Masters Of Voices
Abertura: Velvet Chains e Threepsy
Estúdio Mirage Eventos - Limeira/SP
Domingo, 19 de julho de 2026

Dia de Final da Copa em que nós fãs do Rock e Heavy Metal fomos os campeões

    Na sexta feira, 09 de maio de 2025, o Estúdio Mirage Eventos em Limeira foi o palco da Double Trouble Brasil 2025, que trouxe a dupla Jeff Scott Soto e Eric Martin juntos pela primeira vez na cidade e ambos garantiram uma sensacional noite de Hard Rock ( confira aqui ). Menos de um mês depois, no dia 08 de junho foi a vez de Tim "Ripper" Owens também tocar no mesmo palco relembrando alguns de seus clássicos que fazem parte da história do Heavy Metal ( saiba como foi ). E bem Edu Falaschi já é um árduo frequentador da cidade seja como convidado ou em sua banda solo. E porque estou dizendo tudo isso?

    Bem... porque o projeto criado pelo empresário Paulo Baron da Top Link Music nomeado como Masters Of Voices reuniu esses quatro grandes e excelentes vocalistas em uma turnê sul-americana com onze datas no mês de julho, onde cada um deles revistaria algumas das principais músicas de sua carreira. E o Masters Of Voices aportou em Limeira no domingo dia 19 de julho de 2026 graças à Circle Of Infinity Produções, todavia, não era um domingo qualquer e eles não estavam sozinhos, pois, tínhamos como atrações de abertura o Velvet Chains e o Threepsy, além da superbanda de suporte aos quatro vocalistas ( porém, isso será assunto mais abaixo ).

    E por que não era um domingo qualquer como tantos no ano? Porque, 19 de julho de 2026 marcou o final da Copa do Mundo da Fifa entre Espanha e Argentina, um jogo truncado, tenso, nervoso, que não foram suficientes apenas os tradicionais 90 minutos mais os acréscimos do juiz para decidir o vencedor. Foram necessários também os 30 minutos da prorrogação para que a Espanha vencesse o jogo por apenas um a zero e assim conquistasse a sua segunda Copa do Mundo da Fifa.

    E porque estou ressaltando isso neste início de matéria? Porque foi o motivo que perdi o show da banda limeirense Threepsy e vi apenas uma parte do show da norte-americana de Las Vegas Velvet Chains. Ficará para outra oportunidade saber como Eric Oliveira, Leandro Lazzerini e Marcelo Batistella com em seu Rock'n'Roll de pegada crua fizeram ao vivo com o Threepsy no palco do Estúdio Mirage Eventos.

Velvet Chains

    Esse atraso causado pelo jogo da Espanha x Argentina fez que chegássemos no Estúdio Mirage Eventos por volta das 19:20 e como os shows realizados em Limeira sempre cumprem o horário previamente programado, consegui - como disse - ver apenas o trecho final da apresentação do Velvet Chains, que é atualmente formado por Chaz Terra nos vocais, Phillip Paulsen e Von Boldt nas guitarras e backing vocals, Nils Goldschmidt no baixo e backing vocals e Jason Hope na bateria. O Velvet Chains aproveitou esta turnê sul-americana para promover o recente How The Story Ends de 2026.

    Durante o show do Velvet Chains, o público ainda não havia comparecido no Estúdio Mirage Eventos, sinal que mais pessoas também assistiram a Final da Copa e só foram para lá próximo do horário do Masters Of Voices. Ainda assim, quem foi logo pode apreciar o set dos norte-americanos que começou com War e seguiu para Ghost In The Shell, ambas do How The Story Ends.

    Dead Inside, que abre o álbum de 2025 Last Rites foi a terceira e ainda deste primeiro disco de estúdio do Velvet Chains, eles tocaram a Stuck Against The Wall. O single Wasted seguido pela versão do quinteto de Suspicious Minds de Mark James, que ficou famoso na voz de Elvis Presley continuou o show. As novas "Wide Awake", "Hurt Me" e "Sin" do How The Story Ends também fizeram parte do set list do Velvet Chains.

