Camisa de Vênus
Abertura: Dona Genoveva
Domingo, 04 de Agosto de 2019
no Ceasinha do Parque Interlagos em Aguaí/SP

Acidez, verdades e Rock'n'Roll na noite de Rock Nacional na Festa de 130 Anos de Aguaí

  A impagável banda de Rock Camisa de Vênus, uma das mais tradicionais, ácidas, animadas, sarcásticas e empolgantes que temos no país se apresentou pela primeira vez em Aguaí/SP no evento que comemorou o aniversário de 130 anos da cidade.

    Na fria noite do primeiro domingo de agosto em Aguaí/SP, o Camisa de Vênus se apresentou no ótimo Parque Interlagos no palco do Ceasinha, que é coberto e contou com uma bela estrutura de luz e som, devidamente seguro em um evento gratuito e promovido pela Prefeitura Municipal de Aguaí em um excelente exemplo de uso correto do dinheiro público concedendo oportunidade de conferirmos o clássico Rock'n'Roll Brasileiro e de forma gratuita para os fãs, sejam eles munícipes de Aguaí ou de outras cidades, como era o meu caso e de muitos amigos.

Dona Genoveva

    A abertura ficou por conta da banda Dona Genoveva que é originária de Aguaí/SP e composta por Luciano Lima nos vocais, César Dantonio na guitarra solo e Rafael Rogatto na guitarra base, Juliano Borges no baixo e Ramon Lima na bateria. O quinteto aproveitou esta oportunidade única em sua vida para relembrar de canções famosas de várias bandas brasileiras que fizeram e fazem história no nosso cenário Pop Rock.

    Bastante animados, eles começaram o show com o Pop Rock do Jota Quest com a Além do Horizonte e por ser tratar de um hit radiofônico, já garantiu uma boa resposta da plateia. Depois caminharam para o lado mais Rock com a divertida Cabrobó do Tianastacia e a conhecidíssima Mulher de Fases do Raimundos.    

    A missão de abrir para um ícone como o Camisa de Vênus era deveras importante e realizar isso no aniversário de sua cidade diante de um grande público como o presente como foi o deste domingo, naturalmente que elevou a garra dos músicos no palco de forma que o vocalista Luciano Lima agradece à Prefeitura Municipal de Aguaí pela oportunidade e avisa que teremos em seguida a Será do Legião Urbana. Outra que também estava na ponta da língua da galera foi a Dias Atrás do CPM 22, assim como a Proibida Pra Mim do Charlie Brown Jr, que realizaram o devido aquecimento do público, onde pude olhar para os lados e ver alguns dançando e correspondendo ao chamado do Dona Genoveva a cada música.

    O Barão Vermelho não ficou de fora das homenagens do quinteto de Aguaí, pois, da banda carioca eles apresentaram a Maior Abandonado com destaque para os solos de guitarras César Dantonio e Rafael Rogatto. Aproveitando da ótima produção de palco, no fundo tínhamos um telão que reproduziam vários vídeos que serviram muito bem para embalar a plateia enquanto curtia todas as músicas executadas pelo Dona Genoveva, como foram também os casos de Exagerado do Cazuza, o Rock'n'Roll Só Por Uma Noite do Charlie Brown Jr. e a mais lenta O Tempo Não Para também do Cazuza.

    Essas canções - tanto as anteriores quanto as que prosseguiram o set do Dona Genoveva - são costumeiramente tocadas pelas bandas que 'tocam na noite' e por conta disso sua aceitação foi muito grande entre os presentes. Aliás, o nome Dona Genoveva foi dado em homenagem a avó de um dos integrantes por conta do local onde eles ensaiavam no princípio da banda.

    Do Seu Lado, outra do Jota Quest foi a escolhida para continuar o show do quinteto e a animada Whisky a Go Go do Roupa Nova transformou o Ceasinha em uma grande festa de Rock'n'Roll. Mais Legião Urbana com a Pais e Filhos, que costumo brincar que esta música me persegue, pois, em muitos dos 'rolês' que vou, alguém sempre acaba tocando ela e não foi diferente nesta noite.

    A trinca final do Dona Genoveva nesta segunda noite de shows que comemoram os 130 anos de Aguaí foi com a Malandragem da Cássia Eller, a Cera do O Surto e A Sua Maneira, que conhecemos mais pela versão regravada pelo Capital Inicial, mas é criação dos hermanos do Soda Stereo e chama-se Musica Ligera. Obviamente, que agitamos bastante pois se trata de uma música deveras contagiante.

    Foi uma apresentação muito bacana do Dona Genoveva, que encarou com louvor a missão de estar no palco antes de um dos maiores nomes do Rock Nacional e tocando diante de muitos de seus amigos e conhecidos da cidade, o que convenhamos deve dar um baita frio na barriga, mas, eles saíram-se muito bem e agradaram tanto os nativos quanto os visitantes.

