The Dead South - The Dead South America Brazil 2025
Abertura: Tião e os Bravos

Sexta,17 de outubro de 2025
Carioca Club - São Paulo/SP
   

    Na terceira semana de outubro, na sexta dia 17, o Carioca Club se transformou no ponto de encontro dos fãs de Folk e Bluegrass. Ao chegar por volta das 18h45, já dava para sentir a energia no ar, uma fila quilométrica se estendia pela rua, com gente animada, chapéus, botas e sorrisos ansiosos para assistirem os autoproclamados "gêmeos maus do Mumford & Sons" ( por conta da visão sombria deles da estética dos pioneiros do Velho Oeste ).

    Era a primeira vez que a banda canadense The Dead South, que teve sua formação em 2012 se apresentava no Brasil, e ninguém queria perder um segundo daquela noite que prometia ser histórica. O quarteto aproveitou este giro pela América do Sul para divulgar o seu quarto álbum de estúdio nomeado com Chains & Stakes, que foi lançado em 2024 e gravado no Panoram Studios na Cidade do México.

Tião e os Bravos

    A primeira banda a subir ao palco naquela noite foi o Tião e os Bravos, um grupo do interior de São Paulo/SP que vem conquistando espaço por transformar clássicos do Rock Internacional em versões caipiras irresistíveis. Formada em 2023 na cidade de Piracaia, a banda é composta por Chico Butina ( violão e vocal ), Zé Medonho ( banjo ), Barnabé do Brejo ( violoncelo ) e Irinelson ( washboard ) - este último instrumento, aliás, chamou atenção por transformar uma simples tábua de lavar roupa em percussão.

    O show foi bem engraçado desde o início - dos trajes típicos de fazendeiro às piadas internas entre os integrantes, tudo contribuía para um clima leve e divertido. Em meio a risadas e aplausos, o grupo apresentou algumas canções do álbum Selvagem de 2024, junto de outras releituras que deixaram o público em êxtase. Eles começaram com Man In The Box ( sucesso de 1990 ) do Alice in Chains, que soou como uma moda de viola intensa e cheia de Groove Rural.

    Em seguida, veio You Shook Me All Night Long do AC/DC, uma das mais empolgantes da noite - o público cantou em coro, e o banjo fez o papel da guitarra com perfeição neste hit do início dos anos 80. Numb do Linkin Park trouxe o contraste mais divertido: um clássico moderno do Rock Alternativo ( de 2003 ) transformado em um Folk Melancólico com sotaque do interior. Logo depois foi a vez de She do Green Day e a música de 1994 virou praticamente um Forró Punk, com a plateia dançando e rindo junto.

    A sequência com Crazy Train, que conhecemos no Blizzard Of Ozz de 1980 do Ozzy Osbourne e a T.N.T. do AC/DC, que mantiveram a energia lá em cima e resultaram em uma mistura de humor, virtuosismo e carisma. Plush do Stone Temple Pilots levou de 1975 para 1992 e veio com um arranjo mais suave, mostrando o lado mais técnico e musical da banda. A Lithium do Nirvana foi cantada em coro por boa parte do público, que reconheceu a melodia desde os primeiros acordes do banjo.

    E aí veio o momento mais inesperado da noite: Fogo e Paixão, sim.. isso mesmo... uma canção de 1985 do cantor brega-romântico Wando, que arrancou risadas, palmas e até corações. Uma versão caipira sensual e debochada que virou instantaneamente um dos pontos altos do show. Para encerrar, eles mandaram Have You Ever Seen The Rain?, um clássico do Creedence Clearwater Revival em um clima de despedida serena, com todos cantando juntos - um final bonito, de energia boa e sentimento coletivo.

    Durante a apresentação, Chico Butina soltou o clássico "Maôe!" imitando o saudoso e maior comunicador da televisão brasileira de todos os tempos Silvio Santos, e logo emendou um "Jequiti!" levando o público às gargalhadas. Esse tipo de humor espontâneo é marca registrada da banda - caipira, teatral e cheia de carisma.

    Apesar das piadas e da descontração, Tião e os Bravos mostraram uma técnica afiada e uma identidade muito própria. Misturaram o Folk americano com o sotaque do interior paulista e criaram algo único - uma abertura divertida, criativa e afinada para a estreia do The Dead South no Brasil.

Set list
1 - Man In The Box
2 - You Shook Me All Night Long
3 - Numb
4 - She
5 - Crazy Train
6 - T.N.T
7 - Plush
8 - Lithium
9 - Fogo e Paixão
10 - Have You Ever Seen The Rain?

The Dead South

    Após finalizar o show dos caipiras de Tião e os Bravos, finalmente o mais esperado da noite começou. Com as luzes baixas e a plateia já completamente tomada, os músicos do The Dead South entraram no palco do Carioca Club. A casa estava lotada, dificultando até a passagem de quem tentava se aproximar da grade.

    O público estava visivelmente animado, e era possível vê-los dançando e pulando tanto na pista quanto nos camarotes, aproveitando cada centímetro de espaço disponível. E foi nesse clima de expectativa e euforia que Nate Hilts ( vocais, guitarra e bandolim ), Scott Pringle ( violão, bandolim e vocais ), Danny Kenyon ( violoncelo e vocais ) e Colton Crawford ( banjo ) ecoaram os primeiros acordes de Snake Man Pt. 1 do álbum Sugar & Joy de 2019.