    Acompanhei detalhadamente a Dead In The Head, que também é pertencente ao novo álbum da banda e  notei a pegada de Metal Moderno do quinteto, onde os vocais um tanto dramáticos conectados à riffs encorpados de guitarras ditam o caminho da música.

    Notadamente contente pelo show em Limeira, o vocalista Chaz Terra agradeceu aos presentes e disparou com os demais a bordoada contida How The Story Ends, que enalteceu ainda mais essa linhagem melódica de vocais emocionados do Velvet Chains, que resultaram em "hey... hey... hey..." dos fãs e finalizaram o show, não antes de mais agradecimentos do vocalista e a foto com os fãs de fundo.

    Que o Velvet Chains volte a aparecer no Brasil novamente e em Limeira para que possamos assistir sua apresentação completa, pois, a banda demonstrou que possui a atitude necessária mesmo sendo formada em 2022.

Set List do Velvet Chains

1 - War
2 - Ghost In The Shell
3 - Dead Inside
4 - Stuck Against The Wall
5 - Wasted
6 - Suspicious Minds
7 - Wide Awake
8 - Hurt Me
9 - Sins
10 - Dead In The Head
11 - How The Story Ends

 

Masters Of Voices

    Até parecia que não seria um domingo com um grande público em Limeira, mas, a verdade é que a grande maioria aguardou mesmo o término do jogo da Copa do Mundo, e convenhamos, a oportunidade de ver ao vivo Tim "Ripper" Owens ( KK's Priest, ex-Judas Priest e ex-Iced Earth ), Jeff Scott Soto ( Talisman, ex-Journey, ex-Yngwie Malmsteen e vários outros ), Eric Martin ( Mr. Big ) e Edu Falaschi ( ex-Angra, ex-Symbols, ex-Almah ) - alguns dos melhores vocalistas de todos os tempos e de diferentes eras do Rock e Heavy Metal no interior paulista - é basicamente uma raridade que não podemos dar o luxo de perder.

Edu Falaschi

    Às 20:10, a superbanda do Masters Of Voices foi para o palco ( chegou a hora de falar deles ) e tínhamos os experientes e habilidosos guitarristas Marcelo Barbosa ( Angra e ex-Almah ) e Leo Mancini ( Tempestt e ex-Shaman ) aliados aos especialistas em seus instrumentos Felipe Andreoli ( Angra ) no baixo e Edu Cominato ( Mr. Big, SOTO e Spektra ), que logo após ocuparem seus postos no palco recepcionaram o primeiro vocalista da noite: Edu Falaschi.

    Exalando um alto astral enorme, retrato de sua grande fase pessoal explanada através de seus três últimos álbuns solo lançados nos últimos anos ( o mais recente Mi'raj saiu agora em junho ) e a reunião especial com o Angral; Edu Falaschi aproveitou para enfatizar sua mais importante banda da carreira relembrando das músicas gravadas em sua fase e já iniciou o show com a imponente Acid Rain, um verdadeiro clássico do Metal Melódico Mundial, que acompanhada pelo baixista Felipe Andreoli, que a registrou em estúdio no disco Nova Era de 2001 deu um toque ainda mais nostálgico para nós todos que conhecemos o álbum desde seu lançamento. E claro, que empolgamos e reagimos agitando com músicos no palco, especialmente, nos solos de Marcelo Barbosa e Leo Mancini nas guitarras.

    Totalmente à vontade no palco, sorridente e muito aplaudido, Edu Falaschi continuou seu set com outra do álbum Nova Era com a Millennium Sun, que começou mais lenta, emocionou e nos conquistou com a atuação compenetrada do vocalista até o seu lado Melódico e Heavy Metal ficar em evidência e colocar assim todos para participarem com os "hey... hey... hey..." e muitas palmas.

    Depois destas duas músicas que transbordaram energia, o simpático Edu Falaschi nos perguntou se estamos bem, comentou da honra que é fazer parte do Masters Of Voices com os outros três grandes vocalistas e acalmou um pouco com a balada Bleeding Heart, que foi registrada no EP Hunters and Prey de 2002 e que contou com um enorme coro dos presentes no Estúdio Mirage Eventos que cantaram a pleno pulmões o seu refrão com ele sentindo a paz vinda da melodia extraída pelos demais músicos.

