Death To All - Symbolic Healing Tour
Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP
Sexta, 23 de Janeiro de 2026

    Depois de quase dois anos do memorável show do Death To All em Limeira/SP ( saiba como foi ), a banda tributo ao legado do Death de Chuck Schuldiner retornou na cidade para realizar mais um show da turnê brasileira Symbolic Healing, que comemora os 30 anos do lançamento do disco Symbolic ( 1995 ) e os 35 anos do álbum Spiritual Healing (1990 ), que segundo o baterista Gene Hoglan são marcos importantes do catálogo do Death ( e ele está totalmente certo, pois, são dois discos fundamentais do estilo ), que merecem uma celebração especial como a desta turnê.

    Vale dizer que três dos músicos do Death To All tem ligação direta com o Death, pois, o baterista Gene Hoglan tocou nos discos Individual Thought Patterns ( de 1993 ) e Symbolic ( de 1995 ), já o baixista Steve Di Giorgio tocou no Human de 1991 e também no Individual Thought Patterns e o guitarrista Bobby Koelble tocou no Symbolic, sendo que somente o vocalista e guitarrista Max Phelps não passou pelo Death, porém, em compensação foi a voz do Cynic, está atualmente no Exist e incorpora mesmo Chuck Schuldiner.  Ou seja, somente mestres em seus instrumentos, que nesta noite de sexta em Limeira executaram o Symbolic na integra, algo inédito que não aconteceu nos tempos de existência do Death.

    E para conferir esta matadora, técnica e porque não dizer alucinante apresentação tivemos no Estúdio Mirage Eventos um grande público de várias cidades da região, que não ansiavam somente (re)ver o Death To All como também para (re)ver também dois dos mais importantes nomes do Death/Thrash Metal em atividade: Gene Hoglan - que está atualmente no Dark Angel e Steve Di Giorgio - atualmente no Testament. Inclusive, Steve Di Giorgio esteve em Limeira há cinco meses atrás com o Testament ( relembre como foi ) em um dos melhores shows que já presenciei por lá ( é.... não me canso de repetir isso, porque foi mesmo!!! ).

    De acordo com o padrão dos shows realizados pela Circle Of Infinity Produções, assim que o relógio marcou 21hs, fomos expostos à introdução do show com uma melodia sinistra contida em Windfall do Dead Can Dance, que deu lugar para trechos de Infernal Death do Scream Bloody Gore com os quatro músicos já no palco, que após saudarem a galera fizeram uma rápida reunião no centro com o toque de mãos entre todos desejando mutuamente uma ótima performance. Concomitante à isso, tanto o som quanto a iluminação também estavam de altíssimo nível durante toda a apresentação e vamos a partir de agora efetivamente à ela.

    Assim, eles iniciaram o massacre sonoro para valer com a Living Monstrosity de um dos dois discos aniversariantes, o Spiritual Healing. E em Living Monstrosity dois pontos já chamavam a atenção: a enorme precisão técnica sincronizada dos quatro e o enorme baixo Ibanez de Steve Di Giorgio de apenas três cordas. Max Phelps vociferou os versos da música exprimindo toda a ferocidade que seus pulmões permitiam para completa alegria dos fãs.

    Sem pausar para ninguém respirar continuaram a demolição com a Defensive Personalities, outra do mesmo disco, convocando os presentes para abrirem rodas e naturalmente foi o que fizeram. E não eram simples rodas.... eram daquelas mais destruidoras... Além disso, os fãs gritaram também os primeiros "hey... hey... hey..."  durante os solos de guitarras das entrosada dupla Max Phelps e Bobby Koelble.

    Depois de duas pauladas como foram os casos de Living Monstrosity e Defensive Personalities, Steve Di Giorgio ganhou os holofotes ao realizar um pesado solo de baixo na introdução da Lack Of Comprehension do Human e que era muito aguardada por todos, pois, acompanharam seus toques iniciais nos "ôôôôôôôô" e participaram intensamente no seu decorrer. Impressionante também foi observar novamente de perto como Gene Hoglan toca sua bateria rapidamente e com força total, porém, como se estivesse tranquilamente tomando uma cerveja com os amigos ( isso é habilidade pura e o resto é prosa!!! ).

    Com a plateia nas mãos, o Death To All alternou neste princípio músicas do Spiritual Healing com alguns clássicos e antes da próxima, Steve Di Giorgio conversou conosco agradecendo pela presença, por apoiarmos o Death Metal, que já tocou em Limeira ( aliás, esta foi a sua terceira vez na cidade ),  e enalteceu a importância de tocar em lugares mais "underground" como o Mirage Eventos onde podem olhar mesmo na cara dos fãs, que naturalmente deve criar uma lembrança em sua memória nos tempos quando começou no Death Metal nos anos 80.

