ricky Hodgkiss e Ed Evans na cozinha.

    E muito bacana foi ver tanto o vocalista James Bartholomew, quanto o guitarrista Tyler Arrowsmith e o baixista Ricky Hodgkiss com fios conectando seus instrumentos aos seus amplificadores, ou seja, nada de Wi-fi... é tudo raiz mesmo... É o Jayler soube como cravar um baita show no Monsters Of Rock em seus 45 minutos no palco e como é satisfatório ver que existem garotos resgatando os bons tempos. Que eles possam no futuro manter o Hard Rock setentista em alta como sempre foi nestes anos todos.

Set List do Jayler

1 - Down Below
2 - The Getaway
3 - No Woman
4 - Riverboat Queen
5 - Lovemaker
6 - I Believe to My Soul
7 - Need Your Love
8 - Over The Mountain
9 - The Rinsk

Dirty Honey

    O pouco tempo que tive após o show do Jayler e antes do Dirty Honey foi apenas para tomar uma água, conversar com os outros colegas na sala de imprensa do evento e já estava novamente a postos para conferir o quarteto californiano formado por Marc LaBelle nos vocais, John Notto na guitarra, Justin Smolian no baixo e Jason Ganberg na bateria, que conforme o programado às 12:30 já subiu no palco para exibir o seu Hard Rock com ares que lembraram do Aerosmith no início de carreira nos anos 70. Embora não tão conhecidos por aqui, o Dirty Honey já realizou turnês com o Guns n' Roses, KISS e The Black Crowes e neste início de tarde de sábado chegara a hora do Monsters Of Rock conhecer o quarteto.

    Eles adentraram o palco também com um visual anos setentista tocando a Won't Take Me Alive do Can't Find The Breakes de 2023 e tivemos uma canção que transborda eletricidade nos solos de guitarra e nos vocais, que pela atitude do vocalista Marc LaBelle movimentando-se bastante pelo palco, a plateia já foi tomada por ele logo no início do set tanto que reagiu com palmas e ficou admirada pela 'paradinha' feita até o ritmo ser retomado para fechar a composição.

    Marc LaBelle saudou aos fãs e disse que são de Los Angeles Califórnia, deixa para que California Dreamin' fosse exibida para nós e a canção de abertura do primeiro disco da banda autointitulado de 2021 contou um ótimo andamento e solos repletos de adrenalina de John Notto, que utilizou quase sempre uma Gibson Les Paul bege ( aquele modelo tradicional que Jimmy Page e Slash sempre utilizam ).

    Um breve "Obrigado" em português e uma dedicação em inglês para as mulheres ( bobo ele não? e olha tinham muitas... )para introduzir o Hardão envolvente Heartbreaker ( pertencente ao EP de 2019 também autointitulado ), cujo refrão ficou na memória e fez muitos cantarem com Marc LaBelle, que soube como comandar a interação conosco. Sem pausar e com uma roupagem que passou pelo Blues e trouxe ares modernos foi a vez de The Wire ( essa do álbum Dirty Honey de 2021 ), mas, o quarteto gosta de solos de guitarra e John Notto nos brindou com vários deles, o que não só desejamos como queríamos mais.

  Para Don't Put Out The Fire, outra do Can't Find The Breakes sentimos o swing Rock'n'Roll do Dirty Honey a la Rolling Stones e fomos infectados por ele e o vocalista percebeu e fez questão de descer do palco ir para perto dos fãs que estavam na grade para colocar suas vozes na música aumentando o grau do show do Dirty Honey, pois, ele zerou por alguns instantes a diferença existente entre banda e fãs, que alcançou palmas e muitas vozes repetindo seu refrão.

    Na sequencia de seu showzão, o quarteto veio para cima com a balada Another Last Time, a última música do primeiro álbum cujo princípio lembrou-me instantaneamente de Jimi Hendrix e se foi uma homenagem para o exímio guitarrista ou não... fica a dúvida, porém, que foram lindos esses riffs de Blues... ahh como foram. No decorrer Another Last Time trouxe um estilo Aerosmith e naturalmente capturou os fãs com suas melodias de vocais muito bem interpretadas por Marc LaBelle unidas à uma base instrumental animada e de muitos solos de guitarra.

    Após um rápido agradecimento, ele anunciou o título da música e assim recebemos Lights Out, outra das canções que te prendem rapidamente e que será parte do terceiro álbum do Dirty Honey e sabe... pelo visto teremos um discão à caminho, pois, eles não economizaram em potência na música e o baterista Jason Ganberg socou com vigor seus pratos ante a riffs frenéticos.

    John Notto mais uma vez solou com muita destreza e ligou isso a melodiosa e pesada When I'm Gone, canção de abertura do EP de estreia de 2019, onde Marc LaBelle liberou seus vocais com longos agudos e mais no final produziram um ritmo Rock'n'Roll primoroso, onde entende-se porque levou a banda atingir o top da Mainstream Rock da Billboard em 2019.

   A última do Dirty Honey foi a maliciosa e 'zeppeliniana' Rolling 7s, outra deste EP de 2019, que foi precedida pela apresentação do contente vocalista de seus companheiros de banda. Vale dizer que esta foi a canção que descobri o Dirty Honey sem querer assistindo clipes no Youtube e foi um encerramento perfeito de seu show no Monsters Of Rock de 2026, que antes de terminar, o vocalista mais uma vez desceu do palco e cantou junto de seus fãs, além de bradar um agudo daqueles.

    Se havia alguma dúvida do porque do Dirty Honey ter sido escalado para o festival, essa dúvida foi dirimida neste excelente e explosivo show de quarenta e cinco minutos do quarteto. Reforço o que já deixei claro nesta matéria.... o Hard Rock terá um futuro promissor com eles.

Set List do Dirty Honey

1 - Won't Take Me Alive
2 - California Dreamin'
3 - Heartbreaker
4 - The Wire
5 - Don't Put Out the Fire
6 - Another Last Time
7 - Lights Out
8 - When I'm Gone
9 - Rolling 7s

 

Yngwie Malmsteeen

Do Clássico ao Heavy Metal

    No intervalo do Dirty Honey para o Yngwie Malmsteen, além de passar rapidamente pela sala de imprensa fui até uma parte podia tirar uma foto com o imenso banner do evento e também com o 'Monster' que faz parte de todos as artes do evento, enfim, um lembrança que todos adoram guardar do Monsters Of Rock e embora a fila tenha sido rápida, acabei perdendo o início do set do aclamado guitarrista sueco, que é disparado um dos mais virtuoses em seu instrumento e foi altamente influenciado por Ritchie Blackmore do Deep Purple.

    Yngwie Malmsteen começou sua carreira no Steeler e no Alcatrazz, porém, já em 1984 partiu para sua carreira solo com o álbum Rising Force, que recebeu uma indicação ao Grammy. Ao lado de sua competente banda de apoio formada por Nick Marino nos teclados e vocais, Ralph Ciavolino no baixo e Mark Ellis na bateria, Yngwie Malmsteen com uma das suas Fender Stratocaster de coloração bege e branca ( ele utilizou várias no show ) iniciou o show justamente com a canção título de seu primeiro álbum, a Rising Force, que foi vocalizada muito bem pelo tecladista Nick Marino.