    Aos gritos de "Edu... Edu... Edu...", os fãs saudaram o músico e obtiveram em troca a Waiting Silence do Temple Of Shadows de 2004 e passados tantos anos, você sente como esse disco foi emblemático para o Angra e para todos nós, pois, acompanhamos felizes os seus versos, observamos Felipe Andreoli dedilhar seu baixo, admiramos os seus solos de guitarras feitos por Marcelo Barbosa e Leo Mancini e também vimos os vigorosos toques de Edu Cominato na sua bateria.

    O vocalista nos contou que voltaria no tempo e executou a belíssima Rebirth do Nova Era, que logo em suas primeiras notas, o coro novamente se formou durante os "ôôôôôôô" e os fãs estes seguiram nos versos com ele resultando em uma sinergia banda e plateia simplesmente esplêndida, isso durou até que os seus solos de guitarras estourassem e desviassem o nosso olhar para Marcelo Barbosa e Leo Mancini.

    Entre gritos de "Nova Era....Nova Era...." e "Edu... Edu... Edu..." tivemos outra balada do disco de estreia de Edu Falaschi no Angra com a marcante Heroes Of Sand, que - obviamente - cantamos novamente com ele. Depois do primeiro golaço marcado com esta apresentação, que foi muito aclamada pelos fãs, Edu Falaschi colocou a bola no meio do campo, conversou conosco e fez a introdução do segundo vocalista da noite dizendo "o grande mestre, the legend Eric Martin!!!".

Eric Martin

    E o vocalista do Mr. Big entrou em cena, agradeceu o brasileiro e com a banda enviando um ritmo Hard Rock explodindo eletricidade, Eric Martin nos brindou com a empolgante canção de abertura do álbum Lean Into It de 1991, a Daddy, Brother, Lover, Little Boy ( The Electric Drill Song ), onde novamente liberamos nossos vocais seguindo o vocalista e sentimos toda a magia contida em seus solos de guitarras criados por Paul Gilbert.

    Dá para dizer que foi um princípio fulminante do show de Eric Martin, que veio ao palco com uma camisa do Justiceiro - personagem da Marvel Comics - e uma jaqueta preta. Com o domínio de palco que possui, ele seguiu com a positiva Take Cover gravada no Hey Man de 1996, que passa uma harmonia grandiosa e é permeada com brilhantes solos de guitarras.

    Eric Martin movimentou-se pelo palco, teve seu nome berrado pelos fãs e com um violão nas mãos, ele dedilhou um brevíssimo trecho de Stairway To Heaven do Led Zeppelin, falou com a plateia mostrando muito bom humor até relembrar de Wild World, o cover feito pelo Mr. Big da música de Cat Stevens no disco Bump Ahead em 1993, que impactou gerações nos anos 90 e repetiu o feito nesta noite em Limeira. Inteligente que é... Eric Martin em alguns instantes parou a música e deixou apenas que nós cantássemos seus versos à capela em outro momento devidamente ímpar do show.

    Logo após uma nova conversa conosco, o vocalista recriou a canção de abertura do Bump Ahead com a pesada Colorado Bulldog e versão que Leo Mancini, Marcelo Barbosa, Edu Cominato e Felipe Andreoli nos entregaram honraram as tradições estabelecidas pelo Mr. Big em seus shows.

    Comunicativo, o vocalista volta a falar com a plateia portando um violão e novamente viajando nas cordas do instrumento, ele basicamente coloca a casa abaixo com a balada que encerra o Lean Into It e que se tornou um imenso sucesso do Mr. Big, a sing-along-song To Be With You, que outra vez formou-se aquele coro por todos os lados do Estúdio Mirage Eventos.

    Os solos de Leo Mancini e Marcelo Barbosa em suas guitarras junto aos toques precisos de Felipe Andreoli no baixo seguro pelo andamento certeiro de Edu Cominato na bateria reproduzindo o ritmo acelerado de Addicted To That Rush.

    A canção gravada pelos magníficos companheiros de Eric Martin no Mr. Big e que abre o álbum autointitulado do quarteto configuraram-se nesta noite com a superbanda de apoio em um momento do mais puro Hard Rock em que a técnica esbanjada nos levou à uma verdadeira explosão de alegria.

