Zenith
 10 Faixas - Classic Metal Records - 1989 ( Relançamento em cd 2025 )

    Pela primeira vez em cd, a Classic Metal Records disponibilizou um clássico do Heavy Metal Nacional com o primeiro e autointitulado álbum da banda do interior de São Paulo, da cidade de Mogi Guaçu ( vizinha da minha ), o Zenith, que se você caro leitor(a) do Rock On Stage viveu nos anos 90, ouviu a versão em vinil, ficou fã da banda, viu um show e sempre ficou pensando... porque não existe em cd... finalmente, agora nós temos. Isso parece um anúncio escrito por antigo fã da banda e de certa forma é mesmo, mas, vamos aos detalhes do trabalho nas linhas seguintes.

    Pertencente à série Memórias Metálicas da Classic Metal Records, este álbum de estréia, e infelizmente, o único na carreira do quinteto guaçuano foi remasterizado nesta edição em cd, todavia, o seu lançamento em LP data do ano de 1989 e rendeu sucessos como "Doce Mãe", "Asas" e "Dama da Escuridão", que sempre foram tocadas nas rádios e programas de Rock do interior ( União FM e Nova Onda FM ) - sim... no passado tínhamos programas de Rock nas FM's como o Clube Rock em Itapira/SP e o Casa de Rock aqui em Espírito Santo do Pinhal/SP.

    Com letras em português e uma pegada voltada ao Hard Rock e AOR, a pioneira banda começou no final da década de 70 com o nome de Stress com garotos de 13 a 15 anos, que em seus primeiros shows tocavam músicas do Joelho de Porco, Casa das Máquinas, Made In Brazil, Deep Purple, Led Zeppelin e outras. No decorrer destes primeiros anos abriram shows do Made In Brazil, a convite de Oswaldo "Rock" Vecchione, tiveram mudanças de seus integrantes, enfim, coisas que acontecem em uma banda, mas um golpe duro foi descobrir que havia outro Stress, a excelente banda de Heavy Metal do Pará, que lançou o seu primeiro álbum em 1982 e que é considerado como o primeiro disco de Heavy Metal Brasileiro.

    Com isso, os guaçuanos renomearam a banda para Zenith, que batalhou bastante até lançar esta verdadeira pérola do Hard Rock e AOR nacional, cujas outras curiosidades eu deixo para você descobrir caro leitor(a) do Rock On Stage conferindo o encarte do cd, que além das letras e fotos, possui a biografia detalhada da banda em inglês e em português em 16 páginas.

    Na época da gravação do disco, o Zenith era formado por Rogério Nogueira nos vocais, Hamilton N. Lima na bateria e vocais, Marcus V. N. Lima no baixo e vocais, Zuza no teclado e vocais e Dé Vasconcellos na guitarra, sendo que as gravações e a mixagem foram realizadas por Jorge ( Gordo ) Guimarães e Luiz Carlos Maluly ( RPM e Rádio Táxi ) no Estúdios Sigla em São Paulo/SP ( gravações ) e no Estúdios Sigla no Rio de Janeiro/RJ ( mixagem ).

    A icônica capa ( para nós que lembramos dela em vinil ) mostra os membros da banda com a imagem com um efeito típico da época e o logo em cinza para degrade colorido é de Gustavo Caio. E antes de comentar sobre as músicas, vai uma curiosidade extra: este álbum tinha na extinta loja Stardust Discos de Espírito Santo do Pinhal/SP, que eu trabalhei e ouvia-o muito lá em sessões compartilhadas com amigos(as) e fregueses(as) da loja, além de ter efetuado gravações em K7 para alguns e vendendo algumas edições em vinil, sendo que um faz parte do acervo da Pinhal Rádio Clube.

