Deep Purple - Live In Wollongong 2001
CD Duplo - 15 Faixas - Shinigami Records/Ear Music/Sound City Records - 2021

    Que os ingleses do Deep Purple são um dos principais nomes do Hard Rock e Heavy Metal e que já nos entregou várias obras primas ao longo de sua extensa carreira de mais de 50 anos... nós já estamos cansados de saber e que o Deep Purple é uma das bandas que mais possuem discos ao vivo também.

    Pois bem, graças a à parceria da Shinigami Records com a Ear Music e a Sound City Records chegou ao Brasil a Soundboard Series, que se concentra nas três últimas décadas de shows dos britânicos pelo mundo, sendo que alguns destes raros espetáculos só estavam disponíveis em edições de fã clubes e em cópias pertencentes aos arquivos da banda, que agora alguns deles foram remixados e remasterizados especialmente para estes lançamentos primando a melhor qualidade de som possível.

    O primeiro cd duplo desta Soundboard Series que será resenhado aqui no Rock On Stage será o Live In Wollongong 2001, que foi gravado no dia 13 de março de 2001 no Win Entertainment Centre em Wollongong ( situada à 68Km de Sidney ) na Austrália, um dos países favoritos da banda para se apresentar e na época eles estavam na turnê do ótimo Abandon de 1998, onde o line up do Deep Purple era o seguinte: Ian Gillan nos vocais, Steve Morse na guitarra, o seminal John Lord nos teclados, Roger Glover no baixo e Ian Paice na bateria executando alguns de seus imortais clássicos em uma apresentação como sempre eletrizante, que foi acompanhada naipe de metais composto por Greg Maundrell no trompete, Charles MacInnes no trombone e Paul Williamson no saxofone, além de um trio de mulheres no backing vocals, sendo elas Billie Stapleton, Angie Stapleton e Natalie Miller. Esta preciosidade foi remasterizada digitalmente em abril de 2021 e a sua capa simples dá o caráter de bootleg oficial da obra, cujos detalhes serão analisados a partir de agora.

    O set desta parte da A.Band.On.Tour é aberto com Woman From Tokyo de forma direta já nos repiques  certeiros dos pratos de Ian Paice, que são prontamente acompanhados pela entrada dos demais músicos até que Ian Gillan cante empolgadamente seus versos em uma belíssima versão deste clássico do álbum Who Do We Think We Are de 1973 em que saliento também a atuação de Jon Lord nos teclados nas partes leves da música encerrando em uma atmosfera Rock'n'Roll fabulosa. Ian Gillan agradece aos fãs e comenta da primeira música e anuncia a segunda, a pulsante Ted The Mechanic e neste começo de século, então aos 56 anos, a sua voz estava poderosa no padrão que o garantiu a alcunha de Silver Voice e quem abusa dos solos neste música do Purpendicular de 1996 é Steve Morse ante ao ritmo envolvente assegurado na base de Roger Glover no baixo e Ian Paice na bateria, que juntos são a mais impressionante cozinha do Rock.

    Comunicativo, Ian Gillan agradece os aplausos e fala sobre Mary Long, a seguinte do show que é outra que foi registrada no Who Do We Think We Are e sua aura Hard Rock setentista captura facilmente o ouvinte, que se conecta de vez na música quando temos Steve Morse chamando a nossa atenção com a intensidade de seus solos de guitarra, que após Ian Gillan cantar a segunda parte de seus versos recebemos os improvisos mais Blues para finalizá-la. Para a quarta do set, o vocalista informa que a música é do espetacular Machine Head de 1972 e assim que Lazy começa temos Jon Lord fazendo a sua magia nos teclados em sua introdução até que Ian Paice o siga nos pratos - e os fãs nas palmas - enquanto que em instantes posteriores, Steve Morse percorra o braço de sua guitarra nos solos iniciais chegando naquele maravilhoso andamento conhecido por todos determinando o ponto para Ian Gillan cantar seus versos e tocar sua gaita terminando a composição em linhas voltadas ao Blues.

    E neste show em Wollongong, eles tocaram em seguida a impactante No One Came, a última canção do "Lado B" do Fireball de 1971, que foi exibida com a maestria que o Deep Purple é detentor, onde enfatizo o seu ritmo e todos os majestosos solos de Steve Morse em sua guitarra e de Jon Lord em seu órgão, além da importante presença do citado naipe de metais, uma herança dos shows com a orquestra realizados em 1999 e 2000.

    Sempre muito aplaudidos, o vocalista agradece novamente em nome da banda e continua o show sendo que os fãs rapidamente percebem que a sexta música é a inflamável Black Night, que saiu como single em junho de 1970 e que desde então dá prazer em ouvi-la e ao vivo como no caso deste Live In Wollongong 2001 com todos os imponentes solos feitos por Steve Morse e por Jon Lord na base Rock'n'Roll tocada por Roger Glover e Ian Paice se torna um prazer ainda maior, pois eles deixam os improvisos caminharem soltos em que devemos fechar os olhos e realizar uma imersão maior em suas melodias para apreciá-las uma a uma.

    Sometimes I Feel Like Screaming foi composta por Steve Morse para o disco Purpendicular de 1996 e desde então sempre costuma fazer parte dos shows, a música chamou a atenção da banda com suas esbeltas melodias, que ganham forma à maneira que seus minutos passam e o seu ápice não está nos ótimos vocais de Ian Gillan, mas sim no brilhante nível atingido quando Steve Morse externa todos os acentuados harmônicos em sua performance.