    Queríamos mais.... e teríamos... pois... os prolongamentos feitos por eles seguidos por palmas da plateia serviram para que Eric Martin, após o gol de placa que foi o seu show, chamasse o próximo vocalista da noite, o nova-iorquino Jeff Scott Soto.

Jeff Scott Stoto

    Pelo fato de Jeff Scott Soto já ter passado em muitas bandas, o seu set list seria o mais diversificado e ele chegou no palco de óculos de lentes avermelhadas, luvas também vermelhas que refletiam a luz ( mas parecia que emitiam uma luz branca ), camisa vermelha combinando com o seu visual e um microfone de adereços vermelhos, enfim... bem Glam como seu estilo de ser... é.

    Sua primeira música foi uma do W.E.T. com a One Love, que faz parte do primeiro disco da banda sueca lançado em 2009 e que foi muito bem recebida pela galera, que estava devidamente ligada no som e cantou com ele.

    Para lembrar de quando foi integrante do Journey, Jeff Scott Soto escolheu a conhecidíssima Separate Ways ( Worlds Apart ), sucesso do álbum Frontiers de 1983, que contou outra vez com o coro de fãs presentes no Estúdio Mirage Eventos. E por mais versões que você já tenha assistido nos shows que vamos das bandas covers pela noite executando esta canção, assistir com um supergrupo como este do Masters Of Voices disparando sua versão é realmente algo especial.

    Entre gritos de "Soto... Soto... Soto...", o vocalista com sua presença de palco gigante executou então a I'll Be Waiting convocando os fãs nos "ôôôôôô". Todavia, o palco ficou pequeno para ele... e o carismático Jeff Scott Soto foi inflamar a galera lá na pista nestes "ôôôôôôôôôôôôô" e nos vários "hey... hey...,hey...", algo totalmente inesperado e inusitado, que deixou esta apresentação ainda mais única e incrível.

    E claro, que após uma interação assim... reproduzir o refrão desta música do primeiro disco do Talisman de 1990 se tornou uma 'tarefa' facílima. Aliás... foi o que fizemos, totalmente afiados e tenho certeza que o vocalista ficou muito contente com a nossa atuação. Ele inclusive incrustou um trecho de Livin' On a Prayer do Bon Jovi na canção antes de finalizá-la naquele Hard Rock característico cheio de solos nas últimas notas.

    Aliás, esses riffs se ligaram à um medley de quando Jeff Scott Soto foi vocalista da banda de Yngwie Malmsteen começando com I Am a Viking e seguindo pela icônica I'll See The Light Tonight e aí vemos até onde o potencial da sua voz pode chegar entre solos frenéticos dos guitarristas emulando o virtuoso e temperamental músico sueco. Em tempo, ambas as canções pertencem ao segundo álbum de estúdio de Yngwie Malmsteen, o Marching Out de 1985 e um dos melhores de sua extensa discografia.

   Dá para dizer que I'll See The Light Tonight quase foi o ponto alto do show de Jeff Scott Soto, e digo quase porque o que veio em seguida foi uma lembrança de encher os olhos de lágrimas, pois, ele nos lembrou que há um ano atrás, no mês de julho tivemos o Back To Beginning e poucos dias depois a partida de Ozzy Osbourne. Assim, Jeff Scott Soto trouxe para nós uma reluzente versão de Mama, I'm Coming Home da carreira solo do Madman, que foi composta para o No More Tears de 1991. 

    Este momento de reflexão proposto pelo norte-americano, que evidentemente sensibilizou a todos ao lembrar do legado e do que Ozzy Osbourne significou para o Rock e o Heavy Metal ficou explícito aos gritos de "Ozzy... Ozzy... Ozzy..." e foram interrompidos por um "Du caralho..." do comovido Jeff Scott Soto, que em seguida apresentou o guitarrista Marcelo Barbosa, depois o outro guitarrista Leo Mancini, seguiu para o baixista Felipe Andreoli e por fim, o baterista Edu Cominato, sempre elogiando bastante todos eles, que tiveram seus nomes bradados e aplaudidos pela plateia.

