Mugo - Race Of Disorder
 8 Faixas - Independente - 2017

    Com apoio da Prefeitura de Goiânia/GO através de seu programa de Incentivo à Cultura, o quarteto Mugo pode registrar o seu debut intitulado Race Of Disorder, o terceiro da carreira. A banda teve sua origem na cidade Goiânia/GO no ano de 2006, mas, ficou parada por um ano até encontrar o line up que gravou este álbum, que é o seguinte: Pedro Cipriano nos vocais, Weyner Henrique ( Ressonância Mórfica ) na bateria, Guilherme Aguiar ( Spiritual Carnage e Heretic ) na guitarra e Faslen de Freitas.

   Eles foram ao Resistência Studio em Goiânia/GO para as gravações e produção do cd junto ao Ciero "Da Tribo" ( Krisiun, Ratos de Porão, Claustrofobia e Torture Squad ), Francisco Arnozan e Lucas Rezende, sendo que Francisco Arnozan cuidou da mixagem e da masterização do cd. Já a capa de Race Of Disorder, que está embalado em digipack exibe um monstro criado com os lixos tecnológicos atuais aterrorizando uma cidade grande é de Xtudo Obze Artwork, sendo que em suas oito faixas vamos encontrar letras em português e inglês versadas no mais puro Thrash/Groove/Death Metal.

    Depois que retornou, o Mugo se apresentou por quase todas as regiões do país e fez a aberturado Black Label Society em Goiânia, participou de festivais como Goiânia Noise Festival, Bananada, Grito Rock de Fortaleza, Forcaos e vários outros de igual renome e importância. Com falas e um fundo cinematográfico o cd é aberto com a rápida e agressiva canção título Race Of Disorder, que Pedro Cipriano canta seus com a máxima aspereza que lhe é possível, onde junto aos demais são desferidos golpes vorazes em seus quase sete minutos, que graças ao seu ritmo devidamente caótico faz a canção se tornar totalmente impiedosa e repleta de guturais.

    Em seguida, os goianos apresentam uma faixa mais cadenciada, porém, não menos agressiva com Seeds Of Pain, cujos vocais rasgados e urrados são um convite a bangear, aliás, chamo a atenção para o final esmagador que é executado pelo quarteto. Com a considerável velocidade aplicada, Corruption chega destroçando com firmeza com a sua fortificada linhagem instrumental, principalmente, nos toques do baixista Faslen de Freitas que sustentam o ritmo para Pedro Cipriano martelar nossos ouvidos com sua fúria, cuja letra versa sobre se rebelar contra os políticos ladrões que assolam nosso país. E suas partes Thrash Metal percebidas nos solos de guitarra feitos por Guilherme Aguiar são para abrir a roda e agitar sem parar.

    Para a quarta de Race Of Disorder, o Mugo nos mostra a primeira em português e entre dedilhados calmos e sombrios, eles nos trazem uma composição cadenciada em seus primeiros instantes, que se transforma na mais avassaladora do cd até aqui, pois, no ácido Thrash Death Metal com flertes com o Hardcore chamado Sanguessugas, o Mugo está realmente furioso e com razão, afinal, nós elegemos estes vis políticos e somente nós os eleitores podemos melhorar isso.

    Através de um solo constante feito pelo guitarrista Guilherme Aguiar, que trazem uma detonadora evolução feita pelo baterista Weyner Henrique ante a urros infernais, temos a cadenciada 'paulada na cabeça' nomeada como Deliverance com vários trechos para abrir mais uma roda e bangear ininterruptamente. Para a sexta de Race Of Desorder temos a Think Twice, que mantém o padrão cadenciado e violento do quarteto com versos vociferados com toda a cólera e selvageria que é possível por Pedro Cipriano, que não dá descanso assim como na ótima sequencia instrumental em que nota-se o verdadeiro massacre nos pratos da bateria de Weyner Henrique, que fazem a música culminar em um final simplesmente aniquilador.   

    As duas faixas finais do cd são em português e a primeira é a Terra de Ninguém, um petardo Death Metal todo raivoso com um nível surpreendente de ira em seus vocais, assim como sua velocidade e impetuosidade que o Mugo colocou na combinação frenética obtida nos toques de baixo, bateria e nos solos de guitarra, nesta letra que é um desabafo feroz de quem sofre a real agressão cotidiana neste país. Por fim, o Mugo revela a cadenciada Elo Quebrado, cuja linhagem cresce e fornece o ambiente matador para que eles possam acelerar e acertar as suas bordoadas em nossos ouvidos, e isso, sem mencionar a garra de sua letra, que é uma dura, mas, real verdade exposta aos mais implacáveis urros.

    Pena que bandas como o Mugo, que criticam para valer a nossa infeliz situação que tentamos sobreviver não chegue à mente da maioria da população do país, pois, poderiam servirem como um alerta para uma maior conscientização para as pessoas, porém, enquanto isso, o quarteto está aí com Race Of Disorder pronto para explodir com os imbecis conceitos estabelecidos e faz isso com muita competência. Quem gosta de nomes como Sepultura, Project 46, Pantera, Hatebreed e Slayer, pode ficar atento à esta banda, que está firme e já lançou em 2019 o álbum Tempest, entretanto, seus detalhes serão uma outra história.
Nota: 9,0. 

Por Fernando R. R. Júnior
Abril/2020

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