Dark Tranquillity - Latin America Tour 2017
Bar da Montanha - Limeira/SP
Domingo, 03 de Setembro de 2017
   

Entrega, peso e animação

    Os suecos Dark Tranquillity foram ( e são até hoje ) - ao lado de nomes como o In Flames e o At The Gates - considerados como os pioneiros a criarem o estilo que ficou conhecido como New Wave Of Swedish Death Metal ou Gothenburg Sond ao realizarem a inclusão de ares mais melódicos ao seu feroz Death Metal.

    Isso aconteceu no já longínquo ano de 1989, quando a banda se formou na cidade de Billdal e de lá para cá, nos 28 anos que se seguiram, o Dark Tranquillity já gravou  onze álbuns de estúdio, quatro EP´s e três vídeos ao vivo, além de várias turnês mundiais.

    Nesta volta ao Brasil após três anos, Mikael Stanne ( vocal ), Johan Reinholdz ( guitarra ), Christopher Amott ( guitarra ), Anders Iwers ( baixo ), Martin Brändström ( teclado ) e Anders Jivarp ( bateria ), que formam o atual line-up do Dark Tranquillity, o objetivo era a realização da Latin America Tour 2017 visando a divulgação de seu último registro de estúdio, o álbum Atoma, que foi lançado pela Century Media em novembro de 2016 em apenas duas datas no país, uma na capital paulista São Paulo e outra no interior, na cidade de Limeira/SP, que já há alguns anos nos tem colocado diante de grandes nomes do universo do Heavy Metal e suas subdivisões.

    E eu que já nutria uma curiosidade de acompanhar um show do Dark Tranquillity ao vivo há um bom tempo vi neste primeiro domingo de setembro no Bar da Montanha em Limeira/SP, a oportunidade de saciar minha vontade.

    A abertura das portas foi às 17:30 e de início parecia que não teríamos muitos seguidores do Dark Tranquillity na casa, porém, a maneira que o tempo foi passando mais e mais fãs foram chegando e quando estava na hora do sexteto subir no palco, o público já estava em um número considerável, o que é muito importante para que os organizadores possam continuar a nos presentear com shows deste quilate.

    E às 19:10, finalmente tanto eu quanto a grande maioria dos presentes assistiríamos ao nosso primeiro show do Dark Tranquillity de nossas vidas. Antes de subirem no palco, o grande telão, que estava acima da bateria exibia uma 'proteção de tela' que somada a introdução já produziram uma certa viagem e que em poucos instantes trouxe o sexteto aos seus postos para nos apresentarem o álbum Atoma com a música Force Of Hand, que é mais lenta, devidamente pesada e com muitos solos de guitarras.

    O vocalista Mikael Stanne começou a cantar seus versos se movimentando bastante pelo palco com um inigualável e contagiante carisma, enquanto que a atmosfera da música encobria nossos sentimentos e nos deixava completamente ligados ao som Death Metal do Dark Tranquillity.

    Depois, do álbum Fiction de 2007, eles tocaram a poderosa The Lesser Faith, que surpreende pelos nos solos de guitarras da dupla Johan Reinholdz e Christopher Amott e também nas pancadas de Anders Jivarp na bateria. Porém, a forma que a banda suaviza do lado mais extremo para o mais melódico é bastante encantadora e ao vivo, se mostra mais interessante do que no estúdio resultando em uma sequencia de "hey... hey..." dos fãs, assim que provocados pelo vocalista, que estava praticamente incontrolável no palco

    Antes de continuar ele saúda nos agradecendo por comparecermos ao show, comenta que estão divulgando o novo álbum e a música título Atoma chega com uma pegada mais cadenciada, quase arrastada e que contou com a participação da galera no refrão em um claro sinal que o público presente conhece o cd. Aliás, não posso deixar de citar os momentos mais progressivos ( ou melódicos, se preferir ) na parte instrumental que são um diferencial do Dark Tranquillity com mais "hey... hey..." do agora extasiado público.