    A elaborada abertura do disco começa com um dos seus principais hits: Dama da Escuridão salientando os ótimos vocais de Rogério Nogueira e o reluzente ritmo Hard Rock e AOR de sua parte instrumental, onde a parceria dos teclados de Zuza com a guitarra de Dé Vasconcellos capturam o ouvinte facilmente, assim como o seu refrão. A minha favorita ( e de muitos ) é o hino Doce Mãe, onde a harmonia, os toques de piano e de teclados, os dedilhados, os vocais, enfim... fazem esta canção ser simplesmente perfeita, tanto que nosso desejo é de cantarolar imediatamente com o quinteto e após ouví-la tenha certeza que a letra ecoará em sua mente por várias horas.

    E as respostas das questões que ouvimos em sua letra é - segundo o vocalista Rogério Nogueira - o seguinte: "A mãe é de todos nós, não é minha ou do . A Pátria Mãe era como uma prostituta que se vendia ao mundo, dava suas riquezas, seu domínio, por algumas moedas." Uma metáfora sobre o Brasil da Ditadura Militar.

    Depois é a vez de Estrelas Foscas em um estilo mais Hard Rock, cujo andamento é bastante cativante, assim como as suas vocalizações devidamente embasadas na guitarra, bateria e teclados, cuja letra é uma ótima crítica ao que vivemos naquela época ( que se for pensar... ainda é relevante ). Com repiques na bateria de Hamilton N. Lima e ótimos solos de guitarra feitos por Dé Vasconcellos chegamos à vibrante Asas, um Hard Rock que basta apenas uma audição para tornar-se fã dele, confirme esta afirmação durante os exuberantes solos de guitarra. Entretanto, o Zenith demonstrou muita criatividade em cada trecho da música e também mostrou esbeltas linhas de AOR em seu decorrer através de uma letra bastante positiva e animada  

     Spotlight é a quinta e também é detentora de um princípio com dedilhados e é deveras envolvente nos teclados protagonizados por Zuza fornecendo um vislumbrante fundo para que Rogério Nogueira possa liberar sua voz para evoluir em uma atmosfera influenciada pelo Rock Progressivo e a canção conta ainda com outro marcante solo de guitarra de Dé Vasconcellos e uma atuação belíssima dos demais. Curiosidade extra: esta música é uma versão de Change My Evil Ways da banda A Chave do Sol feita em parceria de Dé Vasconcelos e Beto Cruz ( vocalista em 1986 da A Chave do Sol ). 

    Logo nas primeiras notas de Dia a Dia, que são devidamente mais Progressivas, o Zenith nos expõe a outra grandiosa composição do disco em que sua letra é repleta de um ambiente animado muito bem ornamentado em suas linhas instrumentais com ênfase nos teclados tocados por Zuza e nos toques feitos pelo baixista Marcus V. N. Lima concedendo toda a tranquilidade para Rogério Nogueira nos encantar com sua excelente voz. A penúltima faixa é a Muros, que apresenta um ritmo cadenciado e pulsante, vocais exibindo muita emoção a cada verso em uma letra que espelha a situação social de uma grande cidade em outra atuação ímpar do quinteto ( e estes versos valem ainda para os nossos dias ).

      Por fim, temos a Curvas de um Rio, que inicia-se exprimindo um peso até aflorar o seu padrão AOR e Hard Rock com as viradas envolventes na bateria de Hamilton N. Lima, além de uma condução habilidosa de Zuza em seus teclados e as formosas vocalizações que ganham atraentes coros. Entretanto, isso não seria suficiente sem um solo de guitarra competente de Dé Vasconcellos e um refrão que também será cravado na memória.

    Quem já conhecia o Zenith de outrora tem a oportunidade de ter este único e histórico álbum da banda em sua coleção com este resgate da Classic Metal Records e quem não conheceu no passado pode agora possuir esta pérola do Rock Nacional e saborear esta preciosidade sonora em momentos de pura e consideravelmente prazerosa imersão musical, que particularmente me traz ótimas lembranças do final dos anos 80 e início dos 90, quando o universo inteiro do Rock, Hard Rock, Heavy Metal, Rock Progressivo, AOR abriu para mim em minha juventude... tempos que ouvíamos discos como este incansavelmente ( igualzinho ao que faço atualmente com tantos outros discos... ).
Nota: 10,0.

 Por Fernando R. R. Júnior
Fevereiro/2026

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