    Atrás de Yngwie Malmsteen havia um paredão de amplificadores Marshall e atrás do baixista Ralph Ciavolino também, se todos eram mesmo de verdade e estavam ligados para um som perfeito como foi não posso categoricamente afirmar, mas, que garantiram uma apresentação cristalina ao guitarrista... garantiram.  

 

    Notadamente a atração mais pesada do festival, Yngwie Malmsteen trouxe todo o brilhantismo de seu Heavy Metal com as dosagens neoclássicas e muitos, muitos solos repletos de muita habilidade demonstrando porque ele é um Guitar Hero. E com apenas um grito "Monsters Of Rock", o guitarrista deu início a acelerada e instrumental Top Down, Foot Down do World On Fire de 2016, que olhando ele solar até parece que é fácil executar a canção, que foi conectada à outra do mesmo disco, a No Rest For The Wicked.

    Sem que percebêssemos, Yngwie Malmsteen executou a Soldier, a terceira do álbum World On Fire que apresentou na sequencia e cantou seus versos, uma exclusividade para nós, pois, não me lembro das outras vezes que assisti shows do guitarrista dele cantando ( a última foi no Monsters Of Rock de 2015 - confira matéria ).

    Todo estiloso com bota, calça e blusa de couro, anéis, pulseiras, colares de ouro e sempre jogando palhetas para os fãs, o guitarrista prosseguiu o show com Into Valhalla do Relentless de 2010 e tome outra avalanche de solos, com direitos a chutes no ar e também movimentações pelo palco para que os fãs pudessem ver de perto os solos feitos por ele, que outra vez sem que pudéssemos reparar foram interligados à Baroque And Roll do álbum Attack! de 2002.

    Com um singelo "Obrigado" cheio de sotaque no tempo de mais uma troca de guitarras ( embora todas iguais em colorações, o afinamento de cada uma estava de acordo com a canção executada por ele ) tivemos Relentless Fury, que foi gravada no Parabellum de 2021 e trouxe Yngwie Malmsteen nos vocais em seus pequenos trechos com vozes, pois, a intenção dele era de solar mesmo e sem parar como foi no caso da conhecida Now Your Ships Are Burned do Rising Force em que ele fez os vocais que em estúdio ficaram por conta de Jeff Scott Soto e seguiu o set com a veloz e basicamente Power Metal Wolves At The Door deste mesmo disco.

    Aplaudido e com seu nome gritado pelos fãs, Yngwie Malmsteen trocou de guitarra, jogou palhetas e entre vários harmônicos extraídos de suas seis cordas nos colocou diante do momento mais sinfônico da tarde com o medley composto por Concerto #4 Adagio ( do Concerto Suite For Electric Guitar and Orchestra in E Flat Minor, Opus 1 de 1998 ), o clássico Far Beyond The Sun  do álbum Rising Force e uma passagem por Bohemian Rhapsody do Queen no final. Neste medley, toda a apurada virtuose dele com a guitarra ficaram evidentes e os seguidores mais fanáticos adoraram.

    Sabendo aproveitar cada segundo de seu tempo no palco, Yngwie Malmsteen continuou com a Fire and Ice, composição título do disco lançado em 1992, onde tivemos mais outra tonelada de solos e alguns vocais feitos por ele, que embora não foram ruins, todavia, comparando com alguns dos vocalistas que já estiveram em sua banda, o certo seria contratar um músico de ofício para o posto.

    De volta ao Rising Force, o quarteto ( o terceiro do dia ) executou a pesada Evil Eye e colocou fogo na galera mesmo ( com o perdão do trocadilho ) com a versão de Smoke On The Water do Deep Purple, que foi gravada pelo ídolo de Yngwie Malmsteen, o também temperamental Ritchie Blackmore no álbum Machine Head de 1972. Cheio de graça, Yngwie Malmsteen cantou seus versos e até tocou com os dentes a guitarra como Jimi Hendrix imortalizou o ato em suas apresentações e conseguiu um enorme coral dos contentes fãs.

    Encaminhando-se para o final de seu show, Yngwie Malmsteen acenou para nós e fez o gesto de agradecimento para com outra guitarra Fender Stratocaster e tocou a Trilogy Suite Op: 5 do Trilogy, o seu segundo cd de 1986 e aí meu caro leitor(a) do Rock On Stage tome solos de uma praticamente incomensurável técnica. Inclusive, ele ficou por alguns sozinho no palco por alguns minutos em um solo com mais harmônicos e ambientações neoclássicas, que pareciam não terminar e cresciam cada vez mais até culminarem em Overture do Relentless.

    A dupla Badinerie e Black Star foi a aproximação maior da Música Clássica no show de Yngwie Malmsteen, pois, na primeira ( gravada no Fire & Ice ), ele trouxe uma música de Johann Sebastian Bach e em seu decorrer arrancou as cordas da guitarra, abusou da distorção, girou e eu até achei que ele colocaria fogo no instrumento, mas não, só a jogou para o seu roadie, que atento pegou no ar ( em 2015 ele fez isso com cada guitarra que usou e as jogava de longe para que seu roadie bem esperto as pegasse ) e por fim saiu do palco.    

    No que podemos considerar como um bis, aos gritos de "Malmsteen... Malmsteen..." de alguns fãs e muitos solos melodiosos de uma amplificada capacidade tivemos a segunda dessa dobradinha com a Black Star do disco Rising Force e para finalizar com a chamada "chave de ouro" tocou o seu maior hit, a I'll See The Light Tonight do Marching Out de 1985, que foi vocalizada por Nick Marino com tamanha empolgação que ele até esqueceu-se dos teclados e incorporou mesmo o posto de vocalista com atitude. Contente, Yngwie Malmsteen gritou "Monsters Of Rock.. obrigado!!! I'm love You... thank you... thank you..." e então terminou o seu show e reuniu-se com a banda no palco para os agradecimentos e a despedida do público.    

    Embora não tenha causado aquele impacto em todos os presentes no estádio neste momento, pois, um show desses com músicas instrumentais não cairam tanto no gosto da maioria, a verdade é que vimos uma apresentação irretocável e com uma precisão única durante uma hora feita por um dos maiores guitarristas de todos os tempos que Yngwie Malmsteeen é.

Setlist do Yngwie Malmsteeen

1 - Rising Force
2 - Top Down, Foot Down
3 - No Rest For The Wicked
4 - Soldier
5 - Into Valhalla
6 - Baroque And Roll
7 - Relentless Fury
8 - Now Your Ships Are Burned
9 - Wolves At The Door
10 - Concerto #4 / Adagio / Far Beyond The Sun / Bohemian Rhapsody
11 - Fire and Ice
12 - Evil Eye
13 - Smoke On The Water
14 - Trilogy Suite Op: 5
15 - Overture
16 - Badinerie / Black Star
17 - I'll See The Light Tonight

Halestorm

Melhor show da tarde com uma entrega inacreditável

    O show mais cheio de garra, energia, adrenalina e totalmente incandescente da tarde deste sábado no Monsters Of Rock foi sem sombra de dúvidas da banda norte-americana Halestorm ( aliás, outra curiosidade, exceção dos ingleses do Jayler e do sueco Yngwie Malmsteen - mas que morou em Los Angeles - todas as bandas são norte-americanas ). E assim, as 16:45, os irmãos Lzzy Hale ( vocais, guitarra e teclados ) e Arejay Hale ( bateria ) juntos de Josh Smith ( baixo ) e Joe Hottinger ( guitarra ) estavam no palco para demonstrarem porque eram a banda mais aguardada de muitos presentes, especialmente, os mais novos.

