Dia do
Tiradentes, o segundo feriadão seguido do mês de abril e desta vez com
uma formidável atração para curtimos em São Paulo. Uma não...quatro!!!
E
assim saímos rumo a capital paulista para curtir a noite dedicada ao heavy
metal.
Chegamos na Via Funchal bem na hora que era destinada
ao credenciamento de imprensa, horário que as portas já estavam abertas e os
fãs já estavam entrando na casa. Realizamos o nosso credenciamento com a
Miriam, e já registro aqui os nossos agradecimentos para ela pela
pronta atenção. Devidamente
credenciados, tivemos tempo de tomar uma cerveja e comer um hot-dog nas
proximidades para então adentramos uma das mais charmosas casas de
shows da cidade capital do heavy metal.
Scars
Marcado para
começar as 19:00hs, tivemos um pequeno atraso e às 20:00hs, a excelente
banda paulistana de thrash metal Scars, em em turnê de
divulgação do seu excelente trabalho The Nether Hell, entra no
palco. Tinha lido que o Scars se preocupa em ter uma excelente
estrutura nos shows, comprovei isso ao ver ao gigante pano de fundo da
banda, iluminação vermelha, além de executar suas canções com muito
comprometimento ao tema do Inferno de Dante.
O set do Scars foi aberto com Creatures That Come
Alive In The Dark e provocou uma intensa participação da galera, talvez maior que
o esperado. O vocalista Regis F. andava para todos os lados do palco
e mostrou que é dotado de uma ótima voz. Eles souberam comandar o público, fizeram a
abertura digna de uma banda grande e se seguirem o caminho assim, fortes
como estão, terão grandes chances de se firmarem cada vez mais no
concorrido mercado do heavy metal brasileiro de alta qualidade.
 |
Sabe aquele thrash metal oitentista bem feito? - então, é isso
que o público( ainda em número pequeno
) presente na Via Funchal curtiu. A segunda deste início de noite
foi Warfare e deu para
perceber que Régis F. mostra uma grande postura de palco interagindo
bastante com o público. E com uma competente dupla de guitarristas Alex
Zeraib e Eduardo Boccomino executando ótimos solos, fica mais fácil ele se
soltar nos vocais.
|
Regis F. mostrou que estava notadamente se divertindo e passando muita alegria por estar
tocando no mesmo palco que o Destruction e, também por ver uma bela
quantidade de pessoas presentes agitando bastante a cada música. Coisa que
não foi diferente quando tocaram Return To The Killing Ground e
The Nether Hell, momentos que eles conclamam os headbangers presentes a
sacudirem os seus pescoços e a entrarem nas rodas, sendo atendidos pela
comunidade do metal que estavam lá.
Outras músicas tocadas pelo Scars foram Hidden
Roots Of Evil, Legions, World Decay e um cover de Hell
Awaits do Slayer, mostrando que todos os anos que o Scars
já percorreu no underground lhes deu o gabarito para o estrelato ( afinal, eles já estão na batalha desde desde 1994 ). E toda banda de thrash metal que se preze tem que
ter uma
bela cozinha que no caso do Scars é composta por André Sterzza ( baixo
) e Alex Nasser ( bateria ). Finalizando os seus poucos
mais de 45 minutos de seu show, eles jogam alguns cd´s para o público que
gritou várias vezes o nome da banda, realmente um show de abertura marcante.
Atrocity
Um rápido intervalo
é feito para que os alemães do Atrocity subam no palco por volta das
21:00hs. Antes dos músicos, somos brindados com a canção tema do filme
Conan, O Bárbaro, composta por Basil Poledouris, confesso
que só esse fato já estava me fazendo crer que o Atrocity faria um
grande show. O vocalista Alexander Krull com suas longas cabeleiras
de dar inveja a muitas pessoas é acompanhado de Mathias Röderer
e Thorsten Bauer ( guitarras ), Christian Lukhaup (
baixo ) e Martin Schmidt ( bateria ).
O Atrocity
sobe no palco da Via Funchal mandando Reich Of Phenomena, com
uma postura mais death metal com muita blasfêmias, coisa que não empolgou o
público da
forma que a banda desejava e eles foram ao longo do show mudando a essa
postura inicial. Em seguida tocaram God Of Nations, Enigma e
Clash Of The Titans que posso destacar os solos na guitarra flyng V de
Mathias Röderer e as intervenções vocálicas de Liv Cristine que
agitava bastante a platéia a cada entrada no palco.
