Black Void - Antithesis
9 Faixas - Shinigami Records / Nuclear Blast Records - 2022

    Niilismo de Friedrich Niestzche, Punk e Black Metal somados a raiva, ódio e violência. Talvez essa possa ser a melhor definição do que é o Black Void em seu álbum de estreia Antithesis, banda criada na Noruega pelo vocalista e baixista Lars Are Nedland - tecladista desde 1999 do Borknagar, Solefald e pasmem... da banda de Hard Rock Melódico White Void, que pode ser considerada como o 'lado bom' do Black Void.

    Ao seu lado estão Jostein Thomassen ( Borknagar e Profane Burial ) na guitarra e Tobias Solbakk ( Ihsahn, White Void e In Vain ) na bateria, sendo que o trio faz uma rejeição a tudo nas nove músicas de Antithesis, além de homenagear os 50 anos do Punk e os 40 do Black Metal.

    Antithesis foi escrito e gravado entre 2019 e 2021 em partes da seguinte forma: a bateria registrada no Splinter Studios por seu condutor Tobias Oymo Solbakk; o baixo, os vocais e os teclados no Mezzanine Studios por Lars Are Nedland e as guitarras no Riff Sheriff Studio por Jostein Thomassen enquanto que a mixagem e a masterização ficaram por conta de Oystein G. Burn e feitas no Crosound Studio.

    Na capa com tons de preto e branco temos um cavalo e seu cavaleiro em um cenário devidamente sombrio desenhando por Artem Grigoryev. A partir de agora comentarei das abordagens monocromáticas do Black Void.

    Profundamente brutal e esmagador... é assim que Antithesis começa com Void, porém, entre seus urros e vocais rasgados existe espaço para dedilhados e um ritmo inesperadamente mais calmo e melódico com vocais limpos, o que se repete durante a música ( peso extremo e calmaria ). Em Rejected Everything sente-se a avalanche do som extremo mais Black Metal do Black Void se misturar com o Punk Rock e salvo no seu miolo sombrio e lento com vocais rasgados em um clima soturno... é bordoada desenfreada por todos os lados. A terceira é a colérica Death To Morality, que é detentora de um andamento cadenciado, vocais enfurecidos e uma linhagem Punk que é segura no baixo, na bateria e na guitarra, sendo que Hoest do Taake participa com Lars Are Nedland nos vocais.

    Para Tenebrism Of Life, o trio norueguês dispara através dos bons solos de guitarra feitos por Jostein Thomassen uma música densa e muito sinistra com adições de diversas camadas deixando-a bastante intrigante com tudo que é possuidora. Em seguida é a vez de No Right, No Wrong com um solo pronunciado chamando seu estilo Punk de vocais rasgados e irados  ( lado Black Metal ) de forma a despertar um padrão diferenciado no que iremos escutar tornando-a difícil de definir, pois, até ares de Heavy Metal Moderno encontramos aqui. O desabamento prossegue na Punk It's Not Surgery, It's a Knife Fight, que passa por partes Melódicas, é furiosa e contém solos longos na guitarra, ou seja, outra bizarrice indefinível e que vem pulsando forte para cima do ouvinte durante cada um de seus minutos.

    A sétima é a Explode Into Nothingness e o seu princípio contém um solo elaborado que fica no ar até o Black Void enviar suas partes agressivas percorrendo todos os caminhos musicais escolhidos por eles nesta insanidade sonora, pois, é uma canção bastante esquisita ao o que estamos acostumados.

    Depois, com a raiva em níveis altíssimos recebemos a dilacerante Nihil, onde nota-se seu estigma Punk Rock aliado aos seus vocais rasgados e todas as estranhas modificações promovidas pelo Black Void na composição convidando o ouvinte para abrir uma roda e obviamente socar o ar. O álbum fecha com a presença de Sakis Tolis do Rotting Christ nos vocais com Lars Are Nedland na cortante Dadaist Disgust, que em tese é voltada para um Death Metal cadenciado, mas, como em todas de Antithesis... espere por viradas mortalmente impressionantes.

    A dicotomia do Punk com o Death/Black Metal com letras filosóficas ( e para baixo, meio depressivas em algumas horas e muito revoltadas em outras ) fazem de Antithesis um álbum que somente os seguidores de nomes extremos do Metal e aqueles que apreciam o chamado Avant Gard Black Metal conseguirão digerir e decifrar esta estreia do Black Void facilmente. Aos demais e que forem curiosos(as) por coisas singulares e excêntricas - meu caro leitor(a) do Rock On Stage - mais audições serão necessárias para absorver esta obra.
Nota: 8,0.

 

Por Fernando R. R. Júnior
Julho/2023

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