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Assim, ele definiu a sonoridade da banda da seguinte forma: "Uhrutau uma habilidade extraordinária de serem originais no Heavy Metal. Há dois elementos principais para isso: uma posição muito crítica em relação a absolutamente tudo, e a uma busca de um 'todo' que seja o Uhrutau, que seja criada uma aura que possa ser sentida e compreendida como o Uhrutau. O Uhrutau tem que ser uma sensação. Quando você lembra de nós, tem que vir um gosto na sua boca. E para além da música, temos como influências a arte expressionista, Francisco Goya, a psicanálise, filmes de terror do passado, a psicanálise, Dostoiévski, etc".
Com relação às letras de Memory, que foi gravado e composto à distância, ele adverte: "Memory não é um disco sobre fantasia ou esoterismos! O Memory trouxe as questões que nos atravessaram no tempo de concepção das músicas: política, questões sociais, masculinidade, guerra, eventos da vida pessoal, relacionamentos... Esse é um álbum sobre o mundo real". Na capa do disco temos figuras de homens, insetos e animais em forma de árvores secas, que foram criadas pelo artista plástico Leonardo Lin e suas gravações ocorreram no Family Mob em São Paulo ( Sepultura, Ratos de Porão e Merciful Fate também registraram álbuns por lá ) e sobre as gravações Maurício Bortoloto atesta: "A experiência no Family Mob foi incrível! Você sabe que vai sair de lá com o som que uma produção de Rock/Heavy Metal deve ter. Gravações em casa ou em estúdios podem limitar os resultados, e isso fica evidente ao ouvirmos o som pronto."
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Depois em Gaze At The Flames temos a participação de Nelson Pinton do Vitrola Digital no piano e efeitos e assim recebemos um princípio viajante e que é possuidor de vocais melancólicos conectando-nos intrinsecamente na faixa como se fossem um interlúdio para a pancadaça Parricidal, que entra em cena instantes depois e é detentora de encorpadas e complexas linhas de vocais e instrumentais, que atingem o ápice quando Maurício Bortoloto solta os seus urros e devo evidenciar também os solos de guitarra feitos por Gustavo Carmo ( Versover, House Of Bones, Vinnie Moore, Aquiles Priester ).
Sem pestanejar, eles enviaram a Wicked, que chega firme e carregada de imersões Progressivas em que o Uhrutau executa com muita precisão cada uma delas em crescentes que salientam o poderio do trio. A veloz Stray Dogs explora camadas impactantes que são exibidas com destreza pelo trio culminando em um final apoteótico, que após um momento simplesmente explosivo conta ainda com guturais antes de encerrar.
Embora seja um disco consideravelmente cativante, este Memory não é um trabalho simples de absorver, pois, todas as variações impostas pelo Uhrutau no decorrer de seus 41 minutos criam a necessidade de mais audições para que consigamos penetrar devidamente na obra, ou seja, um fato formidável para quem é fã de nomes de Prog Metal que não se prendem a um estilo só e caminham até ao Black Metal.
Se a ave Urutau na cultura indígena sempre esteve envolvida com símbolos sinistros, fantasma e a mãe da lua por conta do seu canto entristecido e é solitária e de hábitos noturnos, a banda Uhrutau está pronta para grandes vôos com este Memory nas mãos.
Nota: 8,5.Por Fernando R. R. Júnior
Janeiro/2026
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