   Então, o vocalista seguiu para a Coming Home, canção mais voltada ao Prog Metal, que Jeff Scott Soto gravou na banda Sons Of Apollo ao lado de nomes como Ron "Bumblefoot" Thal, Billy Sheehan, Derek Sherinian e Mike Portnoy.

    E a versão de Coming Home desta noite em Limeira não só garantiu muita voltagem em cada presente como também foi alongada por Jeff Scott Soto, que brincou conosco ao solicitar a nossa participação em versos adicionais como "eiiii motherfucker..." e "ééé duuu caraaalho...", até seguir por partes 'desplugado' apenas no 'gogó' e deixando explícito o longo alcance de sua voz.

    Jeff Scott Soto resolveu passear por alguns clássicos monstruosos do Rock ao evocar o refrão de We're Gonna Take It do Twisted Sister e I Love Loud do KISS, para então terminar sua participação individual no Masters Of Voices com a pedida Stand Up, que pertence à banda fictícia Steel Dragon e foi composta para o filme Rock Star em que ele colaborou com sua trilha sonora.

    E esta robusta música, que foi muito bem exibida por ele e pela banda produziu um link com o próximo vocalista que tivemos no Estúdio Mirage Eventos. Com uma voz a la Darth Vader ( graças ao seu modulador de voz ) entre muitos risos, Jeff Scott Soto - sabedor do 'gol olímpico' que fez em Limeira neste domingo - convidou Tim "Ripper" Owens para no último show da noite.

 

Tim "Ripper" Owens

    Disse que Stand Up produziu um link, porque conta a história de um cantor de uma banda cover que foi convidado para liderar sua banda favorita, fato que ocorreu na vida real com Tim "Ripper" Owens ao entrar no Judas Priest.

    E o norte-americano que é uma lenda do Heavy Metal e que sempre está no Brasil para nos propiciar grandes shows foi para o palco com seu boné, seus óculos escuros, seu colete de couro e sua camiseta do Masters Of Voices ao som de The Hellion, dica mais que dada que o set começaria com uma paulada que pertence ao 'hall' das melhores compostas pelo Judas Priest, pois, The Hellion é predecessora de Electric Eye e recebemos seus fulminantes riffs de guitarras sentindo todo o poder contido neles, além do dinamismo de sua voz ao cantar este hino do Metal gravado no Screaming For Vengeance de 1982.

    Pois é, assim como no ano passado, Tim "Ripper" Owens veio para cima mesmo e foi saudado por nós com uma 'avalanche' de berros de "Ripper... Ripper... Ripper..." e em troca nos deu o clima sombrio de Burn In Hell,  sendo que esta sonzeira exibida perfeitamente pela banda e tão pesada quanto sua gravação no álbum Jugulator de 1997 me leva a exclamar: "como faz bem curtir ao vivo uma música como esta diante de seu vocalista original!!!".

    Só quem assistiu Tim "Ripper" Owens em uma de suas visitas no Brasil pode comparar a intensidade da experiência tivemos nesta noite e para superá-la... aí... apenas quem esteve na Demolition World Tour do Judas Priest em 2001.

    Depois desta matadora Burn In Hell reagimos aos gritos de "Ripper... Ripper... Ripper...", que foram interrompidos por uma saudação do vocalista para a plateia e logo depois o desejo da maioria foi atendido logo na terceira do set de Tim "Ripper" Owens, que vale dizer.... ele mantém seus agudos em níveis máximos, assim como sua atitude no palco... seja andando, socando o ar ou se entregando de corpo e alma para o Heavy Metal.

    O pedido em uníssono era de Painkiller, que foi apresentada com sua tradicional fúria incontestável e que aprendemos a amar desde quando ouvimos o álbum de mesmo nome lançado em 1990 pelo Judas Priest. Nos solos de guitarras, Marcelo Barbosa e Leo Mancini tocaram fielmente ao legado de Glenn Tripton e K. K. Downing enquanto que Edu Cominato tocou com muita destreza seu kit de bateria tal como Scott Travis ainda faz.

    Outra dos tempos áureos do Judas Priest, que é antes da entrada de Tim "Ripper" Owens na banda, que está entre os estandartes do Heavy Metal e que foi tocada nesta noite foi a Breaking The Law do British Steel de 1980, que sempre que assistimos ao vivo é garantia de adrenalina na veia em doses ilimitadas e o vocalista nos brindou com outra versão esplêndida da música.