    O telão que serviu de banner das bandas apenas exibiu o nome e o logo do Halestorm e o quarteto atacou logo depois da pequena introdução com a pesada Fallen Star do mais recente trabalho da banda de 2025 ( o disco Everest ) esbanjando entusiasmo com Lzzy Hale de blusa, camisa, botas e minissaia pretas com sua guitarra vermelha se mostrou uma frontwoman deveras carismática, seja pelo ritmo frenético da canção ou quantidade de energia que veio para o palco.

    Sem tempo para pestanejar, o Halestorm já emendou a Mz. Hyde do The Strange Case Of ... de 2012, que é possuidora de um estilo robusto, mas, que foi adocicado pela voz de Lzzy Hale, que entre um verso e outro da música soltava um "Braziiiilll" ou um "I Love Braaziiilll" e realmente chacoalhou o Monsters Of Rock. Antes da próxima de seu set list, a vocalista soltou um grito praticamente ensurdecedor e apesar um ritmo mais lento no começo e bastante envolvente em I Miss The Misery, ela 'botou a casa abaixo', pois, muitos pularam juntos nesta música que também pertence ao The Strange Case Of ... e além disso, ela solou muito bem ao lado do guitarrista Joe Hottinger.

    Destinada à fazer um show para revigorar mesmo, Lzzy Hale cantou a Love Bites ( So Do I ), a música que abre o The Strange Case Of ... e a terceira dele na sequencia e com o frisson produzido na galera entendi porque a música foi a vencedora do Grammy na categoria Melhor Performance de Hard Rock/Metal. Já sem a blusa ( apenas com o tomara que caia preto ), solicitando nossas palmas e "Hey... Hey...", a vocalista e os demais exibiram agora a Punk WATCH OUT! e a moça soltou uns urros fortíssimos. Vale dizer que nesta música do Everest, ela estava com uma Gibson Les Paul, solou junto a Joe Hottinger e certamente fez muitos bangearem um pouco.

    Lzzy Hale fez as saudações para o público e nos teclados, ela emocionou com a balada Like a Woman Can e exalou uma potência enorme em sua voz, que chamou mesmo a atenção nesta música do Everest com ares de Soul, cujos solos feitos por ela e por Joe Hottinger foram como os anteriores... esbeltos, mas, os gritos de Lzzy Hale a colocaram em um outro patamar vocálico.

    Lzzy Hale estava realmente contente com a oportunidade de tocar no Monsters Of Rock para nós e falou: "Nós somos o Halestorm e estamos muito felizes de estarmos de volta aqui hoje..." para depois apresentar o irmão Arejay Hale na bateria e com muito carisma mesmo ao disse: "I really Loving You", e desse modo finalmente anunciou a I Get Off e com um empenho significativo colocou o público junto da banda para curtirem a canção do primeiro disco da banda autointitulado de 2009. Se isso não fosse suficiente ela agachou-se, ajoelhou-se e cantou entregando sua alma para o público de uma forma incrível. Quem gosta de Soul ficou de queixo caído com sua atuação, que marcou mesmo o show do Halestorm.

    Para Familiar Taste Of Poison, que também é pertencente ao primeiro disco e é está umbilicalmente ligada à anterior, ela prosseguiu com a dedicação gigantesca à música com seus gritos e ampliou o seu poderio com a Rain Your Blood On Me do Everest, sendo que a vocalista movimentou-se bastante pelo palco e os nossos olhos ficavam seguindo a beldade durante os solos e os "êêêêêêêêêêê" e "ôôôôôôôôôô" gritados por ela.

    Sinceramente, ela contagiou mesmo até quem não conhecia ou não ouve muito Halestorm. No final desta música Arejay Hale sozinho no palco fez o seu solo de bateria e recebeu os aplausos dos fãs. Até aí tudo bem, mas, depois o cara pegou baquetas gigantes e com elas continuou o solo... confesso que ... em todos os solos de bateria que já vi... jamais vi um com baquetas tão grandes.

    Com todos da banda de volta aos seus postos, o Halestorm disparou agora a Freak Like Me, que retornou o show ao The Strange Case Of ... com a vocalista enviando todo o feeling que é possuidora até nós caracterizando um showzão mesmo. E exalando um contentamento tão grande quanto seu carisma, ela não perdeu tempo e prosseguiu com a arrasa-quarteirão Wicked Ways, a única do Back From The Dead de 2022 no set list, que entre seus momentos melodiosos, solos e muito peso também ressaltaram porque o Halestorm conseguiu o destaque no cenário que tem.

    A última do show do quarteto foi precedida pelos agradecimentos da vocalista e combinando a guitarra e o teclado vermelhos, ela informou que teríamos a quase balada I Gave You Everything do Everest com seu início dramático que tem adicionado mais peso, gritos e velocidade em seu decorrer culminando em um final com uma base Rock'n'Roll. A reação dos fãs foi de socar o ar e agitar bastante com a banda.

    Simpática, se despede com um "Obrigada... Thank You So Much..." e os últimos instantes no palco jogaram palhetas, baquetas e os set list para os fãs, além, claro da foto consagrando o show, que, certamente deixou saudades pelo intensidade que apresentaram. E eu que havia ouvido muito pouco o Halestorm, posso seguramente frisar aqui: parabéns pela apresentação acima da média, que entrou para a história do Monsters Of Rock no show mais intenso da tarde.

Setlist do Halestorm

1 - Fallen Star
2 - Mz. Hyde
3 - I Miss The Misery
4 - Love Bites ( So Do I )
5 - WATCH OUT!
6 - Like a Woman Can
7 - I Get Off
8 - Familiar Taste Of Poison
9 - Rain Your Blood On Me
10 - Freak Like Me
11 - Wicked Ways
12 - I Gave You Everything

Extreme

Muito além do que somente More Than Words

    Quem foi no Monsters Of Rock para ver o Extreme cantando a balada conhecidíssima More Than Words foi exposto à um show marcante e altamente inflamável da banda de Boston, que é formada por Gary Cherone nos vocais, o exímio Nuno Bettencourt na guitarra e backing vocais, Pat Badger no baixo e backing vocais e Kevin Figueiredo na bateria e percussão, que contarei os detalhes a partir de agora.

    No tempo em que foi rapidamente trocado o palco do Halestorm para o Extreme, as nuvens tomaram conta do Allianz Parque e no exato instante que o Extreme entrou no palco, às 16:45, as gotas começaram à cair e se tornaram uma pequena chuva, que para nossa sorte não durou muitos minutos. Posso dizer que essa chuva lavou a alma de todos após o show fabuloso do Halestorm.