    Bastante descontraído, ele brincou que a próxima música seria Sweet Home Alabama e até tocaram um brevíssimo trecho da música do Lynyrd Skynyrd ( que foi uma surpresa inesperada ) e então retomou o Death Metal mesmo com a pedrada Altering The Future, que foi exibida brilhantemente pelo Death To All com urros, solos de guitarras, bateria e baixo frenéticos como ficou registrado no Spiritual Healing.

    Entre aplausos e gritos de "Death To All... Death To All", fomos brindados com paulada Zombie Ritual, que era muito aguardada por todos e aí meus caros leitores(as) do Rock On Stage, na execução deste clássico do Death Metal presente no Scream Bloody Gore de 1987, as rodas que explodiram na pista foram maiores, claramente mais esmagadoras e envolventes durante a exatidão de estúdio que exibiram na música. Outra muito conhecida e responsável por mais rodas foi a cadenciada Within The Mind, mais uma do Spiritual Healing, que é um convite para sacudir o pescoço e socar o ar, sendo que apenas um ou outro parava quando olhava para o palco e via a reluzente atuação dos músicos.

    Um clássico do Death que também foi tocado nesta sexta em Limeira foi a The Philosopher ( excelente escolha ), a representante do Individual Thought Patterns que contou com um robusto coro dos deathbangers presentes no Estúdio Mirage Eventos acompanhando o Max Phelps, que cá entre nós... basicamente ele invocou o espírito de Chuck Schuldiner ao vociferar seus versos.

    Faltava alguma coisa para terminar esta primeira etapa do show? Claro que sim, e aos gritos de "Death To All... Death To All...", que ganharam até uns toques de baixo do sorridente Steve Di Giorgio para acompanhar e desta maneira recebemos a primorosa execução da cadenciada e ceifadora Spiritual Healing, a composição título do terceiro álbum de estúdio do Death, que te inspira imediatamente socar o ar e ao headbanging.

    Se nesta primeira parte do show tivemos algumas músicas do Spíritual Healing e alguns clássicos da carreira do Death, a segunda parte foi totalmente dedicada ao álbum Symbolic, o sexto da discografia e que conforme mencionei anteriormente foi executado na totalidade e na seqüência que foi registrado em estúdio nos anos 90, ou seja, um presente histórico para todos nós.

    Antes que isso acontecesse, Steve Di Giorgio pegou o microfone mais uma vez e conversou conosco explicando o que teríamos a seguir com frases como "estão ouvindo....", que são 35 anos do lançamento do álbum Symbolic e o principal... que celebram o saudoso Chuck Schuldiner, nos questionando se estamos prontos para isso e então dispararam a aniquiladora Symbolic com seus conhecidos riffs de guitarras contagiantes garantindo a felicidade do público, que reagiu abrindo uma roda devastadora entre os urros de Max Phelps, sendo que o público também participou nos solos com os "ôôôôôôôô".

    Interessante notar também como o Death To All, e mais a fundo o seu 'progenitor', o Death através de seus músicos fizeram questão de incluir solos com melodias de guitarras entre toda a brutalidade sonora que a música é possuidora... tanto que novamente tenho que salientar o que Max Phelps e Bobby Koelble realizaram nesta composição e em todo o show.

    O caos prosseguiu com pancadaça Zero Tolerance, onde pareceu que Max Phelps bradou seus versos com mais aspereza ainda e liberaram também toda a potência de seus solos de guitarras à toda velocidade, porém, muito bem sustentados na firmeza da magnífica cozinha da banda de Steve Di Giorgio e Gene Hoglan ( baixo e bateria, respectivamente ).

    Em seguida foi a vez de Empty Words, que começou aos dedilhados teoricamente amenizando o show, todavia, estamos falando do Death, um dos precursores do Death Metal e isso não é possível de forma que os vocais agressivos de Max Phelps tomaram conta outra vez do Estúdio Mirage Eventos, assim como os encorpados solos de guitarras dele e de Bobby Koelble, que demonstrou o imenso grau de felicidade dos dois no show.

    Com os "tiros de canhão" oriundos da bateria de Gene Hoglan tivemos Sacred Serenity mantendo o ambiente avassalador do Death intensificado nos velozes solos de guitarras e nos vocais raivosos de Max Phelps, que só foram diminuídos por curtos instantes para depois fortalecerem-se mais uma vez em uma interpretação sublime da música que ganhou muitos aplausos. Após uma rápida pausa para troca de guitarras e baixo, um gole de água ( apesar do tempo frio lá fora, dentro da casa estava calor ), eles retomaram o show com a violenta 1,000 Eyes entre solos fervorosos, ritmo incansável na bateria e no baixo, além de vocais na medida.

    E o Death To All fez um show inflexível de forma que não deixou que nós pudéssemos pensar durante a execução do Symbolic e atacaram impiedosamente com a mortífera Without Judgement, que entre seus trechos mais Death Metal, eles apresentaram fielmente suas linhas melodiosas antes de seu final simplesmente fulminante.