    Comunicativo e muito simpático Mikael Stanne conversa rapidamente com os fãs e anuncia a The Treason Wall  do Damage Done de 2002 em um estilo mais Death Metal, que destaca as guitarras e o 'massacre' realizado na bateria.

    Do penúltimo de estúdio, o Construct de 2013 tivemos a The Science Of Noise com todos os urros de Mikael Stanne, que procurou ocupar cada espaço possível do palco, sempre dando o máximo em seus vocais intencionado a marcar esta apresentação em nossas mentes. Aliás, tinham momentos que pareciam que ele ia se jogar na galera como fez no Summer Breeze Open Air na Alemanha recentemente.

    Contentes durante seus complexos trechos instrumentais, o público acompanha nos "hey... hey..." e a banda mergulha em uma atmosfera mais viajante, que é muito bem amparada nos teclados de Martin Brändström e alternada com ora mais vocais limpos e ora mais agressivos, que serviram para que nós 'bangueássemos' em sua execução.

    Retornando ao Atoma, o Dark Tranquillity apresentou a Foward Momentum, que demonstrou um estilo mais arrastado, encorpado e vociferado com fúria por Mikael Stanne, que foi inspirador para a abertura de rodas e prosseguiu com outra do Fiction, a esmagadora Terminus ( Where Death Is Most Alive ) evidenciando o lado Death Metal da banda e levando o vocalista a cantar e banguear ao mesmo tempo... e eu me pergunto... como ele consegue?

     Em The Silence In Between, mais uma do Construct, o Dark Tranquillity continua agora com uma canção mais voltada ao lado melódico, porém, sempre com suas incursões furiosas nos vocais urrados de Mikael Stanne e nos toques robustos do baterista Anders Jivarp. Os presentes pedem músicas e gentilmente o vocalista nos agradece para junto aos demais apresentar a The Mundane And The Magic do cd Fiction aos dedilhados cheios de melodia dos guitarristas, que abrem belos toques nos teclados e assim que as guitarras aumentam seus solos, o ritmo cadenciado e os vocais urrados se fazem presentes para disparar sua enraivecida letra, que inclusive, nesta música o vocalista deixou uma fã cantar alguns versos da música em coisas que só acontecem em locais como o Bar da Montanha com seu clima mais familiar.

    Com palmas e "hey... hey..." no ritmo explosivo proposto pelos suecos, a avassaladora Final Resistence do Damage Done foi uma das mais destruidoras do set deste início de noite no Bar da Montanha e muito aclamada pelos fãs, que aplaudiram bastante e gritaram seguidamente o nome da banda. Com a plateia nas mãos, Mikael Stanne anuncia "From Damage Done... Monocromatic Stains" aos solos de guitarras de Johan Reinholdz e Christopher Amott sentimos o Dark Tranquillity nos 'dinamitar' com a intensidade de seu Death Metal Melódico.

    Reconhecendo o calor do público, ele novamente nos agradece com um sonoro "Thank You so much" e sem delongas nos coloca diante de The Wonders At Your Feet do álbum Haven do já distante ano de 2000, que também era muito aguardada pelo público e exibida em uma versão simplesmente de gala pelo sexteto.

    Quando White Noise/Black Silence foi informada pelo vocalista que seria a próxima, os fãs agitaram consideravelmente com sua sequencia de riffs de guitarras bastante fortificados e acelerados, pois, o andamento que é imposto pelo Dark Tranquillity nesta do Damage Done não fornece condições de se ficar parado e enquanto você ficava pensando se olhava para o vocalista ou para os guitarristas, o baterista Anders Jivarp praticamente 'estrangulava' seu kit com tantas pancadas certeiras, que produziram uma potência ainda maior na música.

    Em uma nova conversa com os fãs, que deu para perceber o quanto eles estavam satisfeitos com a energia vinda plateia tivemos a minha favorita do Atoma com a Encircled, que começa melódica, mas, em poucos instantes torna-se matadora e detentora de vocais dilacerantes em uma atuação implacável de Mikael Stanne e dos guitarristas Johan Reinholdz e Christopher Amott, que solaram com muita habilidade. Ainda no novo cd, o Dark Tranquillity exibiu a Clearing Skies com ares encorpados e um tanto que melancólicos, que pelo jeito que foi recebida pelo público deixou claro o quanto a galera gostou do Atoma.