    Bem, voltando ao Extreme, o quarteto ( o quinto e último deste Monsters Of Rock ) entrou no palco para nos mostrar as músicas do álbum Six ( de 2023 ) e aqueles sucessos que embalaram sua carreira e atingiram a cifra de 10 milhões de álbuns vendidos. Eles começaram com a It ( 's a Monster ) do Extreme II: Pornograffitti ( A Funked Up Fairy Tale ) e Gary Cherone de óculos escuros ( detalhe... um lado só era escuro no outro tinha um 'x' com esparadrapos ) e todo de preto, além disso... não se importou com a chuva que caiu e começou o show nos colocando diante de toda a excelente vibração da banda, que foi aumentada nos solos do Nuno Bettencourt.

     Ainda no Extreme II: Pornograffitti ( A Funked Up Fairy Tale ) e com o telão atrás dos músicos exibindo a capa do álbum de 1990 ( disco que ajudou a banda estourar nas paradas de sucesso do planeta ) tivemos o Hard Rock encorpado de Decadence Dance com todos os fervorosos solos de Nuno Bettencourt, que ajudava Gary Cherone nos backing vocais e este não parava quieto no palco caminhando por todas as partes e podemos dizer que entrou 'ligado nos 220v' ( depois do show do Halestorm, se eles não estivessem nessa pegada... diminuiriam a nossa voltagem ).

    Enquanto Nuno Bettencourt mandou em um ótimo português: "Saooo Pauloooo como que vocês estão???", Gary Cherone abaixou-se em agradecimento ao calor recebido nestas duas primeiras músicas e o guitarrista após mais outro solo lindo atacou com primeira do último álbum de estúdio com a canção #REBEL, que demonstrou a força que o disco Six é detentor tanto que a galera sentiu e olhou atentamente cada membro e cada segundo do show do Extreme.

    É... eles estavam para lá de energizados e sem parar... mas, antes da próxima música colocaram uma introdução de We Will Rock You do Queen em um estilo bem pesado para convocar a base da acelerada Play With Me ( a única do disco autoinitulado de estreia da banda de 1989 ) e Gary Cherone, se o palco fosse maior, ele estaria em todos os pontos ( inclusive subiu em cima de um dos Marshalls ) provando o grande frontman que é e mantendo a plateia em suas mãos e Nuno Bettencourt fez solos de dar inveja em muitos guitarristas com uma facilidade enorme e foram tão incríveis que o vocalista gritou o nome de seu colega de banda para que os fãs pudessem aclamá-lo.

    Como se estivesse respondendo nossos aplausos, Nuno Bettencourt solou novamente sua guitarra exibindo melodias que alternavam entre um Progressivo e seguiam para o Hard Rock até que chegaram ao Hard Rock Am I Ever Gonna Change, a representante do III Sides To Every Story de 1992, que pela forma que foi exibida sentíamos como eles deram tudo de si em sua execução, que foi alongada na formosa harmonia conduzida pelo guitarrista. De um estilo pesado, vocais encorpados e até alguns experimentalismos, THICKER THAN BLOOD do Six foi a seguinte e manteve o pique do show em alta entre muitos solos de guitarra e uma pequena garoa.

    Todavia, foi quando Nuno Bettencourt pegou um belíssimo violão branco de 12 cordas, questionou quem estava aqui em 1992 ( uma referência ao Rock In Rio ) e com um belo chapéu dedilhou os acordes de uma das minhas favoritas e que me traz ótimas lembranças, a Hole Hearted do Extreme II: Pornograffitti ( A Funked Up Fairy Tale ) em uma deslumbrante e emocionante versão acústica em que até o baterista Kevin Figueiredo foi para a frente do palco com um pandeiro, um prato e uma baqueta para conceber o clima do momento. Nossa reação: claro.. cantar a plenos pulmões e aplaudir bastante a banda.

    Bastante comunicativo e aproveitando seu domínio do nosso idioma, Nuno Bettencourt, sozinho e sentado em um banquinho indagou: "quantos guitarristas tem na plateia hoje? Levantem as mãos... Obrigado por cantarem... isso é para vocês!!!". Assim, ele dedilhou um outro violão de seis cordas e em uma parte toda intimista do show do Extreme apresentou as instrumentais Midnight Express do Waiting For The Punchline de 1995 e a Flight Of The Wounded Bumblebee do Take Us Alive ( disco ao vivo de 2010 ), onde pudemos apreciar sua 'extrema' ( nenhuma coincidência com o nome da banda ) destreza ao tocar quaisquer instrumento que tenha seis ou mais cordas.

    Ainda sentado, o guitarrista ajustou seu violão, nos agradeceu e em suas palavras: "queria chamar ao palco o meu irmão Gary Cherone, muito barulho para ele...." e juntos exibiram neste formato acústico e instimista a famosíssima balada More Than Words do Extreme II: Pornograffitti ( A Funked Up Fairy Tale ) e aí não teve jeito... catarse coletiva com todos cantando cada verso com eles resultando em um dos momentos mais inesquecíveis deste Monsters Of Rock com direito à um prolongamento que deixou mais ímpar ainda o que vimos neste finalzinho de tarde. Quem não cantou filmou, ascendeu a luz do celular ou o isqueiro ( isso só os mais velhos... ).

    Se acabasse depois de More Than Words, o show do Extreme já seria épico, mas, a banda tinha mais dois coringas na manga. Antes do primeiro, o guitarrista português citou que pouco depois seria a vez do Lynyrd Skynyrd e do Guns n' Roses e então veio para cima expelindo toda sua competência e virtuose na guitarra com um solo fora de série para depois junto com a banda completa e 'plugada' tocarem a Get The Funk Out também do Extreme II: Pornograffitti ( A Funked Up Fairy Tale ) cheia de um infectante swing, que fez todos interagirem com o incontido Gary Cherone.

    Muito educado, Nuno Bettencourt nos agradeceu dizendo: "Foi um prazer... muito obrigado..." para então apresentarem a segunda e última do Extreme no Monsters Of Rock, que foi a pesadaça RISE do Six, que teve outra atuação agitada de Gary Cherone e contou com um solo mostro do talentoso músico das seis cordas da banda. Em suma, um show perfeito de uma banda que queria ver há muito tempo, que finalmente presenciei e que durou 60 caprichados minutos. Valeu Extreme!!!

Set List do Extreme

1 - It ( 's a Monster )
2 - Decadence Dance
3 - #REBEL
4 - Play With Me
5 - Am I Ever Gonna Change
6 - THICKER THAN BLOOD
7 - Hole Hearted
8 - Midnight Express
9 - Flight Of The Wounded Bumblebee
10 - More Than Words
11 - Get The Funk Out
12 - RISE

 

Lynyrd Skynyrd

O mais emblemático show do Monsters Of Rock de 2026

    Dá para dizer que a partir de agora a coisa ficou séria... pois, a próxima atração deste Monsters Of Rock de 2026 foi simplesmente uma das bandas mais relevantes e mais amadas no mundo do Rock: Lynyrd Skynyrd!!! Um nome que iniciou suas atividades ainda nos anos 60 em Jacksonville na Florida, mas, que só ficou conhecida em 1973, chegou ao estrelato praticamente no nível dos Rolling Stones nos anos 70 e sofreu uma tragédia gravíssima com a queda do avião em 1977 vitimando vários músicos da formação mais famosa da banda.

