Aerosmith - Rock´n´Roll Rumble - Aerosmith Style 2016
Abertura: Sioux 66
Sábado, 15 de outubro de 2016 no Allianz Parque em São Paulo/SP

Um grandiosa aula de Hard Rock, Rock´n´Roll e Blues

    Em junho de 2016 Steven Tyler anunciou: "Eu amo essa banda, de verdade, mas vamos parar, já está na hora. Só há duas bandas que ainda têm seus membros originais, nós e os Stones". Com a aposentadoria marcada para o ano de 2017 e com a turnê Rock´n´Roll Rumble - Aerosmith Style 2016 seria a última realizada no país, que passou em três cidades ( Porto Alegre/RS, São Paulo/SP e Recife/PE ), a procura por ingressos para o show foi imensa levando esta apresentação em São Paulo/SP ser declarada como "sold out" ( ou com ingressos esgotados se preferir ).

    Na semana em que estavam prontos para subirem nos palcos brasileiros tivemos outro anúncio impactante: que o Aerosmith será uma das atrações principais de uma das noites do Rock In Rio 2017, fato que animou muitos dos fãs, que terão uma nova oportunidade para acompanhar os Bad Boys From Boston, que estão colecionando sucessos e shows espetaculares como o deste sábado no Allianz Parque em São Paulo/SP há 46 anos. Mas, antes de aprofundar no show do Aerosmith, vamos à atração de abertura.

Sioux 66

    A banda paulistana de Hard´n´Heavy Sioux 66 surgiu em 2011, já foi atração de abertura do Crucified Barbara no Inferno Club em 2012 ( confira como foi ) e representou o Brasil em 2013 na fase final da batalha de bandas para o Sweden Rock Festival. O quinteto formado por Igor Godoi nos vocais, Fernando Mika e Bento Mello nas guitarras, Fabio Bonnies no baixo e Gabriel Haddad na bateria aproveitou muito bem cada um dos seus 30 minutos de abertura e aquecimento para o Aerosmith mostrando as músicas de seus dois registros: o Diante do Inferno de 2013 e o recém lançado Caos.

    Com o visual carregado ( calças de couro, colares, anéis, óculos escuros, cartola, enfim, tudo que a 'cartilha' do Hard Rock recomenda uma banda utilizar ), eles subiram no palco exatamente às 20:00hs ( conforme o programado ) ao som de uma melodia índia, daquelas que costumeiramente ouvimos em filmes norte-americanos de Western, onde temos os índios Sioux para logo seguida executarem com personalidade, muita movimentação, peso e atitude a canção Caos, do novo cd com bons riffs de guitarras.

    Como acontece muitas vezes, o som não estava tão bem regulado para o Sioux 66, em virtude do pouco tempo que provavelmente eles tiveram para este processo, entretanto, isso é um problema que pode acontecer e quem quer ter a oportunidade lançar seu novo cd para uma tamanha plateia... tem que enfrentar e conquistar este espaço. Desta forma, o vocalista Igor Godoi grita "Sãooo Pauloooo" e temos a Porcos ( do Diante do Inferno ), que é mais cadenciada e envolve com bons riffs de guitarras de Fernando Mika e Bento Mello ( este filho do 'Titã' Branco Mello ).

    Sempre indo de um lado ao outro, gritando bastante, o vocalista Igor Godoi cumprimenta os fãs dizendo: "Boooa noite!!! Nós somos o Sioux 66 é um grande prazer estar aqui tocando para vocês, estamos realizando um sonho!!!" e por fim, conta que a próxima música é do novo cd lançado no dia 11 de outubro e a rápida Tudo Que Restou exibiu solos fervorosos, especialmente de Fernando Mika, que portava uma cartola e óculos escuros no melhor estilo Slash, que foi introduzido pelo vocalista e realizou um solo curto, mas cheio de categoria que passou por um trecho de Black Or White do Michael Jackson, que por incrível que pareça fez muita gente curtir e até cantar.

    Eles retomam rapidamente o Hard´n´Heavy com a própria Você Não Pode Me Salvar ( do Diante do Inferno ), que é pesada, um tanto que rápida, ganhou palmas quando o vocalista solicitou e contou com todos os solos bem Hard Rock estilo Guns´n´Roses convidando os milhares de presentes cantarem com eles.