Set List do Dona Genoveva

1 - Além do Horizonte
2 - Cabrobó
3 - Mulher de Fases
4 - Será
5 - Dias Atrás
6 - Proibida Pra Mim
7 - Maior Abandonado
8 - Exagerado
9 - Só Por Uma noite
10 - O Tempo Não Para
11 - Do Seu Lado
12 - Whiskey a GoGo
13 - Pais e Filhos
14 - Malandragem
15 - A Cera
16 - A Sua Maneira

Camisa de Vênus

    Atualmente formado por Marcelo Nova nos vocais, Drake Nova e Leandro Dalle na guitarra, o fundador ( junto ao vocalista ) Robério Santana no baixo e Célio Glouster na bateria, o Camisa de Vênus está em turnê de divulgação de seu mais recente lançamento, o cd e DVD Dançando em Porto Alegre ( Ao Vivo no Auditório Araújo Vianna ), que saiu no ano passado registrando um dos seus memoráveis shows.

    Pouco mais das 22hs, a organização informou que eles estavam prontos e que em instantes pela primeira vez na história de Aguaí/SP, a lendária banda estaria no palco para mais uma de suas imortais e magníficas apresentações com toda a sua conhecida irreverência.

    Com as luzes apagadas, os fãs já berram várias vezes o grito de guerra do Camisa de Vênus, o "Bota Pra Fudê..." com as mãos para o alto e assim que viram os integrantes assumirem seus postos no palco, logicamente, aguardando a entrada do líder da banda, o cantor Marcelo Nova para que o show começassem de vez, sendo que foi justamente com a canção Bota Pra Fudê - registrada no álbum Plugado de 1995 - que eles já incendiaram consideravelmente os fãs que nunca haviam visto a banda no palco ( meu caso inclusive ), que reagiram pulando, cantando e vibrante bastante.

    Muito bem vestido, Marcelo Nova trajava um chapéu, terno e óculos escuros no estilo dos atores do filme Os Irmãos Cara de Pau ( ou The Blues Brothers ) e se movimentava muito pelo palco contagiando cada um de nós com sua imensa energia enquanto que seu filho Drake Nova comandava os solos da música com precisão junto a Leandro Dalle. Dançando na Lua, que intitula o último álbum de estúdio do Camisa de Vênus de 2016 foi a seguinte do show e quem estava presente no Ceasinha provou que era fã da banda ao cantar seus versos com eles, porém, a emoção aumentou mesmo com o clássico ( e que permanece relevante hoje em dia, porque será não??? ) Deus Me Dê Grana ( do terceiro disco, o Correndo o Risco de 1986 ) tocada com o mesmo ímpeto e velocidade dos anos 80.

    Em seguida, Marcelo Nova nos saúda dizendo um "Boa Noite Aguaí... vamos aquecer um pouco vocês nesta noite fria!!!" e executa junto a banda uma versão puramente Punk Rock e rápida de Bete Morreu, que foi gravada no primeiro álbum da banda de 1983 e que possui uma letra pertinente ao nosso tempo. A lenta Rostos e Aeroportos foi um desafio para os fãs relembrarem desta música pertencente ao segundo álbum ( o Batalhões de Estranhos de 1986 ) e Marcelo Nova a cantou procurando passar muito sentimento a cada verso até chegar a hora do solo de Drake Nova, que sempre ganhava olhares atentos do pai.

    A ótima Vento Insensato, outra das composições mais recentes do Camisa de Vênus que também é pertencente ao Dançando na Lua foi tocada em um ritmo Rock'n'Roll que provou que ela nasceu para integrar o set list dos shows da banda levando muitos de nós a cantar com ele contentemente, além de também focar os olhos nos solos de Drake Nova.

    Um das mais agressivas e sarcásticas músicas do Camisa de Vênus - e também uma das mais clássicas - não ficou de fora do show, pois, tocaram a Negue começando lentamente como no primeiro disco da banda para depois acelerarem seu andamento potencializando os riffs de guitarras de Drake Nova e Leandro Dalle, mas, quem ganhou os holofotes nesta foi o veterano Robério Santana com seus toques firmes no baixo sustentando muito bem o ritmo da música com direito a inclusive a um prolongamento, que sempre fica muito prazeroso de se ver ao vivo.

   Marcelo Nova fala um pouco sobre a cidade de Aguaí e comenta sobre o disco voador, que neste momento não fez muito sentido, a não ser pelo fato do tempo que ele gravou e realizou uma turnê com o inigualável mestre Raul Seixas no final dos anos 80 e assim mandou um Medley com sucessos marcantes, concluindo: "Lá vem o Trem!!!" e repetindo por mais algumas vezes esta frase, para que o ritmo Rock'n'Roll eletrizante enviado na base de guitarras, baixo e bateria trouxesse a Quem é Você? ( a primeira e a título do álbum do disco de 1996 ), seguida por Cidade Fantasma do Batalhões de Estranhos, que contou com solos dedicados de Drake Nova - aliás, e esta música serve para homenagear várias cidades, inclusive da região, que estão suas atividades noturnas quase cessadas ou muito minguadas - depois com a efervescente Gotham City que também é do Batalhões de Estranhos e despertou uma adrenalina única em mim por ser fã tanto do personagem quanto da música com direito à uma "reunião" de Drake Nova, Leandro Dalle e Robério Santana relembrando de parte do tema de abertura do antigo seriado do Batman, em uma nostalgia sensacional e saborosa.

