Schizophrenia - Recollections Of The Insane
9 Faixas - Shinigami Records - 2021

    Fundada em 2016 foi no ano de 2020, no início da pandemia de Coronavírus, na cidade belga de Antuérpia, que a banda nomeada como Schizophrenia lançou em janeiro o EP Voices, que saiu de forma independente e já mostrou a cara do Metal Extremo do quarteto, que é influenciado por nomes como Morbid Angel, Slayer, Demolition Hammer, Sepultura, Dissection, At The Gates, Obituary, Bolt Thrower, Pestilence... ou seja, temos aqui praticantes do Death e Thrash Metal visceral do jeito que esperamos.

    O disco de estreia do Schizophrenia recebeu o nome de Recollections Of The Insane e traz nove faixas distribuídas em pouco mais de 45 minutos, que foram gravadas por Yarne Heylen no Project Zero Recording Studio em Niljen na Bélgica em 2021 com exceção feita aos vocais, que foram registrados por Johannes Van Audenhove em Mol, que também está situada na Bélgica.

    O produtor Yarne Heylen assina a mixagem e a masterização do disco, que foi realizada no Yproduction com a supervisão de Francesco Paoli, líder do Fleshgod Apocalypse. Para a capa de Recollections Of The Insane vemos um ser suplicando ante a um Pazuzu em um templo, cuja arte é da Khaos Diktator Design e o line up do Schizophrenia é o seguinte: Ricky Mandozzi no baixo e vocais, Romeo Promospoulos e Marty Van Herckhoven nas guitarras e Lorenzo Vissol na bateria.

    Aliás, Lorenzo Vissol fez uma longa definição sobre o álbum, que reproduzo a seguir: "é o resultado de um trabalho muito intenso em que cada um de nós explorou a sua musicalidade. Depois do nosso EP de estreia, sentimos que ainda tínhamos muito a dizer e expressar. Também sentimos que havíamos evoluído musicalmente tanto como banda, formando uma unidade sólida, quanto como músicos individuais. Começando o processo de composição, queríamos expressar exatamente isso e acho que Recollections Of The Insane teve sucesso. O resultado é um empreendimento coletivo abrangente em que cada música vive por si mesma enquanto cria um todo. Na minha opinião, é isso que a força deste álbum fará e o definirá.

    E finalmente conclui ao dizer: "Queríamos que nossa música fosse mais extrema e agressiva, mas, o mais importante, também queríamos adicionar mais profundidade nela. Não queríamos que a música fosse agressiva apenas pelo fato de sê-la, eu precisava contar histórias nas quais o ouvinte se sentisse imerso do começo ao fim. Essas seriam histórias malucas! Em geral, a composição é mais complexa, as melodias são mais desenvolvidas e os tempos são mais rápidos. Introduzimos ritmos explosivos e alguns momentos mais melódicos. No entanto, embora a música seja mais intensa e implacável, também é mais obsessiva e dinâmica. Esperamos que os ouvintes apreciem Recollection Of The Insane tanto quanto gostamos de mergulhar em suas composições e certamente mal podemos esperar para subir no palco com nosso novo material."

    Ao som de vozes desconexas e agressivas, a destruição contida neste álbum começa à toda velocidade do Thrash Metal do quarteto  com a Divine Immolation, onde os vocais são voltados ao Death Metal resultando em uma violência total nesta primeira faixa do cd deixando claro que a banda desejou socar a cara do ouvinte sem piedade.

    Pulsando ódio e raiva, Cranial Disintegration vem para cima com peso e vocais urrados em um ritmo convidativo para uma roda e os caras do Schizophrenia procuraram não deixar nada no lugar com esta intensa composição. Para Sea Of Sorrow, os belgas estão ainda mais violentos e velozes esmagando com tudo que podem através de vocalizações ferozes e solos de guitarras simplesmente matadores, que por vezes caminham pelo Heavy Metal, todavia, o que sentimos ao ouvir esta faixa é que estamos diante de um verdadeiro terremoto sonoro.

    A insanidade prossegue sem rédeas para segurá-la com a acelerada e colérica Monolith, que até exibe alguns pontos cadenciados entre seu andamento demolidor de vocais guturais. De um início mais elaborado até que o seu Death Metal assuma o controle, Onwards To Fire é a quinta de Recollections Of The Insane e é a mais cadenciada no geral, porém, é possuidora de viradas devastadoras que são executadas com muita técnica pela banda, onde sentimos influências do Death.

    Depois é a vez de Souls Of Retribution, que é dotada de um princípio mais cadenciado, entretanto, recebe uma quantidade considerável de brutalidade na parte instrumental e muitos vocais guturais, mas, o que chama a atenção mesmo são as guinadas Thrash inclusas na música, que a deixam ainda mais apocalíptica. Na seqüência, o Schizophrenia dispara a mortífera Inside The Walls Of Madness, que aumenta o seu potencial destrutivo ao passar de seus minutos através de vocalizações e linhas instrumentais estritamente dilacerantes.

    A penúltima pedrada de Recollections Of The Insane é a Fall Of The Damned, que contém um início obscuro, que descamba para uma música veloz e tão exterminadora quanto as demais de forma que também esteja na esfera do Death/Thrash Metal devidamente voraz e totalmente ao gosto dos fãs, sendo que recomendo uma atenção especial nas viradas feitas pelo Schizophrenia e uma percepção em como elas te capturam em sua audição. Aliás, posso sintetizar esta Fall Of The Damned como uma brutal aniquilação impiedosa, que tornaram esta a minha favorita do álbum.

    Finalizando o disco temos a arrebatadora e fulminante pancada Stratified Realities, que é caótica do começo ao fim entre seus urros, solos rápidos, baixo e bateria frenéticos, tanto que o quarteto assegura isso com muita habilidade para que possamos sentir esse clima a cada instante da música, ou seja, é trilha sonora para entrar na roda e distribuir porrada para todos os lados.

    Técnica, cólera, eletricidade, fúria... tudo isso está exposto e incrustado com clareza nas nove exterminadoras composições de Recollections Of The Insane do Schizophrenia em que os belgas deixaram evidente que não estão para brincadeiras e inclusive exibem também alguns flertes melódicos em seu avassalador Thrash/Death Metal... em suma, Metal Extremo para que os fãs possam se satisfazerem ouvindo este álbum.
Nota: 9,0.

 Por Fernando R. R. Júnior
Janeiro/2026

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