    Mais uma vez, o vocalista se mostrou simpático ao gritar "Muito obrigado!!!" e dizer todo alegre: "Eu não posso falar muito porque o show é curto e eu sei que muitos de vocês estão aqui para ver o show do Aerosmith não é mesmo? O Sioux 66 está aqui para tocar para vocês e fazer o melhor show possível que é pra aquecer pra esses caras que são nossos ídolos também. A próxima música é uma versão que gente fez do Paralamas do Sucesso... ela se chama 'O Calibre', quem puder canta com a gente!!!" e o Sioux 66 aplicou muito peso, que garantiu uma participação dos fãs mais à frente do palco por se tratar de um grande sucesso do trio carioca.

    E quem chamou a atenção também foi o guitarrista Fernando Mika com seus solos cheios de distorção que se ligaram na recente Minerva, composição que esbanjou energia em sua execução com todos os quatro integrantes das cordas e vocais se mexendo bastante, interagindo assim com a plateia.   

    Antes da última música, o vocalista dispara: "É o seguinte São Paulo... vocês estão com a gente??? Vamos fazer um combinado aqui... os caras estão ali atrás, então vamos mostrar que aqui a gente também respira Rock´n´Roll... essa aqui é a nossa última música... logo mais com vocês a maior banda de Rock´n´Roll da América.., então fiquem com a gente até o final, essa chama-se 'Outro Lado'... nunca desista dos seus sonhos..." e com as palmas de muitos, o Rock´n´Roll pesadão da canção envolveu com naturalidade, pois, conta com uma ótima melodia, que foi alongada para que fossem apresentados os membros do Sioux 66 para a plateia. Com muitas palmas ao seu término, posso afirmar que o Sioux 66 foi uma ótima escolha de abertura e certamente ganhou mais fãs nesta noite no Allianz Parque, pois, souberam como conduzir o show elevando a energia.

Set List do Sioux 66
1 - Intro
2 - Caos
3 - Porcos
4 - Tudo Que Restou
5 - Solo de guitarra/Black Or White
6 - Você Não Pode Me Salvar
7 - O Calibre
8 - Minerva
9 - Outro Lado

 

Aerosmith

    E logo depois que o vocalista do Sioux 66 gritou "Viva o Brasil, Viva o Rock Nacional", a equipe já começou a desmontar e preparar o palco para que a sexta passagem do Aerosmith por São Paulo tivesse início. E exatamente às 21:00hs, com tudo pronto, a maior banda de Rock´n´Roll da América, uma das únicas que mantém a sua formação original, o Aerosmith estava pronto começar um dos mais empolgantes shows de 2016, e bem melhor que em 2013 no Monsters Of Rock ( relembre como foi ), que foi introduzido com o Blues de Mannish Boy de Muddy Waters, que já deu a tônica de como seria o show deste ano.

Começo Explosivo

    O vocalista Steven Tyler surgiu próximo ao final da passarela todo extravagante como sempre ( óculos escuros, echarpes coloridos, pulseiras, sobretudo de couro brilhante e uma calça preta e branca - mais Glam impossível ), já o guitarrista Joe Perry entrou com uma blusa de couro preta também brilhante, camisa vermelha ( e aberta ), óculos escuros e um quepe cinza, o guitarrista Brad Whitford com um chapéu e uma blusa mais discreta, assim como o baixista Tom Hamilton, que estava com calça jeans, uma blusa preta e camiseta azul, o baterista Joey Krammer - com o calor que estava neste sábado - entrou com camiseta regata preta.

    Detalhe, Steven Tyler e Joe Perry apareceram no meio da passarela que se estendia por um pedaço do campo para um delírio coletivo dos fãs que berravam sem parar e juntos eles impuseram moral com o 'Rockão' Draw The Line ( do disco de mesmo nome de 1977 ) logo de cara para tomar de assalto o Allianz Parque.

    E do alto dos seus 68 anos, Steven Tyler mostrou o grande frontman que é e o seu preparo físico de garoto, pois, começou a andar pela passarela indo e retornando na parte principal do palco por todo o show ocupando todos os espaços em meio aqueles vibrantes solos de Joe Perry na guitarra mergulhando na linhagem mais Blues, que teve seus momentos para receber os aplausos no ritmo ( pois, foram convocados pelo vocalista ).

     A euforia da galera era contagiante e Steven Tyler solta rapidamente um "E aí galera....", pois, os demais já começaram com Love In An Elevator ( do Pump de 1989 ), sendo que ele arremessa seus óculos escuros para os fãs ( alguém certamente ficou muito feliz ) e o poder que esta canção tem para fazer dançar... fez muitos balançarem em sua execução, enquanto que outros ( meu caso ) estavam de olhos fixos nos lustrosos solos de guitarras de Joe Perry, que portava uma Gibson preta e Brad Whitford com uma Gibson Les Paul bege, que foram alongados um pouco naquele ritmo sensual para que Steven Tyler elevasse a adrenalina de seus fãs se remexendo o bastante, que gritaram muito quando ele se aproximava de um lado ou outro.