    A oitava é pertencente ao Fireball, sendo que na versão de Fools desta noite no Win Entertainment Centre, o Deep Purple lhe concedeu um aspecto mais introspectivo no órgão Hammond de Jon Lord até que o seu peso estoure capitaneado pela voz de Ian Gillan. Entretanto, não posso deixar de mencionar as viagens feitas por Jon Lord e Steve Morse em seus instrumentos configurando mais um magnífico duelo dos dois enquanto que Ian Paice segura o ritmo da música em sua bateria, que é de uma beleza sem igual e que deve ser saboreada com muita atenção.   

    Depois de comentar da anterior e ganhar seus aplausos, Ian Gillan deixa os holofotes mirarem novamente para Jon Lord, que faz o reluzente solo de teclados atravessando formosas melodias e se unindo ao épico início do clássico Perfect Strangers, que intitula o álbum de 1984 e neste dia em Wollongong teve mais uma exibição de gala com inclusive sons do naipe de metais para abrilhantá-la ainda mais. Fechando o primeiro cd, mas não o show, o quinteto anuncia por meio de seu vocalista Hey Cisco, outra do Purpendicular que já era bonita no estúdio e ao vivo com os solos de Steve Morse combinados aos toques feitos por Jon Lord em seus teclados se tornou esplendida. E lógico... o Deep Purple improvisou bastante durante os solos de Steve Morse e Jon Lord do jeito que nos acostumaram a curtir e que sempre ficamos deslumbrado por mais vezes que já tenhamos visto ou ouvido os ingleses ao vivo.

    No segundo cd, Ian Gillan anuncia a When The Blind Man Cries, que foi "Lado B" do single de Never Before de 1971 ( mas foi gravada durante as sessões do Machine Head ) e que já começa com um teclado dramático e com Steve Morse nos enviando seus garbosos harmônicos para que o vocalista pouco depois nos emocione ao cantar seus versos. Em canções como esta em que os solos são favorecidos pelo seu ritmo lento, Jon Lord e Steve Morse só não nos fascinam mais que a interpretação de Ian Gillan de sua letra.

    Na sequencia, o guitarrista começa a solar logo após os comentários do vocalista passando por trechos de várias músicas conhecidas, entre elas Crossroads de Robert Johnson e Sweet Home Alabama do Lynyrd Skynyrd até encontrar aquelas notas famosíssimas que todo fã de Rock que se preze sabe quais são... as que trazem a antológica Smoke On The Water, que quase não entrou no Machine Head e fez o delírio dos fãs no Win Entertainment Centre contando com a participação deles solicitada por Ian Gillan antes de terminarem a canção.   

    Sorridente, Ian Gillan novamente agradece e diz que a plateia é fantástica e em instantes depois, a encorpada Speed King vem como um trator para cima de nós com seu andamento contagiante que teve novamente os improvisos de Steve Morse e Jon Lord combinados e nos deixando fissurados por onde seguirão em seu duelo, que sempre contém a admirável base de Roger Glover e Ian Paice. Aliás, Roger Glover aproveita a oportunidade para também promover seus solos de baixo com toda sua categoria e passar para algo que particularmente eu adoro... o radiante solo de bateria de Ian Paice, e olha que estes solos estão menores comparado aos monumentais feitos nos anos 70.

    Se não fosse bastante, esta noite na Austrália teve o vocalista de Rock australiano Jimmy Barnes ( que já esteve no Cold Chisel e INXS ) cantando com o Deep Purple Good Times para elevar o grau deste show, que após tudo isso... retorna ao andamento frenético de Speed King com Ian Gillan e o convidado Jimmy Barnes encerrando a primeira parte do show.

    Os fãs reagiram com insistentes gritos e aplausos conclamando que o Deep Purple se reestabelecesse no palco para o bis, que acontece com Hush, música registrada no Shades Of Deep Purple de 1968 levando todo o seu suingue à todos os presentes no Win Entertainment Centre e também à uma nova participação do trio de mulheres nos backing vocals e também de Jimmy Barnes nos vocais com Ian Gillan, bem como à outra sessão de improvisos executados pelo inigualável Jon Lord nos seus teclados. A última do cd e do show possui também todo o seu padrão com viagens que lhe são características antes de Ian Gillan cantar seus versos com toda a potência de sua voz acompanhado novamente por Jimmy Barnes, estou falando da estonteante Highway Star do Machine Head em que o Deep Purple transcende os limites e sabemos porque sua sonzeira é absolutamente magnífica.

    Costumo dizer que quando estamos em um show vemos a história acontecer diante de nossos olhos e ouvidos sendo parte das sensações que são despertadas com as músicas que presenciamos e foi isso que os presentes no Win Entertainment Centre assistiram nesta inesquecível data com este incrível apresentação do Deep Purple que agora é compartilhada com todos nós através soberbo disco Live In Wollongong 2001. Nem é preciso dizer que estamos diante de um item de colecionador em que agradeço ao Deep Purple e à Shinigami Records por trazer até nós.
Nota:10,0.

Por Fernando R. R. Júnior
Novembro/2021

Site: https://deep-purple.com/, https://deeppurple.com/ e http://deeppurple.tv/en/.
Facebook: https://www.facebook.com/officialdeeppurple.
Instagram: https://www.instagram.com/deeppurple_official/.
Twitter: https://twitter.com/_DeepPurple.
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UChFONkdHg3zrt3zaHmx1bKA.

   
 

Voltar para Resenhas