    10 anos depois do fim em 1987, Allen Collins ( que faleceu em 1990 ) e seu pai Sr. Larkin Collins idealizaram um tributo ao Lynyrd Skynyrd, que seria formado pelos membros originais vivos na ocasião - Gary Rossington, Leon Wilkeson, Billy Powell, Artimus Pyle, Ed King juntos ao citado Allen Collins e o irmão de Ronnie Van Zant, o também vocalista Johnny Van Zant. Pronto, estava renascido o Lynyrd Skynyrd e gerações e gerações que desde então assistem aos seus shows sentindo a mesma magia dos anos 70 e dos clássicos gravados nesta década ( além de uma ou outra surpresa mais recente que sempre é incorporada ao set list da banda ).

    Motivo de uma grande parcela dos fãs presentes no Allianz Parque, o Lynyrd Skynyrd é atualmente formado por Johnny Van Zant nos vocais, Rickey Medlocke, Mark "Sparky" Matejka e Damon Johnson nas guitarras, Michael Cartellone na bateria, Peter Keys nos teclados e piano, Keith Christopher no baixo e completando as backing vocals Carol Chase e Stacy Michelle e às 18:20, o vídeo introdutório do show foi exibido com imagens dos anos 70, dos crocodilos, dos pântanos, do palco com shows da banda, com os integrantes que partiram e com os que estão na banda, enfim, um resumo dos 50 anos do Lynyrd Skynyrd e então as luzes foram apagadas.

    Quando as luzes ascenderam, todos eles estavam posicionados no palco e o sonho de (re)ver o Lynyrd Skynyrd começara... simpático, Johnny Van Zant soltou um "How you're doing Brazil!!!" e nos solos melodiosos da trinca de guitarristas tivemos do disco Second Helping de 1974, a Workin' For MCA, com uma iluminação, piano, vocais, bateria, baixo, enfim, tudo funcionando perfeitamente para nos atingir em cheio com este maravilhoso hit do Rock'n'Roll... e claro que ficamos felizes por estarmos assistindo ao Lynyrd Skynyrd. Nos solos de guitarras com os três guitarristas solando juntos, o vocalista andava de um lado para outro do palco e sempre sinalizando para os fãs.

    Antes da próxima, Johnny Van Zant disse: "Saooo Pauuuloooo.... Braaziiilll... Skynyrd is in the hooousee!!!" e acrescidos agora das backing vocals Carol Chase e Stacy Michelle, o desfile de clássicos teve o Rockão What's Your Name do Street Survivors de 1977 ( o último álbum antes do fatídico acidente ) e quem cravou um solo considerável foi Richard Medlocke em sua guitarra.

    Com fumaças estourando no palco, mais uma do Street Survivors com a também cativante That Smell e no fundo imagens de fogo e muitos... muitos solos de guitarras naquele clima único que o Southern Rock do Lynyrd Skynyrd proporciona, que nesta foram protagonizados por Mark "Sparky" Matejka e Richard Medlocke.

    Johnny Van Zant fez um breve discurso e falou: "Good evening Brazil... How are you Sao Paulooo... so glad to be here guys... with Guns n' Roses and some other great acts. We loving you guys... We come back here more times. Brazilian is a great audience...".

    Elogios que provaram que o que sentíamos no show do Lynyrd Skynyrd com suas melodias, riffs, solos... eles também sentiam de volta pela nossa euforia e desta vez nos brindaram com o Blues lento contigo em I Need You do Second Helping, onde o vocalista cantou enviando uma emoção natural a cada estrofe, que procuramos captar e guardar em nossos corações cada nota que vinha do palco. Aliás, os solos eram para fechar os olhos de deixá-los entrar em nossas almas... só não fizemos, pois, queríamos ver o espetáculo.

    Com todo o seu charme, a Gimme Back My Bullets - que também intitula o quarto álbum da banda de 1976 - foi a quinta do show e o Lynyrd Skynyrd novamente enfeitiçou em outra atuação impecável de cada um deles.

    Michael Cartellone providenciou toques mais acelerados na bateria e depois aquela virada melodiosa, a banda prosseguiu com a sintomática Saturday Night Special, a única do Nuthin Fancy de 1975 na noite, que sustentou o clima de positividade e foi ao comando de Johnny Van Zant acompanhamos nas palmas transbordando de felicidade neste grandioso Rock'n'Roll, que teve solos dos três guitarristas outra vez.

    Johnny Van Zant estava deveras empolgado, fez questão de olhar para todos os lados do estádio para cumprimentar a todos e então anunciou a deliciosa Down South Jukin' que saiu no Skynyrd's First and Last, coletânea de 1978, mas que é uma 'sobra de estúdio' do primeiro álbum da banda, o Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd de 1973. Bem, Down South Jukin' com seu clima rural e sulista foi muito bem conduzido pelos toques do pianista Peter Keys e pelas vocalizações de Johnny Van Zant.

     "Thank You So Much.... you guys.. you're awesome... is full house...", além de confirmar que o estádio estava lotado, o sempre sorridente vocalista atestou que haviam muito fãs do Skynyrd... e  disse também que ainda somos inquebráveis, que foi a deixa para Still Unbroken do Gods & Guns, o décimo segundo de estúdio datado de 2009, um dos álbuns do retorno da banda que mantém o DNA dos anos 70 e a carga magnetizadora do show.

    De volta ao Second Helping com a The Needle And The Spoon e tivemos outra vez Richard Medlocke solando novamente com excelência nesta música e sempre muito bem acompanhado pelos outros dois guitarristas.

Realmente muita emoção

    Pouco depois, um gaitista vai ao palco e junto aos teclados de Peter Keys e os solos melodiosos dos guitarristas tivemos o momento mais comovente do Lynyrd Skynyrd neste Monsters Of Rock com a balada Tuesday's Gone do Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd, que foi dedicada para Gary Rossington ( que nos deixou em março de 2023 ) e novamente em um show da banda sulista, os olhos começaram a querer lacrimejar ( creio que muitos choraram ), seja pelas imagens do guitarrista nos telões, por ter visto ele em 2011 no SWU ou pelo clima mesmo repleto de emoção que o Lynyrd Skynyrd nos passou nesta versão deste sábado. Essa combinação de gaita, teclados e guitarras em uma música assim acerta em cheio cada um de nós.

    Foi com um pequeno discurso que Johnny Van Zant anunciou a próxima dizendo que são de Jacksonville, Florida, perguntou se as mamães estão felizes e pediu para ligarmos os celulares ( e só viam-se luzes filmando ) para acompanharem uma das mais admiradas músicas do Lynyrd Skynyrd com a comovente Simple Man, outra do fundamental Pronounced 'Lĕh-'nérd "Skin-'nérd, que contou com o imenso coro do Allianz Parque cantando com eles em um momento simplesmente espiritual de plena harmonia entre banda e plateia. Tanto é verdade que o vocalista virou o microfone para nós no intuito de captar nossas vozes.

    Além disso, demonstrando respeito pelo nosso país, o telão exibiu a bandeira do Brasil tremulando e não posso esquecer de mencionar quando os três guitarristas e o baixista se uniram no palco, como isso é algo espetacular de ver ao vivo, experiência única que somente estando no show para sentir mesmo.