    Antes do final, ele berra com os fãs dizendo "Oiiiee Saooo Paulooo... forty five thousand motherfuckers!!!" referindo ao total de público presente e com a plateia nas mãos da balada Heavy Cryin', um dos sucessos do álbum Get A Grip de 1993 teve seus versos cantados por todos a plena força. E dava para notar nos rostos dos músicos que eles queriam mesmo mostrar a falta que farão quando pararem ( isto é... se pararem logo ), afinal, estavam com firmeza a cada nota. Joe Perry também não se continha em seu posto e vinha sempre para a passarela, inclusive, após o solo de gaita de Steven Tyler ( atirada na plateia para outro fã sortudo ), ele assumiu o destaque para seu longo solo.

Nova surpresa

    Com muita presença de palco tivemos a segunda surpresa do set ( comparando com o de Porto Alegre/RS ) com a inclusão de Eat The Rich ( do Get A Grip ) com direito a toda a sua percussão que garantiu vários 'uuh... uuh...' muitas palmas da plateia, além de um incansável Steven Tyler para comandar nossa exaltação, sendo que ele sempre mirava o microfone ( com seu pedestal ) para os fãs cantarem o título da música com ele e o 'guitar hero' Joe Perry também veio mais a frente da passarela para solar sua Gibson Les Paul aumentando o fervor que sentíamos em nossos corações.

    Steven Tyler testa se nossas cordas vocais são tão poderosas quanto as dele com um "Yeeahh... yeeahhh...", que servem para a balada Crazy ( a terceira do Get A Grip na sequencia ) venha ter seus vocais divididos entre um estádio apaixonado inteiro e o Aerosmith em uma interação que não só emocionou aos fãs, mas também ao quinteto, conforme pude comprovar ao ver Steven Tyler deitando no show para posicionar seu microfone perto de uma fã que teve seu momento de glória e cantou um verso com ele. Nesta hora ele já estava sem o sobretudo e deu para reparar em uma tradição do vocalista: ele sempre escreveu palavras em seu corpo junto a símbolos que parecem tatuagens, e desta vez vimos claramente as palavras "Amar" e "Rock´n´Roll".

    Após um "Thank You" de agradecimento recebemos uma das grandes canções anos 70 com a Kings And Queens do Draw The Line, que mistura emoção, linhas mais Hard Rock e uma interpretação muito dedicada de Steven Tyler em meio a uma iluminação 'classe A', que contou agora com um admirável solo de Brad Whitford, que rapidamente foi acompanhado por Joe Perry alongando a intensidade do momento entre os gritos do vocalista.

    Com Joey Krammer desferindo aqueles toques ritmados e pesados em sua bateria, que foi inclusive apresentado da seguinte forma: "On drums Mr. Joey Krammer" já pegamos fogo instantaneamente com a estonteante Livin' On The Edge, um dos hits que alavancaram as vendas do álbum Get A Grip e impressionou nos anos 90 em seu videoclipe. E claro, que todos nós não tivemos escolha a não ser cantar com eles e viajar em seus solos de guitarras, que aliás, Joe Perry aplicou uma linhagem mais forte e melodiosa como se estivesse lançando feitiços no ar. Sempre inquieto, Steven Tyler foi até perto do baterista Joey Krammer e colocou o microfone perto dele para que em tese este cantasse alguns versos.

Levitação

    Em seguida viajam até 1976, tempo que o álbum Rocks foi lançado para a versão puramente Rock´n´Roll de Rats In The Cellar, que inflamou mesmo, especialmente pelos solos de guitarras mais voltados ao Blues/Rock - só que rápidos - e os toques dos teclados feitos por Buck Johnson, que contaram com um improviso fascinante, que pareciam que seriam os condutores de uma levitação por sua exuberância na cortesia de Joe Perry, que também não parava praticamente nunca de tocar as cordas de sua guitarra sempre cada vez mais rápido e Steven Tyler pegou umas 'maracas' ( chutada posteriormente por Joe Perry na brincadeira deles no palco ) e ficou do lado de Joey Krammer tocando-as até que finalmente retomou o comando do show trazendo a Dude ( Looks Like a Lady ) do Permanent Vacation de 1988, que por se tratar uma das mais conhecidas por aqui e por seu ritmo todo único, serviu - obviamente - para balançar toda aquela população.