    Outra pequena pausa para que Steve Di Giorgio mais uma vez conversasse conosco perguntando se estamos gostando das canções e que tocaria as últimas do Symbolic. Isso antecedeu a Cristal Mountain, que é um grande sucesso da carreira do Death e que cativa instantaneamente, ainda mais com uma banda que toca sempre com todo este radiante entusiasmo em que a vontade de socar o ar e sacudir o pescoço foi significativamente ativada. E que solos de guitarras, toques de baixo e bateria que nos entregaram em Cristal Mountain!!!

    De novo o público bradou "Death To All... Death To All..." repetidamente extraindo sorrisos dos músicos que viram que acertaram em cheio todos nós e na comprovação desta afirmação despejaram a moedora Misanthrope, cujas rodas que quase em nenhum momento paravam foram ainda mais fortes e ao olhar para ela vi até garotas descendo a porrada... entre os urros e as linhas instrumentais extremas e irrepreensíveis.

    A última do Symbolic e da primeira parte do show foi precedida por outra curta prosa com os fãs em que Steve Di Giorgio ressaltou a importância de Chuck Schuldiner e sem demora, outra desmanteladora de pescoços com a colérica e densa Perennial Quest em que seus urros foram berrados com muito vigor por Max Phelps em uma pegada instrumental exterminadora, que só estes quatro caras poderiam fazê-la. Perennial Quest contou com prolongamento acústico, que até parecia que seria o final do show com os músicos saindo do palco sabedores que fizeram um show marcante mesmo em Limeira.

    Entretanto, tínhamos o bis e os fãs alternaram gritos de "Death To All... Death To All..." e "Chuck... Chuck... Chuck..." até que o quarteto voltasse ao palco com direito à baita surpresa feita por Steve Di Giorgio e Gene Hoglan com trechos de The Spirit Of The Radio do Rush ( que creio que muitos não perceberam ) e de Raining Blood do Slayer até o baixista falar um pouco  questionando se queríamos ouvir Fight Fire With Fire do Metallica - aliás, ele esteve consideravelmente à vontade - e então apresentou a destruidora Spirit Crusher do The Sound Of Perseverance de 1998 em que o público participou veementemente. E cá entre nós ( presentes no show ) que toques de baixo letais que Steve Di Giorgio nos mandou juntamente com a velocidade implacável que tivemos nas guitarras de Bobby Koelble e Max Phelps, sendo que este último cantou com um ímpeto único seus versos.

    Muito exultantes, os fãs gritaram "Death To All... Death To All..." várias vezes e obtiveram em troca a destroçadora Pull The Plug do Leprosy de 1988, que foi a última da noite para dinamitar quem ainda tinha fôlego para participar da roda ou urrar seu título com Max Phelps, que encerrou o espetáculo com um berro muito potente e pasmem... uma nova incursão no Rush, que fanático que sou na banda canadense identifiquei na hora.

    Pelo jeito, o Death To All apreciou muito o show e nossa interação com eles tanto quanto nós, pois, Steve Di Giorgio fez questão de evidenciar isso ao dizer: "Obrigado... muito obrigado!!!" e então nos saudou pela última vez antes de tirar aquela foto conosco ao fundo como é um costume de todas as bandas.

    Foram duas horas e quinze minutos de um show intenso, vibrante e perfeito, onde a banda e o set list escolhido foram realmente sensacionais frisando tudo que o Death representa para o Heavy Metal Extremo e indiscutivelmente posso cravar aqui que... vimos mais um show histórico em Limeira por conta das homenagens para estas duas pérolas do estilo que são o Symbolic e o Spiritual Healing em execuções fabulosas feitas pelo Death To All em um show melhor que em 2024. Em suma, só posso concluir dizendo que começamos 2026 melhor forma possível!!!

Texto e fotos: Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à equipe da Circle Of Infinity Produções
pela oportunidade, atenção e credenciamento
Fevereiro/2025

Set List do Death to All

Set 1: Spiritual Healing and Classics
Windfall (Dead Can Dance song) (Instrumental)
1 - Infernal Death
2 - Living Monstrosity
3 - Defensive Personalities
4 - Lack Of Comprehension 
5 - Altering The Future
6 - Zombie Ritual
7 - Within The Mind
8 - The Philosopher
9 - Spiritual Healing

Set 2: Symbolic
10 - Symbolic
11 - Zero Tolerance
12 - Empty Words
13 - Sacred Serenity
14 - 1,000 Eyes
15 - Without Judgement
16 - Crystal Mountain
17 - Misanthrope
18 - Perennial Quest

Encore:
19 - Spirit Crusher
20 - Pull The Plug

Galeria de 55 fotos do show do Death To All
no Estúdio Mirage Eventos em Limeira/SP

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