    Para quem pensou que o set de Tim "Ripper" Owens seria centrado no Judas Priest teve uma surpresa, pois, após uma conversa com os fãs, os famosos toques de guitarras de Highway To Hell eclodiram pelo Estúdio Mirage Eventos e ele com seu vozeirão e muita garra colocou a plateia para cantar sua letra, pular e socar o ar.

    E a surpresa continuou na última do show de Tim "Ripper" Owens, pois, ele e a superbanda do Masters Of Voices mandaram uma das músicas de Heavy Metal que mais gosto e que é uma das responsáveis por ser um fã de Heavy Metal... aos "ôôôôôôôôôôôô" - após os fãs ao identificarem sua melodia única através do dedilhado no baixo de Felipe Andreoli - foi a vez de Heaven and Hell. E os fortificados vocais Tim "Ripper" Owens produziram uma versão memorável da canção título do álbum do Black Sabbath de 1980, que agitei e cantei freneticamente em cada segundo.

   Nem é preciso dizer que nos momentos que olhei para os lados, notei que os demais cantaram com toda a força de seus pulmões, ergueram seus punhos para o alto com o 'horns up' e pularam consideravelmente ( até umas rodas tiveram também ) durante este Heavy Metal totalmente imortal, sendo que Heaven and Hell é uma grande homenagem de Tim "Ripper" Owens à sua maior influência musical, o saudoso vocalista do Black Sabbath, o extraordinário Ronnie James Dio. Devo dizer que Tim "Ripper" Owens cravou mais um gol de letra no Estúdio Mirage Eventos? Pois, bem... sim... ele cravou!!!

Final magnífico

    Era o fim? Claro que não.... o quarteto fantástico do Masters Of Voices tinha um coringa na manga, pois, Tim "Ripper" Owens disse que teríamos mais uma última canção e enquanto Edu Cominato segurava o ritmo na bateria, os outros três vocalistas foram chamados para retornarem no palco, e assim, Edu Falaschi, Eric Martin e Jeff Scott Soto juntaram-se a ele para uma versão completamente festiva e divertida de Living After Midnight.

    Desta maneira, cada um deles cantou um trecho desta composição do British Steel do Judas Priest ganhando muitas palmas de todos com direito para que nós cantássemos o refrão com o quarteto de vocalistas.

    Domingo de final de Copa do Mundo em que os fãs que estiveram no Estúdio Mirage Eventos podem se considerar e como campeões e participantes uma goleada histórica ao apreciar os admiráveis shows de Edu Falaschi, Eric Martin, Jeff Scott Soto e Tim "Ripper" Owens em mais de duas horas e meia dedicadas à tantos sucessos do Rock, Hard Rock e Heavy Metal. Mais uma vez, parabéns Circle Of Infinity Produções por mais um espetáculo desta grandeza no interior paulista.

Texto e fotos: Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à equipe da Circle Of Infinity Produções
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Agosto/2026

Set List do Edu Falaschi

1 - Acid Rain
2 - Millennium Sun
3 - Bleeding Heart
4 - Waiting Silence
5 - Rebirth
6 - Heroes Of Sand

Set List do Eric Martin

7 - Daddy, Brother, Lover, Little Boy ( The Electric Drill Song )
8 - Take Cover
9 - Wild World
10 - Colorado Bulldog
11 - To Be With You
12 - Addicted To That Rush

Set List do Jeff Scott Soto

13 - One Love
14 - Separate Ways ( Worlds Apart )
15 - I'll Be Waiting
16  - I Am a Viking / I'll See The Light Tonight
17 - Mama, I'm Coming Home
18 - Coming Home
19 - Stand Up

Set List do Tim Ripper Owens

20 - The Hellion / Electric Eye
21 - Burn In Hell
22 - Painkiller
23 - Breaking The Law
24 - Highway To Hell
25 - Heaven and Hell

Masters Of Voices
26 - Living After Midnight

Galeria de 103 fotos dos shows do Masters Of Voices e do Velvet Chains
no Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP

Voltar para Shows