    Logo após de provocaram essa quantidade imensa de emoção, os guitarristas trocaram suas guitarras enquanto que Johnny Van Zant agitou a galera para colocar todos para dançarem com o Rock'n'Roll divertido de Gimme Three Steps, a terceira do clássico Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd exibida na sequencia, que até tentei dançar onde estava, entretanto, estava bem apertado e só conseguia mesmo mexer os braços e socar ar com um grande sorriso no rosto, além de reparar nos solos dos guitarristas, que novamente juntaram-se com o baixista produzindo outro momento singular.

    Sem parar tivemos o animado Rock'n'Roll Call Me The Breeze, cover do J.J. Cale e aqui quem deu a tônica da canção foi o Peter Keys no piano bem Boogie Woogie e o trio de guitarristas novamente conduzindo a vibração da composição que também faz parte do Second Helping.

    Um trecho de Red, White & Blue do Vicious Cycle de 2003, que dá uma visão do patriotismo americano pós 11 de setembro sob a ótica da classe operária foi ancorada pelos repiques nos pratos da bateria de Michael Cartellone, nos dedilhados dos guitarristas e, especialmente, na voz de Johnny Van Zant, que cantou seus versos aplicando muita dedicação para assim introduzir o hino Sweet Home Alabama, inicialmente salientando a amizade que deve ocorrer sempre entre os Estados Unidos e o Brasil.

    Essa imagem foi sobreposta pela bandeira do estado de Alabama e aí hora da também muito aguardada por todos, a Sweet Home Alabama, que outra vez contou com aquele coro gigante de fãs que cantaram com o Lynyrd Skynyrd receberam em troca os solos de Mark "Sparky" Matejka em sua Fender Stratocaster.

    Johnny Van Zant chefiou os prolongamentos, os aplausos e nossa atuação virando o microfone para nós e apontando para o telão quando este exibia a bandeira do estado e o céu azul ( de acordo com a letra da música ), sendo que esta finalizou a primeira parte do show do Lynyrd Skynyrd com maestria.

    Entretanto, faltava uma para que ficássemos totalmente satisfeitos com este histórico e memorável show, que foi muito pedida por todos enquanto as luzes ficaram apagadas e assim que suas primeiras notas eclodiram pelo Allianz Parque vivemos uma verdadeira sinergia ( antes uma grande águia dourada foi mostrada nos telões em cima do piano branco de Peter Keys  ), pois, no bis, fomos expostos a alquimia sensorial, com direito a um trecho falado por Ronnie Van Zant e os lindíssimos toques de Peter Keys abrindo a monumental Freebird.

    E o Lynyrd Skynyd perfomou a música com brilhantismo alvoroçando a todos, seja através de Damon Johnson, que entregou aqueles toques melosos utilizando um slide em sua guitarra ou de Johnny Van Zant, que vocalizou com o seu microfone envolto nas bandeiras do Brasil e dos EUA. Além disso, os norte-americanos fazem atualmente algo mais impressionante: uma divisão de vocais entre ele e o seu irmão no telão, que é comum em vários shows, mas, sempre emociona demais quem assiste.

    Outro ponto altamente tocante em Freebird também foi a exibição do nome de todos os membros da banda que já nos deixaram e a verdadeira sinfonia de radiantes solos de guitarras feitos por Richard Medlocke, Damon Johnson e Mark "Sparky" Matejka, que juntos deixaram esses solos fluírem livremente ante a palmas e olhares admirados dos fãs não acreditando no showzão que assistiram.

    Meus amigos e amigas do Rock On Stage... isso é Rock'n'Roll... é por isso que há tantos anos ouvimos discos e vamos nos shows da bandas... Obrigado Monsters Of Rock por nos promover algo incomparável e inesquecível como foi esta apresentação do Lynyrd Skynrd.

Set List do Lynyrd Skynyrd

1 - Workin' For MCA
2 - What's Your Name
3 - That Smell
4 - I Need You
5 - Gimme Back My Bullets
6 - Saturday Night Special
7 - Down South Jukin'
8 - Still Unbroken
9 - The Needle And The Spoon
10 - Tuesday’s Gone
11 - Simple Man
12 - Gimme Three Steps
13 - Call Me The Breeze
14 - Red White & Blue ( Love It Or Leave )
15 - Sweet Home Alabama
16 - Free Bird

Interlúdio - homenagem aos Monsters que partiram nos últimos anos

    Enquanto que o palco do Lynyrd Skynyrd foi desmontado e o do Guns n' Roses era preparado, a organização do Monsters Of Rock fez uma homenagem à vários nomes do Rock que já se foram nos últimos anos e infelizmente, a lista só aumenta.

    Desta vez foram lembrados Ronnie James Dio ( Black Sabbath, Rainbow, ELF ), Chorão ( Charlie Brown Jr. ), Jeff Hanneman ( Slayer ), B. B. King, Scott Weiland ( Stone Temple Pilots e Velvet Revolver ), Lou Reed, David Bowie, Chris Squire ( Yes ), Chuck Berry, Chris Cornell ( Soundgarden e Audioslave ), Malcom Young ( AC/DC ) Chester Bennington ( Linkin Park ), Lemmy Kilmister ( Motörhead ), Vinnie Abbot ( Pantera ), Andre Matos ( Viper e Angra ), Neil Peart ( Rush ), Eddie Van Halen ( Van Halen ), Little Richard, Charlie Watts ( The Rolling Stones ), Jerry Lee Lewis, Taylor Hawkins ( Foo Fighters ), Erasmo Carlos, Jeff Beck, Gary Rossington ( Lynyrd Skynyrd ), Canisso ( Raimundos ), James Kottak ( Scorpions e Kingdom Come ), Pit Passarell ( Viper ), Paul DiAnno ( Iron Maiden ), John Sykes ( Whitesnake ), Les Binks ( Judas Priest ), Brian Wilson ( The Beach Boys ), Mick Coogan ( Bad Company ), Rita Lee ( Mutantes ), Rick Davies ( Supertramp ), Ace Frehley ( KISS ), Phill Campbell ( Motörhead ), Ross The Boss ( Manowar ) e o último e quem mais emocionou a todos Ozzy Osbourne, que foi embora poucas semanas depois do show comemorativo ao Black Sabbath, o Back To Beginning.

    Infelizmente, todos estes incríveis músicos que gravaram discos e fizeram shows espetaculares ao longo de suas carreiras são mortais e a hora de cada um deles chegou, como chegará a nossa também, contudo, conforme a organização do Monsters Of Rock enfatizou na mensagem no telão... "Os Monstros não morrem vivem em nossos corações!!!" e eu acrescento aqui vivem a cada vez que ouvimos um disco, uma música, vemos um clipe... vivem e viverão para sempre enquanto nós continuarmos relembrando seu legado e celebrarmos em festivais como este magnífico Monsters Of Rock

Guns n' Roses

Um dos melhores e mais pesados shows da banda no Brasil

    Faziam nove anos que não assistia a um show do Guns n' Roses e se a minha expectativa já era grande fico pensando em quem estava lá pela primeira vez realizando um sonho de muito tempo. A última vez que vi o Guns n' Roses foi no dia 26 de setembro de 2017 no São Paulo Trip ( saiba como foi ).

    De lá para cá, a formação da banda ficou ainda mais afiada, novas composições foram inclusas no set list, eles estão com um novo baterista, porém, uma coisa é imutável: a garantia que a banda realizaria outro grande show no país, que pelo tamanho da última passagem por aqui e desta, já dá para dizer que eles podem solicitar a cidadania brasileira...

