Opera Diabolicus - Death On a Pale Horse
9 Faixas - Shinigami Records/Season Of Mist - 2021

    O Opera Diabolicus teve sua fundação na cidade sueca de Gotemburgo, berço de muitos importantes nomes do Metal Extremo mundial e isso, aconteceu no já distante ano de 2006 com David Grimore ( guitarra, teclados e backing vocals ) e Adrian de Crown ( baixo ) visando executar um som voltado ao Horror Metal, que foi exibido com o álbum 1614 ( lançado em 2012 ) e que trouxe bastante convidados especiais reproduzindo letras direcionadas para dramas de terror com histórias de bruxaria, peste negra e vingança repletas de conspirações.

    O tempo passou e após um hiato de nove anos, a dupla está de volta com o seu segundo álbum de estúdio, que recebeu o título de Death On a Pale Horse e nove composições, que além dos dois já citados conta com participações importantes de nomes como Mats Levén ( Candlemass, Therion e Sky Blood ), Snowy Shaw ( King Diamond, Mercyful Fate e Therion ), Andy LaRocque ( King Diamond ) Michael Denner ( King Diamond e Mercyful Fate ) entre outros que serão mencionados ao longo desta resenha.

    David Grimore fez a produção de Death On a Pale Horse enquanto que o mestre Jens Bogren ( Opeth, Sepultura, Rotting Christ, Dimmu Borgir e muitos outros ) cuidou da mixagem e da masterização, ambas realizadas no seu Fascination Street Studios em Örebro na Suécia em gravações realizadas entre 2019 e 2020 ( esta parte já durante a pandemia ) e por conta disso, a participação dos convidados foi captada em vários estúdios diferentes. Na capa de Death On a Pale Horse vemos a morte em vestes reais cavalgando ao lado uma pilha de corpos, que é carregada por camponeses lamentando a perda de seus entes perdidos em uma arte magnífica de Giyula Havancsák, que também fez os desenhos do encarte do cd. Assim sendo, que comece a Ópera Heavy Metal.

     E é de forma calma que os lindos toques no piano abrem as cortinas do cd com a Listen Everybody, que em tons dramáticos e clássicos traz as vozes de Rich Whelan narrando o começo da história deste novo trabalho. E o lado Heavy Metal do Opera Diabolicus chega firme com Bring Out Your Dead apresentando além de seus ares épicos o brasileiro Ronaldo Rodrigues no Hammond Moog produzindo aquela sonoridade única deste instrumento harmonizando perfeitamente com o outro convidado Nathaniel Wöskstein no violino em uma canção de muitas variações, porém, todas vibrantes, cujos versos são brilhantemente cantados por nada menos que Mats Levén agradando imediatamente quem aprecia um Doom Metal com elementos de Symphonic Metal.

    Em Second Coming percebemos um andamento bastante Melódico em seu princípio para depois caminhar em uma linha mais tensa, que saliento os vocais da convidada Madeleine Liljestam ( do Eleine ) duelando com Mats Levén  ( os vocais suaves dela contracenando com os mais encorpados do vocalista são um deleite para os fãs te amarrando profundamente na canção ). Não posso esquecer de mencionar os solos de guitarras ao comando da excelente e lendária dupla Andy LaRocque e Michael Denner garantindo que tenhamos uma climatização um tanto que sinistra e aterrorizante, que conta com Elias Homild e Erik Nickerson nos teclados realizando o fundo cinematográfico de filme de suspense. E é notável como a faixa cresce e envolve o ouvinte em seu decorrer, pois, sua musicalidade somada às atuações de seus dois vocalistas passam a sensação de que o vilão alcança a donzela nos deixando satisfeitos a cada um de seus quase dez minutos.

    A sombria Siren's Call é a quarta de Death On A Pale Horse e os seus dedilhados após o seu início admirável apresentam os vocais altamente cativantes de Mats Levén conduzindo a música com a sua conhecida personalidade garra através de linhas devidamente assustadoras, que recebem uma elaborada evolução em seu andamento tornando a minha favorita até aqui, pois, combinaram com precisão peso, melodia e vocalizações. Outra participação diferenciada em Siren's Call é da vocalista Angelina DelCarmem ( do Charetta ) com sua doce voz fazendo uma contraposição à Mats Levén, sendo que ela posteriormente fez os backing vocals desta canção simplesmente teatral.

