John Lawton
Quinta,
dia 12 de fevereiro de 2009 no
Blackmore Rock Bar em São Paulo/SP
A quinta-feira amanheceu chuvosa em
São Paulo, diminuindo a temperatura do ar, mas a expectativa de assistirmos
a uma das grandes lendas vivas do Rock, John Lawton, aumentava e
muito nossa temperatura interna, acelerando nosso coração e
criando uma expectativa enorme em torno da vinda desse grande
vocalista que vem contribuindo de maneira impecável para a
história do rock!
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Desde cedo toda equipe do Blackmore Rock Bar estava na
casa cuidando dos detalhes para garantir que a noite de 12 de fevereiro
fosse simplesmente perfeita! John passaria o som com sua banda por
volta das 16 horas e um pouco antes disso, seria entrevistado pela equipe da
TV Rock, entrevista essa que acompanhei atentamente. Após a
entrevista, ainda pude bater um papo com ele, breve e informal, mas muito
interessante e pretendo contar tudo a você, leitor!
Falar da história desse músico inglês, nascido em 1946, se faz
desnecessário, porque acredito que todos os ouvintes do bom e velho
rock'n'roll, conheçam sua história de cor e salteado. Mas é claro que
precisamos mencionar um pouco desse 'background' todo, especialmente
para entendermos melhor seu trabalho atual com a banda OTR.
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John Lawton iniciou sua carreira musical nos anos 50, mas só em 1969
foi descoberto pela banda alemã Lucifer's Friend, que na ocasião
estava a procura de um vocalista que soubesse cantar bem em inglês. Gravar
um álbum foi conseqüência natural e John mencionou nessa entrevista,
que tanto ele quanto os outros componentes da banda, tinham suas atividades
para garantir sua sobrevivência, portanto quando se reuniam para tocar, era
apenas por diversão, um hobbie que deu muito certo e os levou ao estúdio
para gravação em um excelente material musical. Em 76
Lawton foi convidado a assumir os vocais da banda inglesa Uriah Heep,
na qual permaneceu até 79, participando de grandes clássicos da mesma.
Na entrevista para a TV Rock, Lawton mencionou que saiu
do Uriah Heep em função de divergências de opinião entre ele e o
tecladista Ken Hensley. Segundo Lawton, Hensley estava
interessado em fazer um trabalho mais comercial, enquanto que ele pretendia
levar o Uriah Heep para uma estrada mais progressiva. Em função
disso, ele achou melhor deixar a banda.
Quando perguntado sobre suas expectativas em relação aos shows que faria
aqui no Brasil, Lawton foi bem sincero dizendo que não sabia o que
esperar, porque não conhecia seu público brasileiro ainda, mas que desejava
que a recepção da platéia fosse calorosa, e certamente o foi! Sobre suas
influências, Lawton nos disse que ouve um pouco de tudo, mas
mencionou um nome em especial: Paul Rodgers! E foi taxativo ao dizer
que o considera um dos melhores vocalistas de todos os tempos!
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E tomando
uma cervejinha, a entrevista continuou. Foi perguntado se existe a
possibilidade de uma outra reunião dos membros do Uriah Heep, como a
que aconteceu no ano passado. Ele sorriu e disse apenas: "Tudo é
possível!". Ainda comentamos a excelente voz que ele tem, mesmo
agora com mais de 60 anos e perguntamos se ele tomava um cuidado especial
para isso. Ele deu risada levantando a cerveja e mostrando o cinzeiro com o
cigarro queimando e disse que só não comete excessos, mas que não se
preocupa demais com isso. O que ele mais gosta
de fazer? Cozinhar! John
mencionou que adora pegar uma boa taça de vinho, entrar na cozinha e
preparar uma refeição.
Após a entrevista para a TV Rock, ainda pude conversar com ele
sobre seu grande trabalho com a banda OTR ( On the Rocks ).
Comentei o quanto gostei do álbum Mamonama e perguntei quais
eram os planos dele em relação a essa banda. Ele contou que a banda começou
quando Jan Dumée ( ex-guitarrista da banda Focus )
entrou em contato com ele em 2006 mencionando seus planos de montar uma
banda para tocar uma mescla de jazz, rock melódico e blues e que essa idéia
o agradou muito!.
Em 2007 eles já estavam gravando material para o que viria a ser o álbum de
estréia da banda Mamonama, lançado em outubro do ano passado (
ainda não foi lançado no Brasil ). Ele disse também que é muito bom
trabalhar com Dumée e que espera que essa banda fique conhecida o
suficiente para que ele possa voltar o Brasil e se apresentar com ela.
Sabemos que Jan Dumée carregou com ele três músicos brasileiros,
Xande Figueiredo ( bateria ), Ney Conceição ( baixo
) e Marvio Ciribelli ( teclados ) e que essa mistura de
influências originou um álbum excelente, que em sua grande maioria foi
gravado aqui no Brasil.
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Lawton ainda comentou que esses músicos brasileiros são realmente
muito bons e que estão contribuindo com suas influências musicas, pessoais,
para o engrandecimento da banda. Após a entrevista e nosso pequeno
bate-papo, John Lawton foi para o palco juntar-se à banda que o
acompanhou nessa pequena turnê brasileira para a passagem e som. Para
aquecer a garganta, John brincou um pouco cantando um trecho da
conhecida Mercedes Benz de Janis Joplin. Já começou
arrasando!!!!