The Great Commandment foi outra canção tocada e
agradou bastante o público que estava mais próximo ao palco. Fui conhecendo
o som do Atrocity no show e vi que eles são bons, mesmo já tendo
um belo tempo de estrada e estarem divulgando o seu décimo álbum de estúdio
Atlantis ( lançado no Brasil pela Hellion Records
), que era o pano de fundo do show, ainda falta aquela coisa, aquele riff,
bem, enfim, eles fazem um bom show, porém sua postura inicial complicou o
andamento do show.
|
 |
Mas ainda assim eles
tiveram bons momentos como em Seasons In
Black ( com versos em alemão ), Blut e Apocalypse
que encerra o show. Para o bis, tivemos
a canção
Cold Black Days e o inusitado ( e totalmente inesperado pelos
presentes ) cover de Shout do Tears For
Fears, confesso que não acreditei estar ouvindo essa música pop no show
de uma banda dita death. Claro que isso não tem nada a ver, mas... sinceramente
essa música me causou uma surpresa estranha. Vale lembrar que a banda esteve bem
empolgada durante o set e nesta música Liv que também estava no palco,
divide os vocais com o "maridão" nesta música. O Death Metal Melódico
investido pela banda não é nem tão death metal e nem tão melódico assim,
mas agrada bastante os fãs do Atrocity, embora todos sabíamos que o melhor ainda estava por vir.
Leaves Eyes
Passados pouco
menos de 20 minutos da saída dos músicos do Atrocity, temos o início
do show da banda de Liv Cristine ( ex-Threatre Of Tragedy
). Porém, um detalhe tem de ser mencionado, tanto o Atrocity
quanto o Leaves Eyes possuem a mesma formação, alternando-se apenas o
nome do vocalista principal. E, diga-se de passagem Liv entra trajada conforme a
capa do cd Vinland Saga, num espartilho bem sexy, que deixa a
loira alemã ainda mais bonita. Como o assunto aqui não é moda, vamos ao
show.
O Leaves Eyes começa
seu show com Norwegian Lovesong e
nós somos brindados com a suave voz de Liv e temos nossos ouvidos
encantados e docemente preparados para o massacre sonoro de logo mais à noite. O ótimo show de Liv Cristine e seus amigos do
Atrocity prossegue com Farewell Proud Men do cd Lovelorn, para
completa alegria dos fãs e
Ocean´s Way ( do disco Vinland Saga ) - que conta com
um belo peso de guitarras e a participação de Alexandre Krull fazendo
os guturais da música no melhor gothic metal.
 |
Nitidamente
emocionada, Liv agradece ao público e aos fãs da banda ao final de
cada canção tocada na noite. O público ficou atirando camisinhas infladas
como balões perto de Liv, que a todo momento as jogava para
longe dela ( um mal costume até que comum em shows, mas convenhamos, não
tem graça... ). Outra canção apresentada em seguida foi Into Your
Light ( do Lovelorn ) que teve uma interessante climatização no começo que agradou bastante os fãs mais afoitos da musa
loura e serviu para criar um ótimo momento do show.
|
The Thorn ( Vinland Saga ) que novamente
conta com os vocais urrados de Alexander mesclados com a doce voz de Liv foi a música tocada em seguida.
Outra
do novo disco é a bela balada que intitula a banda ( Leaves´Eyes )
marcando outro belo momento do set. Mais uma que os fãs gostam bastante é Temptation
( do álbum Lovelorn ) que mostra uma dramaticidade na
voz de Liv Cristine e novamente conta com a participação de
Alexander fazendo os guturais.
Nesse ínterim, muitos dos fãs do Destruction já
desejavam que o show do Leaves Eyes acabasse logo para que eles
pudessem então conferir um dos maiores eventos do ano até aqui ( bem, o show do
Destruction foi realmente matador, como vocês poderão ler mais abaixo ). Liv
anuncia um presente para os fãs brasileiros, diz que estaria tocando
pela primeira vez o single Mot Fjerne Land que é um belo momento do
show ( presente no single Elegy ).
Para encerrar
o set tivemos Solemn Sea do novo trabalho da banda, para o delírio
completo da galera
gótica presente na Via Funchal. Elegy, presente no álbum
Vinland Saga é a excelente canção que é tocada no bis e nota-se
que é uma música bem conhecida da galera ( possivelmente por causa
do clipe ), deixando a massa toda contente, os fãs do Leaves Eyes,
por terem curtido mais uma bela canção da banda, já os fãs do Destruction
porque sabiam que a atração mais esperada por eles estava prestes a
começar o seu show.