    Com ares mais velozes e bastante Melódicos, hora da música Darkest Doom On The Brightest Of Days, que possui um estilo a la King Diamond e consideravelmente sombria em suas harmonias de teclados ( no padrão de órgão de tubo ), onde seus vocais marcam uma nova participação de Madeleine Liljestam com Mats Levén nesta variada, grandiosa e empolgante criação. Incrível como a condução de Mats Levén percorre todas as partes apavorantes e também exibe momentos animados operísticos, que te enviam um astral bem gostoso de se ouvir até terminar em formosos dedilhados.

    Para A Song Of Detestation temos a mais agressiva de Death On A Pale Horse com Snowy Shaw detonando na bateria em um estilo pulsante e bastante tétrico com vocais devidamente macabros, cujas alternações nos teclados feitas por Ronaldo Rodrigues literalmente 'roubam a cena' com sua formidável performance produzindo uma marcante viagem em alguns pontos, que asseguram junto ao diversificado andamento feito pelo Opera Diabolicus uma sonoridade que só posso classificá-la como ímpar, sendo que mais uma vez Mats Levén canta de forma fascinante, nos impressiona e retém nossa mente na composição a cada um de seus minutos.

    De esbelta harmonia acústica Little Sister é a sétima do cd e além da forma pacífica ( praticamente sussurrada ) que Mats Levén canta seus versos, porém, é impossível também não evidenciar a presença de Angelina DelCarmem nos vocais e o violino tocado por Bettina Jucksch exalando ares entristecidos da composição. A interação dos dois vocalistas com a melodia apresentada aliadas aos breves solos de teclados feitos por Ronaldo Rodrigues fazem desta sétima música, uma das mais bonitas de Death On a Pale Horse.

    No melhor padrão de Opera em suas primeiras notas, Night Demon é modificada assim que Mats Levén começa a cantar trazendo com ele o Heavy Metal para a faixa, aquela vontade de socar o ar e sacudir o pescoço em sua audição, entretanto, as intervenções de teclados feitas por Erik Nickerson e os vocais mais encorpados e aflitos de Angelina DelCarmem, bem como a mudança de ritmo que temos levam a canção para um outro nível, que me deixou espantado positivamente, que brevemente te convida à fechar os olhos antes que seu Heavy direto tome conta de seus próximos minutos como percebemos antes dos solos de guitarras feitos por David Grimore coroando seus provocantes pouco mais de oito minutos.

    Fechando este excelente opus temos At The Night Time, que alterna dedilhados serenos com a atmosfera robusta produzida com os vocais raivosos de Mats Levén culminando em um imponente Heavy Metal, que certamente conquistará todos os fãs com facilidade. Entretanto, o Opera Diabolicus foi além, mudou tudo e incluiu um trecho viajante e motivador antes de retomarem as suas fortificadas linhas melodiosas e todo aquele peso que repararmos na primeira parte da música encerrando esta esplêndida e horripilante ópera.

    Concluo dizendo que a dupla de antagonistas ( segundo eles próprios ) David Grimore e Adrian de Crown, que capitaneiam este Opera Diabolicus possam reunirem mais vezes e desta forma criarem mais álbuns com a exuberância deste Death On A Pale Horse, que afirmo... como é dotado de muitas e belas passagens, evoluções e modificações - e todas feitas com primor pelos dois músicos e seus ilustres convidados - serão necessárias várias atenciosas e prazerosas audições para assimilar tudo que nos foi proposto neste disco. Se você caro leitor(a) do Rock On Stage aprecia o Candlemass, King Diamond e o Mercyful Fate mergulhe conscientemente e de cabeça neste lançamento da Shinigami Records em parceria com a Season Of Mist no Brasil.
Nota: 9,5.

Por Fernando R. R. Júnior
Julho/2022

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