    Com um singelo "obrigado" dito em português, os solos de slide feitos por Joe Perry entregam que a próxima música da noite seria a formidável Monkey On My Back do Pump enquanto que Steven Tyler batia no peito apontando para os fãs demonstrando seu contentamento conosco antes de cantar os versos, que na versão desta noite foi totalmente direcionada ao Blues, fato que para mim confirmou que o Aerosmith desejou realizar um show como os dos anos 70, mesmo em uma canção mais nova como esta.

Feel The Blues

    Entretanto, algumas das canções do século 21 do Aerosmith deveriam estar presentes no set e que bom que escolheram a 'Bluesada' Pink do Just Push Play de 2001, que fez uma nova geração inteira curtir e conhecer os Bad Boys From Boston e contou com solos de gaita, que foram simplesmente desafiadores. Senão me engano, foi durante a execução de Pink, que pela primeira vez Steven Tyler foi para as extremidades esquerda e direita do palco ( pois é... não falei que ele não parou quieto por nada... ).

    E o mais bacana foi uma breve paradinha que eles fizeram retomando o ritmo segundos depois e isso sem contar que Steven Tyler tirou uma foto com o celular de uma fã ( como é galanteador... ). E nesse estilo Blues, hora de Rag Doll do Permanent Vacation, onde Joe Perry extrai suas notas de sua lap steel guitar ( aquela guitarra de mesa ) e o andamento, que é imposto pela banda é daqueles cheio de swing, que torna-se impossível ficar sem movimentar e cantar quando temos o Aerosmith no palco, mesmo olhando fixamente a atuação de cada um deles no Allianz Parque, especialmente na hora dos solos de guitarras.

    Anunciado simplesmente: "On guitar Mr. Joe Fuckin´ Perry" por Steven Tyler, temos um dos melhores momentos do show com o guitarrista tocando a sensacional Stop Messin' Around do Fleetwood Mac, regravada no álbum Hookin´ On Bobo de 2004 do Aerosmith, que eles prestaram um tributo aos grandes mestres do Blues que os influenciaram. Durante sua execução foram exibidas no telão imagens do guitarrista no Monumento às Bandeiras no Parque do Ibirapuera.

    E a versão desta noite foi um deleite sensacional para os amantes do Blues, pois, contou com todos os solos de guitarras no estilo que contribuíram para o nascimento do Rock´n´Roll com direito ainda à um breve solo de teclado de Russ Irvin e com Steven Tyler ( é ele não saiu do palco, ficou curtindo próximo de Joey Krammer ) pulverizando com o seu espetacular solo de gaita para que Joe Perry encerrasse este momento, que foi muito aplaudido, ainda mais com ele vindo na direção da passarela solando sua guitarra nas costas.

Arrepiando

    Na sequencia tivemos o Rock´n´Roll animador Chip Away The Stone, um single que apareceu no Live! Bootleg de 1978 e que não era tão esperado nesta noite, mas, salientou uma excelente escolha da banda, pois, pudemos conferir um clássico dos anos 70, um tanto que 'Lado B' daqueles para testar mesmo os fãs da banda, o que é muito bacana e que é um diferencial nos shows.

    E falando em teste com os fãs, Steven Tyler canta um trecho à capela com os fãs de Hole In My Soul do Nine Lives de 1997 para ligar a balada mais melosa da noite e que naturalmente era ansiosamente aguardada por milhares e milhares de pessoas: a I Don't Want To Miss A Thing, que saiu na trilha do filme Armageddon e se tornou um estrondoso sucesso. O que teve de casais que se abraçaram ( e beijaram ) nesta hora, além de pessoas que ascenderam as luzes de seus celulares foi incrível, mas, o grande detalhe foi o canto em uníssono de todos os fãs presentes no Allianz Parque, que foi literalmente de se arrepiar.

   Com a plateia nas mãos, Steven Tyler bate no peito novamente e com o peso vindo da bateria de Joey Krammer, que disparou as famosas notas de Come Together dos Beatles, que o Aerosmith regravou no Live! Bootleg adicionando todo o seu conhecido Hard Rock, que serviu para 'vitaminar' um pouco mais que a original, como por exemplo, nos solos de guitarra feitos por Joe Perry.

    Antes da próxima, vemos o também 'veterano de guerra' Joey Krammer realizar um solo de bateria, que não foi tão longo como outrora, mas, que trouxe os riffs da dançante Walk This Way, que foi gravada primeiramente no álbum Toys In The Attic em 1975, porém, ficou popular mesmo em sua regravação ao lado do Run D.M.C. nos anos 80, e nesta noite eles quiseram nos mostrar o seu estilo original, que ficou responsável por fazer o Allianz Parque chacoalhar mais uma vez como no momento em que Steven Tyler andava de um lado para outro do palco cantando "Put Your Hands In The Air" repetidamente.