    Brincadeiras à parte, pontualmente às 20:30, o vídeo introdutório do Guns n' Roses foi exibido nos telões com imagens um tanto que psicodélicas, algo que lembrou do robô da capa do álbum Appetite For Destruction e pouco depois vimos Axl Rose nos vocais, Slash e Richard Fortus nas guitarras, Duff McKagan no baixo, Isaac Carpenter na bateria e Dizzy Reed nos teclados e piano para ocuparem seus lugares e iniciarem o último e mais longo show desta edição do Monsters Of Rock.

   Para chacoalhar o estádio logo de cara, o Guns n' Roses veio para cima com a Welcome To The Jungle, com Axl Rose todo de preto e de óculos escuros, Slash com a tradicional cartola, óculos escuros e uma de suas Gibson Les Paul, Duff McKagan com seu baixo branco, enfim, a "mais perigosa banda de Rock do mundo" estava diante de nós. E claro que cantamos, pulamos e agitamos com esta música do Appetite For Destruction de 1987 como se fosse a primeira vez que estávamos a ouvindo. Nos solos, reparei que Slash utilizou de um slide para aqueles efeitos explosivos que a música possui.

    Axl Rose fez a primeira saudação aos fãs ao dizer: "hey... how are you doing?" e tocaram a Slither, música do Velvet Revolver que foi incorporada ao Guns n' Roses e notei que o vocalista não está mais cantando forçando a sua voz, sabe de seus limites e não procura ultrapassá-los, mas sempre com uma atuação que contagia quem o vê no palco, pois, movimenta-se bastante e está totalmente centrado no show. Já Slash demonstrou porque é um Guitar Hero no solo de guitarra que fez.

    Uma rápida pausa para troca de guitarras e do baixo aos gritos de "Guns n' Roses... Guns n' Roses..." e uma das dinamites sonoras da carreira com a It's So Easy, outra do Appetite For Destruction, que voltou a balançar o Estádio e foi seguida por Live and Let Die, que foi gravada pelo Wings e possui uma versão com o Guns n' Roses feita no Use Your Illusion I de 1991. Em Live and Let Die, Axl Rose forçou um pouco a voz procurando alcançar aqueles agudos de outrora e as suas linhas instrumentais foram formidáveis com novamente um destaque para o solo de Slash em sua Gibson bege.

    Interessante frisar que o Guns n' Roses está mais Rock'n'Roll nesta turnê e com toda aquela atmosfera criada pelos toques do baterista Isaac Carpenter e pelos toques do baixista Duff McKagan tivemos a Mr. Brownstone, mais uma do Appetite For Destruction nos convidando a dançar com a banda e a sentir toda a garra dos solos de Slash e Richard Fortus em sua guitarras. O que falar de Axl Rose nesta? o cara joga o pedestal do microfone longe, gira o corpo, anda para lá e para cá... enfim... um showman completo.

    Sempre com uma caveira nos telões, com uma linhagem Blues Rock fomos de volta ao Use Your Illusion I com a Bad Obsession com Slash tocando uma bela guitarra vermelha e Axl Rose conferindo ótimos vocais à canção, que foi uma surpresa para mim, pois, nos shows que fui do Guns n' Roses nunca vi eles executando esta música em que o Slash solou usando seu slide em uma pegada que transitou muito em pelo Blues Rock e o Rock'n'Roll.

    "Wonderful Evening" falou o simpático Axl Rose antes que os toques de guitarras de Slash e Richard Fortus nos levassem ao ambiente da Rocket Queen, outra do Appetite For Destruction que se mostrou 'mais difícil' para Axl Rose cantá-la por conta de seus versos agudos, mas, ele encarou e cantou, porém, deixou os demais atacarem com improvisos e solos mais longos, o que fazem de uma versão ao vivo da música única e que sem dúvidas vamos lembrar do que Richard Fortus ( com sua Gibson SG ) e Slash ( com sua Gibson Les Paul e inclusive também usando o voice box ) implementaram nesta noite.

    Detalhe... as imagens esquisitas nos telões lembravam um pouco do que Slash publica em seu Instagram ( siga ele e saiba do que estou falando ) e no final de Rocket Queen, Axl Rose voltou no palco girando para cantar os versos finais da música e comandar os aplausos no ritmo procurando não forçar tanto nos agudos.

    A relativamente nova Perhaps, que saiu como single em agosto de 2023 trouxe ares modernos ao show e um andamento mais leve, que serviram para relaxar as cordas vocais do sempre inquieto Axl Rose ( que andava sem parar mesmo com um palco menor que em 2017 - sem as passarelas da esquerda, da direita e frontal ).

    Bem Rock'n'Roll simples e básico em seu início, hora de Dead Horse do Use Your Illusion I, onde Axl Rose até buscou uns agudos um tanto que longe dos originais, todavia, o ritmo instrumental te envolvia e só de ver a entrega dele e da banda... já estava valendo. Em tempo, Dead Horse foi outra música que vi ao vivo pela primeira vez e que foi tocada pela quinta vez na história do Guns n' Roses - privilégio nosso!!!

    Double Talkin' Jive, que também é pertencente ao Use Your Illusion I veio acelerada por conta dos toques de Slash em sua guitarra e pela intensidade de Isaac Carpenter na sua bateria inflamando consideravelmente todos os presentes. Esta composição também foi alvo de improvisos instrumentais inflacionando bastante cada um de nós, porque, quem não aprecia ver um Guitar Hero como Slash demonstrando todo o seu talento diante de um estádio lotado?

    O single Nothin', que foi lançado em dezembro de 2025 veio com um andamento suave conduzido por meio do pianista Dizzy Reed e exibiu vocalizações quase serenas de Axl Rose, que exalou muita emoção ao cantar suas estrofes e também vimos os bons riffs de Slash. A potente You Could Be Mine foi a primeira lembrança do Use Your Illusion II também de 1991 e claro que nos conduziu ao seu estilo ardente com todos nós "hey... hey... hey..." nos solos iniciais enquanto que Axl Rose girou o pedestal de seu microfone, depois atirou-o longe e cantou seus versos. Esta música não pode ser tirada do set list da banda e é atualmente é um desafio para o vocalista cantá-la, mas, ele soube equilibrar seus gritos sem destruir sua voz, conforme já enfatizei mais acima.

    Uma das minhas favoritas: Civil War, outra do Use Your Illusion II, que começa nos dedilhados de Slash e nos assovios de Axl Rose e que teve seus versos acompanhados pela plateia, que ajudaram ao vocalista a não prejudicar tanto sua voz nos agudos. No final de Civil War, Slash que novamente havia solado muito sua guitarra incluiu uns trechos de Vooodo Chile de Jimi Hendrix imortalizando ainda mais esta apresentação do Guns n' Roses.

    Saiba que teríamos uma homenagem ao Black Sabbath e em especial à Ozzy Osbourne no show do Guns n' Roses, pois, desde que eles estiveram no Back To Beginning estão sempre tocando uma música da lendária banda em seu repertório e esperava que fosse a Sabbath, Bloody Sabbath, mas, eles escolheram a Junior's Eyes do Never Say Die de 1978 e apesar da versão ter ficado muito boa, são nestas horas que você sente como o Black Sabbath está realmente no Olimpo do Heavy Metal, pois, não é fácil fazer o que Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward fizeram nesta e em tantas outras históricas músicas. 

