Auri
11 Faixas - Shinigami Records - 2018

    O fundador do Nightwish, o tecladista Tuomas Holopainen junto a sua esposa Johanna Kurkela ( vocais e viola ) e o companheiro de banda Troy Donockley ( guitarra, Bouzoki, gaita irlandesa ) criaram o Auri em 2011 nos raros momentos livres do Nightwish, quando Troy Donockley mostrou a Aphrodite Rising, uma canção de sua autoria e que impressionou Tuomas Holopainen.

    Entretanto, o Auri só ganhou forma mesmo quando - em 2017 - eles tiraram um ano 'sabático' do Nightwish e aí escreveram todas as demais músicas deste primeiro cd, que tiveram suas letras inspiradas nos livros de Patrick Rothfuss, conforme explica Tuomas Holopainen: "Há essa personagem chamada Auri, que é impressionante. A narrativa dos livros é uma das minhas favoritas, mas não é apenas essa personagem, Auri; o símbolo dessa palavra combina perfeitamente com o tipo de música que fazemos. Algo é inerente no conceito que permite saber imediatamente o que somos. Simboliza muito bem o projeto. É, em todos os sentidos, a combinação perfeita."

    Mas, Auri deriva do termo Aurora do latim e é um sobrenome finlandês, que significa amanhecer, enfim, um alvorecer quando o mundo desperta novamente todos os dias. A importância de Auri para Tuomas Holopainen é que o Nightwish atingiu um auge criativo com o excelente álbum Endless Forms Most Beatiful ( leia resenha ) e comentou sobre isso: "especialmente com a última faixa 'The Greatest Show On Earth'", ele suspira e prossegue: "Não conseguia compor nada, tentei escrever algumas faixas durante a pausa, mas fiquei preso. Parecia que nada poderia me ajudar. Senti que não tinha mais histórias para contar, foi estranho. Eu não estava com vontade de trabalhar com música durante esse tempo, eu não estava com vontade de trabalhar com o Nightwish. Mas, com o Auri encontrei o foco novamente. E no momento em que seguramos a master final nas nossas mãos, todos os bloqueios pareceram ir embora e nos dois meses seguintes eu praticamente não fazia nada além do Nightwish e trabalhei em muitas novas músicas. Um mundo totalmente novo se abriu para mim. Não posso dizer o que exatamente aconteceu, mas trabalhar com o Auri me deu muito e me inspirou novamente."   

    Aliás, segundo ele Auri pode ser até considerado como um Metal Celestial conforme a declaração: "Apenas alguns dias atrás, tivemos essa conversa na banda e pensamos sobre a melhor maneira de descrevê-lo. Dois termos vieram na nossa cabeça: situação surreal musical e Metal Celestial. Obviamente, você pode ouvir influências do Folk Music, Música Celta, trilhas sonoras, todo aquele tipo de música que amamos e adoramos, mas rotular o estilo é realmente impossível. Vou deixar isso para os ouvintes".

    Será que ele está certo nesta afirmação? Responderei mais abaixo, mas antes quero ressaltar que Auri foi gravado por Tero "Teecee" Kinnunen no The Paha Pajari Palace junto de Johanna Kurkela e Tuomas Holopainen e também na Corner House Mansion por Troy Donockley na Inglaterra.

    A mixagem é de Tim Oliver e foi realizada no Real World Studios em Box, Wiltshired na Inglaterra e a masterização é de Denis Blackham na The Isle Of Sky e para os demais instrumentos, o trio convidou Frank Van Essen ( bateria, percussão, violino e viola ), Jonas Papa ( cello ), Michael Gill ( fiddle e bazooka ), Phil Barker ( baixo ), Jyrki Tulilakti ( voz ), Lord Paddington ( mandolin ) e Joomba ( equestrian atmospheres ) em algumas músicas. Na capa apenas o logotipo do Auri, que foi criado pela vocalista Johanna Kurkela e no encarte as letras e fotos de paisagens do extremo norte do planeta. Agora sim, as músicas.

