Agnostic Front - Get Loud!
14 Faixas - Shinigami Records/Nuclear Blast - 2020

    Além de ser um dos precursores do NYHC ( ou Hardcore da cidade de Nova Iorque ) ao lado de Cro-Mags e Beastie Boys, o famoso quinteto norte-americano Agnostic Front esteve em atividade entre 1980 a 1992 realizando uma pausa até o ano de 1997, quando retornaram e seguem firmes até hoje.

    E ao considerar as mudanças sociais e políticas que aconteceram durante os anos 80, na época de quando o Agnostic Front surgiu com o EP United Blood ( 1982 ) para os dias atuais ao ponderar que a humanidade em si não mudou para o melhor e sim para o pior, o vocalista Roger Miret  sintetizou: "Nós sempre tivemos voz, tivemos muito a dizer. Estamos sempre gritando por mudanças. Fale, fale mais alto, diga o que tem a dizer. Seja a mudança que você deseja ver no mundo. Você não pode mudar tudo, mas pode fazer pequenas mudanças que eventualmente serão muito importantes".

    Esta situação de nossos dias impulsionou o décimo segundo álbum de estúdio do Agnostic Front, que foi nomeado como Get Loud! e para enaltecer ainda mais este lançamento, eles recrutaram o artista Sean Taggart, que trabalhou com a banda no disco No Cause For Alarm de 1986 criando vários personagens para sua capa e agora neste novo trabalho, ele trouxe os personagens deste antigo disco de volta à esta nova e caótica era.

    Formada atualmente por Roger Miret nos vocais, Vinnie Stigma e Craig Silvermann nas guitarras, Mike Gallo no baixo e Pokey Mo na bateria, o Agnostic Front gravou, mixou e masterizou Get Loud! junto a Paul Miner no BuzzBomb Studios em Orange na Califórnia nos Estados Unidos e a partir de agora vamos conhecer mais detalhes e impressões de suas músicas.

    Aberto com Spray Painted Walls, Get Loud! já mostra a sua pegada Hardcore corretamente contagiante e agressiva logo em seu início nesta faixa de média velocidade, porém, a sua fúria é desferida com Antisocial, onde a força do Punk une-se ao seu Hardcore transformando a canção em uma bordoada bastante veloz e devidamente ótima para a abertura de rodas nos shows ( quando for possível novamente ). Sem que se perceba já estamos na cadenciada Get Loud!, a canção título que é definida da seguinte forma por Roger Minet: "Me diga, você não está cansado da mesma rotina dia após dia? É hora de fazer essa mudança e parar de escalar sempre o mesmo muro. É sobre isso que fala Get Loud!". E destaco nesta a condução dos toques de baixo executados com garra por Mike Gallo e o seu peso, que pavimentam o caminho para os berros coléricos de seus versos.    

    A pancadaria corre solta em Conquer And Divide que é para causar rodas imediatamente em suas execuções ao vivo e vale uma menção de sua letra, que é explicada por Roger Minet: "Parece que tudo o que os governos sempre quiseram fazer foi dividir as pessoas para depois entrar e conquistar. Eu vejo isso acontecendo nos dias de hoje. A mídia social é uma grande decepção. Agora tudo mundo tem voz, e eu aprovo isso, mas não posso acreditar com que rapidez algumas pessoas estão dispostas a pular de cabeça em algo que não se importa com elas."  Mais centrada no que tem acontecido em muitos lugares do mundo impossível, aliás, inclusive em um certo país sul-americano, onde só se fala o português.

    Em poucos instantes depois já estamos na quinta pedrada do cd com I Remember, que é rápida, direta, certeira e com claros flertes com o Punk Rock em uma letra que se for analisar é bastante biográfica. A encorpada Dead Silence chega com incendiários solos de guitarras feitos por Vinie Stigma e Craig Silverman que cravam a sua velocidade e a sua cólera, que são aplicadas competentemente na composição e fazendo dela um Hardcore devidamente marcante.

     De linhas cadenciadas em seus solos de guitarras iniciais, AF Stomp é uma ótima faixa instrumental que serve de introdução para o intenso Hardcore contido em Urban Decay, cuja letra critica e destaca a violência das grandes centros, em especial, Nova York. A esmagadora e acelerada Snitches Get Stitches é a nona e envolvente faixa de Get Loud!, cujo recado é dado menos de dois minutos.

    E o rolo compressor do Agnostic Front segue detonando com a veloz e totalmente crua Isolated, que somente em usa virada de andamento lhe é fornecido um tempo para respirar caro leitor(a) do Rock On Stage. Sempre com recados diretos, o quinteto começa In My Blood com uma eficaz linhagem instrumental que dá lugar à um Hardcore simplesmente matador daqueles que você deve sair pulando e liberando toda sua ira acumulada nos estressantes dias de trabalho. A feroz Attention é a décima segunda canção do cd, que como em todo álbum de Hardcore passa ligeiro e destruidor, embora, esta específica seja cadenciada e colérica. Para Pull The Trigger, o Agnostic Front ataca com solos crus, constantes e incansáveis para que Roger Minet libere toda a sua irritação em seus vocais. Para o final de Get Loud! temos um verdadeiro desabamento sonoro que está incrustado nas entradas de Devasted, onde sente-se a potência dos toques de guitarras unidos ao poderio praticado por Pokey Mo na sua bateria e claro, vocais enraivecidos.

    Ou seja, temos neste registro lançado pela Shinigami Records no Brasil através de sua parceria com a Nuclear Blast um álbum fulminante e autêntico como um disco de Hardcore ácido e crítico à sociedade dever ser. Tal qual a definição feita pela banda: "Somos algo real. Eu acho que esse é o segredo da nossa longevidade. As pessoas veem em nós algo real e genuíno e querem fazer parte disso. Quem gostaria de fazer parte de algo que é falso? Se você sente uma conexão com alguma coisa e ela parece real, você quer conhecer e fazer parte dela".

    Então faça parte durante os exatos trinta minutos deste cd e sabia que em Get Loud!, o Agnostic Front deixou uma grande certeza no ar: são 14 faixas do mais puro Hardcore de Nova York com incursões precisas de Thrash e Punk Rock.
Nota: 9,0.

Por Fernando R. R. Júnior
Novembro/2020

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