E o show do
Leaves Eyes acaba por volta de
pouco mais de 23:10. Pronto!!! Acaba a hora do som para os mais jovens, agora chega a
hora da pancadaria desenfreada de alta qualidade de um show que com certeza
abalou todas as estruturas da Via Funchal, estou falando do.....
Destruction
... E os
headbangers presentes já ficam todos ouriçados apenas ao ver a grande bandeira com o nome da banda,
que esteve em turnê pelo Brasil divulgando o seu mais novo trabalho, Inventor Of Evil.
O Destruction cumpre uma promessa feita durante o show no Live'N'Louder
em outubro de 2005 ( veja como
foi ), de voltar para uma turnê mais extensa e realizar um show só deles
mostrando mais de duas décadas dedicadas ao mais puro thrash metal.
A platéia, que foi aumentando no decorrer dos shows de
abertura estava agora com um número bem notável de presentes e
provavelmente com mais de 3.000 pessoas estavam na casa. Mais uma vez
tivemos uma excelente agilidade dos roadies que deixaram o palco rapidamente
montado em questão de poucos minutos e a pouco mais das 23:30, o maior
massacre sonoro de alta qualidade do ano ( até aqui pelo menos ) tem
o seu início.
Schmier ( vocais/baixo ), Mike Sifringer (
guitarras ) e Marc Reign ( bateria ) subiram no palco
após uma rápida introdução instrumental e mostraram com Soul Colector
porque eles voltaram quebrando tudo com o álbum Inventor Of Evil
- mostrando que a pegada thrash metal da banda está ainda melhor.
A
'palestra de como se deve fazer heavy metal de alta qualidade' prossegue
com a clássica
Mad Butcher ( do álbum Sentenced Of Death ), onde vemos
que o tempo está passando sim, mas para pessoas curtidas no thrash como
o
Destruction isso não é nada. Claro que muitas rodas explodem
por toda a Via Funchal, mas sinceramente, esperava que insanidade
dessas rodas fossem maior. Talvez a galera estivesse cansada ou
queria conferir a performance dos músicos que estão em grande fase. O
que o baixinho Mike Sifringer obtém de sua guitarra em cada solo
é algo realmente descomunal.
|
 |
Com palhetadas no baixo
Schmier vai comandando o show com
perfeição e em seguida temos a clássica e pesadaça Nailed To The Cross (
do
disco The Antichrist ) fazendo nós banguearmos bastante a cada momento
e claro, todos gritam o refrão com Schmier. A porradaria segue com
Unconscious Ruins ( do Release From Agony ) e The Defiance Will Remain
- que
é uma das mais pesadas do disco novo.
E tocam então um medley contendo The Ritual, Antichrist ( ambas
de Infernal Overkill ) que são dois momentos marcantes do show e
em Antichrist, foi a hora de uma intensa empolgação do público que
adorou a porradaria alemã. A terceira deste medley foi Release From Agony
( do álbum homônimo ), que continua a promover a demolição total da
Via Funchal na extrema técnica dos três alemães. O pequeno polegar da
banda, o guitarrista Mike Sifringer, faz solos em sua guitarra que
marcam na memória pela precisão e velocidade demonstrada por ele.
Um novo hino do Destruction apresentado foi Thrash Till Death
( do álbum The Antichrist ), uma música que Schmier
grita a plenos pulmões
e comprova a teoria que temos aqui no Rock On Stage,
que o rock´n´roll é a fórmula da juventude afinal, depois de tanto tempo gritar dessa forma tem que
se sentir bem e jovem mesmo. Nem preciso dizer que foi um momento de
empolgação total por toda a Via Funchal, não é mesmo ?
O melhor show desta noite prossegue com
Eternal Ban do álbum Eternal Devastation,
que marca pelos solos de
guitarras que alternam velocidade e cadência lembrando uma artilharia
antiaérea em ação e tudo isso feito apenas por Mike Sifringer!!! - em
mais uma outra
espetacular canção para banguear bastante.
Brincando com a eterna rivalidade entre brasileiros e
argentinos, Schmier diz que é ótimo estar na Argentina. Claro que
a platéia entendeu, mas reclamou bastante com ele. E continuando as
brincadeiras, ele disse também que a Alemanha irá chegar na final da copa e
ganhar do Brasil, coisa que levando em conta o time do Brasil.... bem... ele
está enganado, o futebol brasileiro tem mais craques que os alemães. Como o assunto aqui não é
futebol....e sim metal... Schmier diz também que já toca no Brasil desde
1989 e se sente em casa quando toca em nosso país.
 |
Na cadenciada
Life Without A Sense também do álbum Eternal
Devastation, Marc mostra todo o feeling e toda a técnica necessários a um
baterista de thrash metal e o cara é dotado de uma velocidade espantosa.