    A música, marcada por um ritmo acelerado e uma aura quase folclórica, trouxe à tona o personagem misterioso do "homem-cobra" e colocou o público em transe logo nos primeiros segundos. Na sequência veio Snake Man Pt. 2, também de Sugar & Joy, encerrando a história com humor e intensidade. A performance teve um ar teatral, quase cinematográfico, e o público reagiu com gritos, palmas e uma energia contagiante.

    Sem pausas longas, o grupo seguiu com 20 Mile Jump, do novo álbum Chains & Stakes. Curta e explosiva, a música serviu como um disparo sonoro, pura adrenalina que fez a plateia pular como se o chão do Carioca Club fosse elástico. Logo depois veio Son Of Ambrose, também do Chains & Stakes. Com uma pegada mais narrativa, a canção fala sobre redenção e herança, mostrando um lado mais emotivo da banda. O público, ainda agitado, baixou o tom e prestou atenção, criando um daqueles momentos em que todos parecem respirar no mesmo compasso.

    Boots do álbum Illusion & Doubt de 2016, trouxe uma pausa necessária. É um som mais introspectivo, que fala sobre escolhas e caminhos, e que foi recebido com silêncio respeitoso e olhares atentos. Depois, veio Yours To Keep do mais recente Chains & Stakes, uma das músicas mais sensíveis da noite. Fala sobre perda e memória, e sua melodia melancólica criou um clima de emoção no ar - muitos balançavam devagar, outros apenas fechavam os olhos.

    Time For Crawlin', outra do Illusion & Doubt retomou o ritmo. E a canção fala sobre queda e reerguimento, e foi recebida com palmas sincronizadas, o tipo de momento que mistura força e emoção em igual medida. O clima mudou quando começaram os primeiros acordes de The Recap, do álbum Good Company de 2014. Essa música tem a essência do início da banda - crua, direta, vibrante. O público respondeu à altura, batendo o pé, gritando e se entregando à batida.

    Com Father John, que também pertence ao Chains & Stakes, o ambiente ganhou um tom mais sombrio. A música fala sobre um pastor com falhas humanas e traz uma carga moral e emocional intensa. No show, o silêncio foi total - todos atentos, absorvendo cada palavra e expressão. A seguir, That Bastard Son, mais uma do Good Company, devolveu o clima festivo. Rápida, divertida e com uma dose de rebeldia, a música levantou o público novamente, que acompanhava o refrão em coro.

    Black Lung, outra composição do álbum Sugar & Joy, foi um dos momentos mais fortes da noite. Fala sobre o trabalho pesado nas minas e o sofrimento físico de quem vive essa realidade. A interpretação foi intensa e arrancou aplausos longos e emocionados. Em seguida tivemos outra do último álbum de estúdio com A Little Devil e esta canção do já citado Chain & Stakes é dançante e provocante, fala de tentação e desejo. Os presentes reagiram com risadas, passos e palmas, num dos momentos mais leves e divertidos do show.

     Logo depois foi a vez de Broken Cowboy, que também é do Sugar & Joy e trouxe de volta o tom melancólico. Uma música sobre fracassos e recomeços, cantada com um toque de humor, que emocionou quem assistia. Mas o ponto máximo de comunhão veio com In Hell I’ll Be In Good Company do álbum Good Company.

    O público cantou e assobiou em uníssono - uma verdadeira celebração. Era como se todo o Carioca Club tivesse se transformado em um coro gigante. Seguindo o clima, Honey You, também foi gravada para o Good Company, manteve o público entregue. O quarteto apresentou uma canção romântica com leve melancolia, que fez muitos casais se abraçarem e cantar juntos.

    No bis, a banda retornou para um encerramento emocionante. Clemency do Chains & Stakes trouxe uma sensação de perdão e encerramento. Já Completely, Sweetly, também do mesmo álbum, foi mais introspectiva, com uma entrega emocional visível no rosto de Nate Hilts.

    Quase no fim, Travellin’ Man do Good Company reacendeu o espírito livre e viajante que marca o som da banda. E para fechar, veio o momento mais esperado: Banjo Odyssey, também do álbum de estreia Good Company. A música, provocante e divertida, transformou o Carioca Club em uma festa completa. Colton Crawford dominou o banjo e o público foi ao delírio, pulando, gritando e batendo palmas até o último acorde.

    Foram aproximadamente 1h30 de apresentação, intensas do começo ao fim. Um show que começou com expectativa e terminou em catarse coletiva, com um público animado e completamente entregue dançando, cantando e vibrando tanto na pista quanto nos camarotes. Uma celebração da música, da energia e da alegria de ver o The Dead South, enfim, em casa.

Texto e fotos: Erika Beganskas
Agradecimentos à equipe da Powerline Music & Books, Sellout Tours,
Áldeia Produções e a Tedesco Mídia.
 pela oportunidade, atenção e credenciamento
Outubro/2025

Set list do The Dead South

1 - Snake Man Pt. 1
2 - Snake Man Pt. 2
3 - 20 Mile Jump
4 - Son Of Ambrose
5 - Boots
6 - Yours To Keep
7 - Time For Crawlin'
8 - The Recap
9 - Father John
10 - That Bastard Son
11 - Black Lung
12 - A Little Devil
13 - Broken Cowboy
14 - In Hell I'll Be in GoodCompany
15 - HoneyYou

Encore:
16 - Clemency
17 - Completely, Sweetly
18 - Travellin' Man
19 - Banjo Odyssey

 

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