É chegada a hora dos shows e a noite começou com a apresentação da banda
Jack Flash ( The Rolling Stones Tribute ), da cidade de
Campinas/SP, que marcou presença com a qualidade de seu trabalho. No
camarim, John pediu apenas uma dose de Jack Daniel's e
água e entrou no palco por volta das 22h30min.
Com um repertório que incluiu músicas do Uriah Heep, Lucifer's
Friend e de sua carreira solo, o show foi simplesmente deslumbrante!
Lawton continua com uma voz maravilhosa e abusou dos graves e agudos
brincando com a platéia. Para acompanhá-lo no palco, quatro músicos
brasileiros: Bruno Sá ( teclados ), André Andrade (
bateria ), Roberto Benevides ( baixo ) e Davis Ramay
( guitarra ). Nem é preciso mencionar a qualidade de todos
eles! Um detalhe interessante é que Lawton e o resto da banda haviam
se encontrado uma única vez na noite anterior para ensaiar e acertar
detalhes do show. É preciso dizer mais alguma coisa?
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O show começa com a música The Hanging Tree, de um dos álbuns do
Uriah Heep em que Lawton participou: Firefly lançado em
77. Foi emocionante ver a platéia delirar com a entrada dele no palco. Foi
uma recepção maravilhosa! A casa não estava muito cheia, mas todos que lá
estavam eram realmente fãs e deixaram isso bem claro, cantando quase que
todas as músicas junto com Lawton. Stealin´ do Uriah
Heep e Still Paying My Dues do Lawton/Dunning Project,
arrancaram muitos gritos da platéia, mas foi a The Wizard do
Uriah que causou mais comoção! Para introduzi-la, Lawton brincou
dizendo que os cariocas acham que os paulistas não sabem cantar e para
provar o contrário, convocou a platéia para acompanhá-lo. Foi emocionante
ouvir em uníssono, banda e platéia a plenos pulmões.
E assim continuou durante as próximas músicas, Come Back to Me (
Uriah Heep ), Free'n'Easy ( também do Uriah
Heep ) e Reach Out ( John Lawton Band ) e
Lawton as apresentou ora tocando seu violão, ora apenas cantando. Para
introduzir Burning Ships ( do Lucifer's Friend ), que
arrancou gritos dos presentes, ele comentou que lamentava muito não falar
português para poder conversar mais com as pessoas, mas que esperava que
elas entendessem alguma coisa. Durante a música Lady In Black (
Uriah Heep ), ele emendou o refrão da famosa Give Peace A
Chance de John Lennon, fazendo todo mundo cantar junto com ele.
Uma grande surpresa que rendeu muitos comentários após o show.
Sempre mascando seu chiclete, Lawton apresentou a famosa Easy
Livin' ( um dos grandes clássicos do Uriah Heep ),
que naturalmente levou todo mundo a cantar e pular. Em Free Me (
mais outra do Uriah Heep ) ele dividiu a platéia em 'meninos e
meninas' para saber quem cantava melhor e terminou a brincadeira
aplaudindo todo mundo. A banda se despede e todos saem do palco após
aproximadamente uma hora de quinze minutos de show, mas a platéia cobra sua
volta que acontece pouco depois, para executar as duas últimas músicas da
noite: Sympathy ( do Uriah Heep ) e Raide The Sky
( do Lucifer's Friend ). Havia chegado o final do show e a
platéia continuava firme, esperando que a banda voltasse mais uma vez ao
palco. Mas infelizmente isso não aconteceu. John Lawton agora estava
no camarim, trocando de roupa e descansando um pouquinho, porque a noite
ainda não havia acabado!
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A banda deixou no ar um gostinho de 'quero mais'... Boa parte da platéia
permaneceu na casa, até que após uns 20 minutos, Lawton saiu do
camarim e, no balcão do mezanino do Blackmore, recebeu todos
os fãs presentes, tirando fotos e distribuindo autógrafos, sempre com um
grande sorriso no rosto! Claro que eu também consegui um autógrafo no meu
Mamonama e uma foto que guardarei com muito carinho. John
Lawton fechou com chave de ouro sua passagem pela cidade de São Paulo e
deixou no cartaz que havíamos feito para divulgar sua apresentação, um
autógrafo com dedicatória ao Blackmore Rock Bar.
John fez questão de se despedir de todos que estavam trabalhando
naquela noite e saiu acompanhado da simpática esposa Íris Lawton,
prometendo voltar em breve. Deixo a seguir o set list completo da única
apresentação de John Lawton em São Paulo. Fortaleza e Rio de Janeiro
seriam as próximas cidades que teriam a oportunidade de conferir esse
excelente espetáculo.
Texto
e Fotos: Lourdes Azevedo - ( Lu Wolff )
Fevereiro/2009
Nota do Editor: Lu seja bem-vinda ao
Rock On Stage e parabéns
pela estréia em altíssimo nível!!!
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Lu Wolff e John Lawton |
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Set List
The
Hanging Tree (Uriah Heep)
Stealin'
(Uriah Heep)
Still
Paying my Dues (Lawton/Dunning Project)
The
Wizard (Uriah Heep)
Come Back
to Me (Uriah Heep)
Free'n'Easy (Uriah Heep)
Reach Out
(John Lawton Band)
Burning
Ships (Lucifer's Friend)
Lady in
Black (Uriah Heep)
Wise Man
(Uriah Heep)
Easy
Livin' (Uriah Heep)
July
Morning (Uriah Heep)
Free Me
(Uriah Heep)
Bis: Sympathy (Firefly – Uriah Heep)
Ride the
Sky (Lucifer's Friend)
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Lito ( Blackmore ), John Lawton e
Wanderley ( Blackmore ) |
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