    Antes da próxima, Axl Rose contou-nos que Ozzy e Sharon Osbourne não entenderam de que lugar da cabeça o Guns n' Roses inventou de tirar a Junior's Eyes no Back To Beginning e aí Slash com uma Gibson Double Neck dedilhou as notas de Only Women Bleed do Alice Cooper para depois entrar no sucesso Knockin' On Heaven's Door do Bob Dylan, que foi regravada no Use Your Illusion II e que tocou exacerbadamente nos anos 90 no Brasil, vale mencionar que esta música era também muito aguardada por muita gente.

    Ver Slash utilizando esta Gibson Double Neck ampliando seus solos, Alx Rose chamando o público para participar com ele e saudar Richard Fortus no decorrer da canção foi maravilhoso. Inclusive, os dois guitarristas fizeram um formoso duelo em seus muitos solos.

    "E agora tenho o prazer de recriar, reperformar, o primeiro Rock Star: Mr. Duff McKagan", foi assim que Axl Rose anunciou o companheiro de banda para que este trouxesse a sua versão de New Rose, um Punk Rock do The Damned gravado no The Spaghetti Incident? de 1993 para alegria de sua belíssima mulher ao ver seu marido cantando esta música para o estádio lotado, Punk Rock este que despertou a vontade de abrir uma roda, mas, impossível pela quantidade de pessoas no Allianz Parque, mas tudo bem... socamos o ar.

    Com Axl Rose de volta tivemos a Atlas, outras das recentes composições do Guns n' Roses, que é bem elaborada até que caiu bem no set e contou com mais outro belo solo na Gibson Les Paul de Slash. Axl Rose  apresentou a banda começando por Richard Fortus, depois Duff McKagan, Dizzy Reid, Isaac Carpenter e Slash foi deixado por último justamente para que enviasse o seu solo individual.

    E o homem da cartola e óculos escuros primeiro veio com um Blues raiz para depois encorpar os solos em uma evolução poderosa de riffs que culminaram em um dos mais conhecidos de todos os tempos, aquele da Sweet Child O' Mine, canção do Appetite For Destruction, que foi uma das responsáveis por alçar o Guns n' Roses ao sucesso e que trouxe Axl Rose de volta ao palco para cantar com a plateia seus versos. O vocalista agora vestia uma chamativa blusa cinza brilhante e vociferou muito bem a Sweet Child O' Mine e transformou o Allianz Parque em uma festa.

    Apesar de gostar da Sweet Child O' Mine e seus solos de guitarras, pirei mesmo com a minha favorita da carreira do Guns n' Roses, a Estranged, que chegou entre gritos de "Guns n' Roses... Guns n' Roses..." dos fãs que foram ao delírio também seja por conta dos vocais de Axl Rose ( muito bons nesta ) ou pelos solos de Slash com destaque também para Dizzy Reed no piano na hora em que seu instrumento torna-se essencial para a canção registrada no Use Your Illusion II. Nos telões as imagens submarinas fizeram nossas mentes viajar e em toda a música muitos cantaram com Axl Rose.

    Uma das grandes surpresas do Guns n' Roses neste Monsters Of Rock foi a inclusão do Hard Rock contido em Bad Apples do Use Your Illusion I, pois, esta composição não era tocada desde 1991, ou seja, uma exclusividade que poderemos contar para os outros que nós vimos...

    Depois da preciosidade exibida uma das mais esperadas por todos: November Rain com o piano de cauda preto colocado no centro do palco para Axl Rose tocá-lo e este cantou a música do User Your Illusion I para indiscutivelmente emocionar milhares e milhares de pessoas no Allianz Parque, que ligaram seus celulares gerando um momento ainda mais encantador, sendo que esta música passou um filme na cabeça de muitos que lembraram de quando viram o seu clipe estreando no Fantástico e foram brindados com um solo majestoso de Slash em sua Gibson Les Paul.

    Com o tempo necessário só para que o piano fosse retirado do palco, Axl Rose parecia que apertou a buzina do trem para que então recebêssemos a Nightrain e mais uma vez eles inflacionassem nossa adrenalina, que mesmo cansados por todos os shows que vimos, liberássemos uma reserva de energia para agitar com eles nesta sonzeira do Appetite For Destruction em que o Rock'n'Roll reinou aos solos de Slash.

    Como se fosse necessário, Axl Rose solicitou nossa ajuda para a última, mas, antes brincou com o baterista dizendo que se algo falhar.... a falha é de Isaac e nos fez gritar "Isaac Fauuult", e claro que atendemos. Desta maneira, o Guns n' Roses fechou esta apresentação com a bombástica Paradise City, que pela última vez no Monsters Of Rock de 2026 sacudiu o público no Allianz Parque com todos os seus solos de guitarras acelerados, que logo após, todos os membros foram ao palco para se despedirem de nós, após mais de duas horas e meia de grandioso espetáculo.

 

    Foi um baita show do Guns n' Roses em São Paulo sem as famosas baladas, com ênfase nos solos de guitarras, improvisos, com uma produção em termos pirotécnicos menor ( deixando os telões com suas imagens cuidarem disso ), com uma estratégia cuidadosa com a voz de Axl Rose, com tamanha dedicação da banda e que foi bem mais Hard Rock mesmo, com ênfase no Hard, pois foi mais pesado. Aliás, não é um exagero dizer que foi provavelmente a melhor apresentação do Guns n' Roses que assisti nestes anos todos e acredito que esta opinião seja compartilhada com muitos dos presentes no estádio.

    No ano que o Monsters Of Rock mesclou com perfeição o presente, o passado e o futuro do Rock pudemos analisar e confirmar que o Rock'n'Roll continua firme, forte e pronto para mais 70 anos agradando multidões pelo mundo, pois, vimos o futuro do Rock com o Jayler e o Dirty Honey, o presente com o Halestorm e o  passado com o Yngwie Malmsteen, o Extreme, o Lynyrd Skynyrd e o Guns n' Roses em outra reluzente edição do festival, que já deixou saudades.

    Aguardamos agora o anúncio da décima edição do festival pela Mercury Concerts, pois, não tenha dúvidas que as legiões de fãs de todo o país e de todas as idades enfrentarão novamente a maratona de Rock'n'Roll estampando um sorriso de alegria.

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: Ricardo Matsukawa, Guns n' Roses - Guns n' Roses e
Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos para a equipe da Catto Comunicação e da Mercury Concerts 
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Abril/2026

Set List do Guns n' Roses

1 - Welcome To The Jungle
2 - Slither
3 - It's So Easy
4 - Live and Let Die
5 - Mr. Brownstone
6 - Bad Obsession
7 - Rocket Queen
8 - Perhaps
9 - Dead Horse
10 - Double Talkin' Jive
11 - Nothin'
12 - You Could Be Mine
13 - Civil War
14 - Junior's Eyes
15 - Knockin' On Heaven's Door
16 - New Rose
17 - Atlas
18 - Solo de guitarra de Slash
19 - Sweet Child O' Mine
20 - Estranged
21 - Bad Apples
22 - November Rain
23 - Nightrain
24 - Paradise City

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