    Vale mencionar o detalhe que nesta, Joe Perry utilizou uma guitarra com as cordas invertidas. Não parecia, pelo tamanho da interatividade que estes senhores estavam fazendo, mas a primeira parte do show chegou ao seu final.

Final Esplêndido

    E enquanto nós sentíamos o prazer de estar nesta que poderia ser a última apresentação da banda em São Paulo, os roadies levam um grande piano branco de cauda até o meio da passarela, denunciando para quem prestou atenção qual seria a primeira canção do bis. Steven Tyler foi o primeiro a retornar e foi direto no piano ( com o telão principal exibindo imagens de São Paulo como o MASP ) para cantar sozinho trechos de Home Tonight e You See Me Crying, onde ele depositou o seu conhecido 'feeling' para emocionar a todos no instante que começou com o clássico Dream On, que alçou o Aerosmith ao sucesso em 1973 e que também foi cantada por todos, sendo que Joe Perry vem à frente para subir no piano e solar sua guitarra conferindo um fulgor extra na exibição da canção, que teve nuvens de fumaça e chuva de balões.

    Antes da última da noite, Steven Tyler diz: "On bass guitar Mr. Tom Hamilton" e este com um belo baixo azul foi ( empurrado pelo vocalista ) até ao final da passarela para realizar seu solo sendo acompanhado pelo baterista Joey Krammer, até que com a utilização do "talking box" por parte de Joe Perry, a explosiva Sweet Emotion ( do Toys In The Attic ) fosse mostrada com toda a sua garra de solos de guitarra, de vocais compartilhados com os fãs, com sua harmonia, seu ritmo que passa pelo Blues, enfim, com todos os seus ingredientes, arcasse com a missão de terminar este espetáculo que foi o Aerosmith no Allianz Parque. Para coroar o show, nada melhor que uma chuva de papéis picados enquanto apreciávamos os últimos solos da noite e em seguida, Steven Tyler apresentou cada um dos músicos que compõem o Aerosmith e foi apresentado pelo seu parceiro Joe Perry no melhor jeito de locutor de luta de boxe, sendo que todos foram ovacionados pelos fãs.

 

Despedida ou até breve?

    E aproveito para registrar uma curiosidade: o Aerosmith se apresentou em São Paulo em pleno dia dos professores e ministrou uma verdadeira aula com o melhor do Hard Rock e Blues, que consagrou a carreira dos norte-americanos levando a multidão estimada em 45.000 ao êxtase. Vale dizer que por um instante até pareceu que teríamos mais uma música extra no bis, mas, ledo engano, era a conclusão de um dos mais arrebatadores shows de 2016. Sempre fica a dúvida se este foi mesmo o último show do Aerosmith em São Paulo, já que para 2017 - por enquanto - apenas sabemos que eles estarão no Rock In Rio, porém, Steven Tyler comentou em uma entrevista recente que seu coração tem 12 anos ( e pelo tanto que agita no palco realmente deve ter mesmo!!! ) e profetizou: "Amo o Aerosmith mais que tudo. Sei que não importa o que Joe decida fazer no futuro, ele sempre vai voltar para tocar comigo."

    Então, se é assim meu caro leitor(a) do Rock On Stage saiba que o Aerosmith ainda nos brindará com mais quase duas horas de seu eletrizante Hard Rock e Blues, que estão convivendo com as nossas gerações desde os anos 70 em shows magníficos como este que presenciamos no Allianz Parque em São Paulo nesta Rock´n´Roll Rumble - Aerosmith Style 2016, onde particularmente classifico como o segundo melhor do Aerosmith que assisti na vida, pois, em 2010 no mesmo estádio eles também foram excepcionais ( confira a matéria ).

Texto: Fernando R. R. Júnior
Fotos: Lauro Capellari, Davi Valente, Camila Cara e Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à Denise Catto Jóia e Simone Catto Jóia
da Catto Comunicação e a produtora Mercury Concerts pela atenção e credenciamento
Outubro/2016

Set List do Aerosmith

1 - Draw The Line
2 - Love In An Elevator
3 - Cryin'
4 - Eat The Rich
5 - Crazy
6 - Kings And Queens
7 - Livin' On The edge
8 - Rats In The Cellar
9 - Dude (Looks Like A Lady)
10 - Monkey On My Back
11 - Pink
12 - Rag Doll
13 - Stop Messin' Around
14 - Chip Away The Stone
15 - I Don't Want To Miss A Thing
16 - Come Together
17 - Walk This Way
Bis
18 - Dream On
19 - Sweet Emotion

 

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