    A Raça Mansa do Dançando na Lua trouxe a irreverência típica do Camisa de Vênus, porém, este infectante Rock'n'Roll tem em sua letra muitas verdades sobre o nosso povo brasileiro e deveria ser observada por todos nós com muita atenção servindo para mudar nossa linha de pensamento. Nesta noite em Aguaí tive o orgulho de cantar com o Camisa de Vênus esta letra lá da plateia, que não era tão conhecida dos presentes, que para mim foi um momento ímpar e que agitei bastante, afinal, a música cai como uma luva na imbecilidade do povo brasileiro. Do Quem é Você? recebemos os solos melódicos de Eu Vi o Futuro com Marcelo Nova andando para a direita e a esquerda cantando sua letra, às vezes olhando para nós e mexendo continuamente seus braços para no final todos receberem muitos aplausos dos fãs.

    Sempre com a plateia nas mãos, Marcelo Nova relembra em seguida da balada Só o Fim, sucesso do Correndo o Risco para que um grande coro entoasse no Ceasinha com direito a virar o microfone para o nosso lado de forma que pudéssemos completar o verso com ele. Entretanto, a canção que serviu para 'quebrar a casa' foi a explosiva Hoje do Batalhões de Estranhos, pois, sua voltagem é tão intensa, que não me contive, pois, pulei e cantei com Marcelo Nova, afinal, essa é uma das que mais gosto do Camisa de Vênus e vê-la ao vivo foi um momento por muito tempo esperado. Tudo bem em anos anteriores já vi o vocalista cantá-la em seus shows solo, entretanto, a pegada de um show do Camisa de Vênus é diferenciada e emblemática.

    Enfrentando uma pequena pane no som e na luz, que nos deixou apenas com os toques de Célio Glouster na bateria, porém, que foi sanada com celeridade pela produção, Marcelo Nova antes de continuar o show disse com todo seu costumeiro deboche: "Não falei que tinha um disco voador aqui na cidade?" e com a linhagem Blues e Rock, eles tocaram a homenagem do Camisa de Vênus para Frank Sinatra, uma versão toda raivosa de My Way, que a única coisa que lembra do nobre cantor americano é o seu título, porque de resto é uma das mais ácidas letras do quinteto e a interpretação nesta noite foi inabalável, além de ser digna de se guardar na memória.

    Não parecia mas já estávamos chegando ao final do show, afinal das contas, quando estamos adorando o show como era o caso, não se sente o tempo passar e o hino Simca Chambord do Correndo o Risco teve uma exibição puramente Rock'n'Roll daquelas que nos 'forçou' a pular e cantar novamente com o Camisa de Vênus, que contou novamente com mais outro lindo solo de Drake Nova e depois de Leandro Dalle. Se tivesse terminado nesta música, eu já diria que foi um show memorável, mas, tivemos mais uma, sem pausa para o bis como é o costume de Marcelo Nova em seus shows solo. Desta maneira voltamos a cantar com eles outro dos grandes hits do Camisa de Vênus com a Eu Não Matei Joana Dar'c, que faz a abertura do disco Batalhões de Estranhos e que nesta noite contou com um ótimo coral dos fãs.

   Parabéns Camisa de Vênus por mais uma de suas apresentações marcantes e repleta de tantos clássicos no set list em um evento gratuito, parabéns para a organização, que salvo a pequena pane manteve sempre o som muito bem regulado e a iluminação devidamente perfeita para o show, parabéns a cidade de Aguaí e não é demais ressaltar mais uma vez um parabéns especial para a Prefeitura Municipal de Aguaí, que acreditou e incluiu uma banda de Rock'n'Roll deste porte entre as atrações de sua festa. Que outras cidades se atentem para isso e façam igual, pois, tudo correu na mais perfeita harmonia e segurança. 

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: Valim - Imprensa da Prefeitura Municipal de Aguaí/SP
e Fernando R. R. Júnior
Agosto/2019

Camisa de Vênus Set List

1 - Bota pra Fudê
2 - Dançando na Lua
3 - Deus me Dê Grana
4 - Bete Morreu
5 - Rostos e Aeroportos
6 - Vento Insensato
7 - Negue
8 - Medley ( Negue / Quem é Você? / Cidade Fantasma / Gotham City )
9 - A Raça Mansa
10 - Eu Vi o Futuro
11 - Só o Fim
12 - Hoje
13 - My Way
14 - Simca Chambord
15 - Eu Não Matei Joana Dar'c

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