    Carismático, Mikael Stanne nos agradece, pergunta se queremos mais e conversa um bom tanto com os fãs para que então recebamos os velozes solos de guitarras contidos em Endtime Hearts do Construct, que estilizam os ferozes vocais e as aniquiladoras pancadas na bateria. A última da primeira parte do show foi a There In, a única do Projector de 1999 que foi tocada nesta noite em Limeira e pela euforia dos fãs, posso afirmar que era outra que o público estava aguardando ansiosamente, tanto que cantaram todos os versos com Mikael Stanne e este, bom maestro que é... 'regeu' os fãs com as mãos no momento mais emblemático deste show do Dark Tranquillity em Limeira, daqueles em que a banda se lembrará deste show no interior de São Paulo.

    Na volta para o bis, aos incansáveis gritos de "Dark Tranquillity... Dark Tranquillity", os suecos retomam seus postos sorridentes para tocarem a State Of Trust do Construct, que foi muito empolgante e dotada de uma imersão viajante, que sinceramente me surpreendeu, antes que voltassem a metralharem nossos ouvidos do jeito que esperavámos em seu andamento e seus vocais urrados. Novamente brincado com os fãs, Mikael Stanne avisa que vai tocar mais uma canção e os fãs pedem lógico muitas, porém, a Through Smudged Lenses do Character de 2005 foi a que estava no set e que momento puramente Death Metal que foi proporcionado em sua execução, aliás, com direito a algumas rodas mais atrás de onde eu estava.

    Para despedir desta inesquecível apresentação no Bar da Montanha, o Dark Tranquillity tocou a Misery's Crown do Fiction com sua comovente alternação de linhas mais pesadas com outras mais tranquilas, que infectaram aos presentes com os solos de guitarras  e estes responderam agitando bastante  cada instante com a banda. Como costume, no final, eles agradecem, tiram a foto com os fãs, entregam palhetas, enfim, se mostram tão contentes quanto nós, que gritamos o nome da banda em estado de plena felicidade.

    No começo desta matéria disse que tinha uma curiosidade em ver um show do Dark Tranquillity e agora seguramente posso afirmar: se puder... não deixe de conferir um show do Dark Tranquillity, pois, os suecos são muito animados no palco, tocam com precisão e realizaram um show excelente abrangendo sete de seus onze álbuns de estúdio, que garantiu mais seguidores para a banda sem sombra de dúvidas e também aquele clamor para que eles voltem no Bar da Montanha em uma futura turnê.

    Além do 'showzão' que presenciamos, onde som, iluminação e organização estavam com a qualidade de sempre, é importante ressaltar que mais uma vez a Circle Of Infinity Produções se lembrou de quem precisa de ajuda e solicitou aos headbangers, que levassem um quilo de alimento que foi doado para as instituições de caridade de Limeira e isso, em tempos de todos os problemas sociais que o país atravessa faz uma diferença enorme para quem precisa.

Texto e Fotos: Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos para Edson Moraes e Cláudia Moraes da Circle Of Infinity Produções
e a Jeancarlo Oliveira da Infomidia Express
pela atenção e credenciamento
Setembro/2017

Set List do Dark Tranquillity
1 - Intro
2 - Force Of Hand
3 - The Lesser Faith
4 - Atoma
5 - The Treason Wall
6 - The Science Of Noise
7 - Foward Momentum
8 - Terminus ( Where Death Is Most Alive )
9 - The Silence In Between
10 - The Mundane And The Magic
11 - Final Resistance
12 - Monocromatic Stains
13 - The Wonders At Your Feet
14 - White Noise/Black Silence
15 - Encircled
16 - Clearing Skies
17 - Endtime Hearts
18 - There In

Bis
19 - State Of Trust
20 - Through Smudged Lenses
21 - Misery's Crown

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do Dark Tranquillity no Bar da Montanha em Limeira/SP

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