Mike também realiza solos de guitarra marcantes e a cada nota tirada
vem Schmier
detonando tudo com sua impecável e agressiva voz.
Eles andam de um lado para outro do palco, mostrando uma
energia contagiante e o set segue com mais três do álbum Infernal
Overkill, agora com Tormentor, um baita thrashão cru de
primeira para agitar bastante mesmo, depois a excelente pancaradaria
instrumental Thrash Attack, que mostra que o power trio tem muita
força para queimar ainda - muito bom para nós todos fãs de thrash
metal....
|
E vendo com o público qual música seria a seguinte,
Schmier oferece duas opções atendendo os pedidos dos fãs. A escolhida acabou sendo
a matadora Death Trap ( que teve mais gritos dos fãs e a terceira na
seqüência do Infernal Overkill ) e com a velocidade deste outro clássico do
thrash metal teríamos novamente o massacre sonoro de alta qualidade em
nossos ouvidos, e claro, todos os fãs ficaram felizes ao ter o seu desejo
atendido.
A massacrante Desecrators Of The New Age do disco Metal
Discharge prossegue com a aula promovida pela 'usina de força metálica
alemã´ com magistral técnica de apenas três mestres do metal. Depois tivemos
Invincible Force ( do Infernal Overkill ) com destaque para a velocidade da
guitarra de Mike e Curse The Gods ( Eternal Devastation
) com seu início
mais leve que se torna extremamente pesado e cadenciado em poucos momentos.
E
assim Schmier nos mostra novamente a agressividade de sua voz nesta
canção matadora. Enfim temos duas músicas
que são para abrir as rodas e banguear até o pescoço começar a doer. E é o
que a maioria dos fãs fazem na pista.
|
 |
Outro petardo do novo disco Inventor Of Evil é
The Alliance Of Hellhoundz ( que no disco conta com a participação de grandes nomes como
Shagrath - Dimmu Borgir , Doro Pesch - ex-Warlock,
Paul Di'Anno ex-Iron
Maiden, Biff Byford - Saxon, só para citar alguns ), possivelmente um
futuro candidato a hino do heavy metal que eles nos mostraram nesta noite e claro, todos os
fãs adoraram. Quando chega a vez de Bestial Invasion ( Infernal Overkill
), Schmier volta a falar de futebol e reconhece o real poderio do time brasileiro.
Essa música finaliza o show do Destruction.
 |
Mas é claro,
ainda
faltava o bis e, com todos gritando
Destruction,
eles voltam para o palco e executam um bis com mais duas excelentes pancadas:
The Butcher Strikes Back ( do disco All Hell Breaks Loose
) - uma canção que
empolga bastante e a ( perdoe o trocadilho ) destruidora e clássica Total Disaster do primeiro
disco da banda Senteced Of Death. Isso resultou num resposta
imensa dos fãs, que abriram uma roda
monstruosa para se despedirem do show dos alemães, que realmente quebraram tudo
na Via Funchal. E assim o 'dínamo de pura força thrash metal'
encerra a sua perfeita
apresentação na Via Funchal, que sinceramente foi um dos melhores shows de
heavy metal que pude acompanhar ao longo destes anos todos.
|
Um pequeno resumo geral da noite: Scars fez uma
ótima abertura e aqueceu bem os presentes;
o Atrocity fez um bom show, mas nada assim excepcional. O Leaves Eyes
também
teve seus pontos fortes, mas foi mesmo com o Destruction que pude sentir a
pura essência de heavy metal e tenho certeza que a grande maioria esmagadora dos
mais de 3.000 presentes na Via Funchal concordarão comigo.
Vale lembrar que a presença de uma banda como o Leaves Eyes na casa aumentou
bastante a presença do público feminino ( o que é muito, bom diga-se de
passagem ). Essa mistura de duas bandas de
thrash com duas que são de outros estilos é algo que está se tornando uma
constante; e isto é interessante pois podemos apreciar várias bandas no mesmo
dia pelo preço de uma. Mas uma coisa é certa, quando o show de encerramento
da noite é de uma banda como o Destruction, não tem headbanger que vá para casa sem
ter balançado o seu pescoço ao máximo e literalmente feliz da vida pelo show
que viu.
Texto e Fotos: Fernando Júnior
Agradecimentos: Lô e Miriam
|