    A primeira começa com uma percussão forte e com a encantadora voz de Johanna Kurkela em um ambiente de linhas progressivas e tranquilas, além de uma pegada Pop oitentista, que fazem de The Space Between uma ótima abertura do cd através de crescentes positivos. Com a beleza que a junção da flauta de Troy Donockley e o piano de Tuomas Holopainen proporcionam à canção, a lenta e pacífica Hope Your World Is Kind é cantada com muito sentimento por Johanna Kurkela e em seu andamento notamos ares mais épicos, que emocionam e a tornam uma excelente composição provocando a vontade de fechar os olhos e viajar em sua melodia. Na quase instrumental Skeleton Tree temos os toques de flauta de Troy Donockley e também toques percussivos embalados em uma linda melodia de ares aparentemente serenos, que alternam linhas festivais com sombrias com participações angelicais de Johanna Kurkela, que fazem esta terceira música soar enfeitiçante e despertar a vontade de dançar em sua audição.

    De linhas introspectivas, graças aos dedilhados no violão e também pela presença do violino e do piano, Desert Flower é cantada por Troy Donockley em parceria com Johanna Kurkela com muita emoção a cada verso garantindo muita beleza à canção e nos fazendo fechar os olhos e ver os três pertos de nós ante a uma fogueira compartilhando o momento em uma verdadeira e magnífica viagem sensorial. Para Night 13, Johanna Kurkela sozinha canta seus versos de forma brilhante colocando muito feeling a cada fraseado e ao passar do tempo, o piano de Tuomas Holopainen aparece discretamente, assim como os suaves dedilhados no violão aqui ou ali, que vão calmamente aumentando a energia da canção e o prazer de ouvi-la, pois, ela transforma-se culminando em uma animada melodia que está devidamente fascinante com aumentos nos toques feitos na percussão e nas linhas de vocais. Os toques no violão e a flauta em See já nos convidam para uma nova viagem em que a bateria se evidencia mais, da mesma forma que os vocais de Johanna Kurkela como uma maestra nos direcionando quando a canção fica mais potente ou mais intimista com a sua belíssima voz. Saboreie também os vários aromas instrumentais criados pelo trio e sinta sua singular leveza.

    Depois temos a emblemática The Name Of The Wind, que é possuidora de um nível introspecção enorme e até um tanto dramática, além de admiráveis linhas Progressivas, nesta canção sem versos, mas, com uma atuação reluzente de Johanna Kurkela. Para a composição que motivou a criação do Auri, a Aphrodite Rising, eles nos exibem uma serenidade contagiante, seja por conta de suas inspiradas bases instrumentais ou por conta da forma esbelta que Johanna Kurkela canta seus versos, tais como uma fada.

    E o trio eleva seu crescente esperançoso para que se abra um sorriso e sinta-se em paz durante sua audição. Apresentando uma climatização sombria e muito linda, Savant é a nona do cd nos convidando a viajar por suas atmosferas e sempre de olhos fechados liberando a mente e a imaginação para longe, seja pela voz de Johanna Kurkela, que apenas harmoniza o fio condutor da canção ou pelas melodias únicas criadas pelos outros dois.

    Exalando ares dramáticos no órgão de tubo no estilo daqueles de igreja tocado por Tuomas Holopainen e nos outros instrumentos, Underthing Solstice é cantada com muita, mas muita mesmo emoção por Johanna Kurkela produzindo uma interação fabulosa entre o ouvinte e a banda, nos levando novamente a imaginar ela diante de nossos olhos se entregando totalmente à sua interpretação. O encerramento deste trabalho de estreia do Auri é com a suave e festiva The Thar Chanterelles ( Feat. Liquour In The Well ), que se tiveram a intenção de levar nossa mente para outro lugar... conseguiram e o fizeram com uma simplicidade enorme em um momento puramente Folk com solos de flauta, que em seu decorrer fica mais alegre, mais poderosa e ainda desperta uma vontade de sair dançando sorridente.

    Respondendo a minha questão no princípio deste texto... sim... conseguiram e nos colocaram diante de um álbum de uma singela beleza que abre o portal para um grande número de deliciosas sensações e todas enviadas com uma serenidade meditativa fazendo deste disco uma experiência maravilhosa em cada um dos seus 56 minutos. Não espere o Heavy Metal que acostumamos ouvir no Nightwish aqui, pois, o foco é outro e a ideia é relativa a promover longas viagens direcionadas a outro mundo através do Folk, do Progressivo e dos flertes com a Música Celta sendo todos harmonizados perfeitamente.
Nota: 9,5.

Por Fernando R. R. Júnior
Junho/2019

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