Megaira - Power, Lies And Death
8 Faixas - Shinigami Records - 2017

    Antes de começar propriamente a resenha deste álbum, vamos falar um pouco de Mitologia Grega, afinal, o nome da banda e a temática do álbum é claramente inspirada neste tópico, assim como sua capa. Megaira ( ou Megera ) é o nome de uma das três erínias, divindades gregas com a cabeça coberta por serpentes, que punem os mortais pelos seus pecados ( sendo esta a responsável por punir a rancor, a inveja, a cobiça e o ciúme ) castigando a infidelidade e outros delitos relacionados com o matrimônio, sempre perseguindo sua vítima fazendo a fugir eternamente ao gritar em seus ouvidos suas falhas.

    As outras duas são Tisífone ( que vinga os assassinatos, açoita os culpados e os deixa loucos ) e a Alecto ( esta pune os delitos morais como a ira, que espalha pestes e maldições seguindo infrator por todo o tempo e ameaçando com fogos, sem deixar que ele consiga dormir ).

    Já a banda Megaira teve sua origem em 2009 em São Bernardo do Campo/SP. Em 2017, o quinteto formado por Paulo Schmidt e Annia Bertoni nos vocais, Paulo Melo na guitarra, Murillo Vuldroph na bateria e Thiago Souza no baixo disponibilizou o seu debut de oito faixas baseadas em histórias da Mitologia Grega em mesclas de Thrash, Death Metal Tradicional e até Black Metal entre vocais guturais e vocais femininos ( porém, não líricos, mais voltados ao Heavy Metal ), cujo nome é Power, Lies & Death.

    A pré-produção é de Luiz Portinari e a produção é de Thiago Oliveira, enquanto que os processos de gravações e mixagem são assinados por Luiz Portinari e realizadas no Estúdio 1202 em São Paulo/SP e a masterização é de Thiago Oliveira. Na capa temos o poderoso rei grego Minos de Creta sentando em seu trono, que foi desenhada por Leandro Furla Netto e o lançamento da obra aconteceu em agosto de 2017.

    A instrumental Rising Of The King abre o cd com toques de piano e arranjos mais eruditos, que constroem a atmosfera dramática e um tanto beligerante deste princípio de cd, que em poucos minutos traz a acelerada Power and Cruelty com os vocais guturais e devidamente agressivos de Paulo Schmidt dividindo as atenções com os limpos e altos de Annia Bertoni nesta letra sobre o cruel Rei Minos e sua busca incessante pelo poder. A parte instrumental está muito coesa com evoluções na guitarra ( com solos melódicos ) e na bateria exibidas de forma cativante, sendo que os toques nos pratos desta última se tornam um destaque nesta faixa. Em Ariadne´s Thread, o Megaira segue por um caminho denso, mais voltado ao Death Metal com ótimas incursões mais melódicas, onde os guturais de Paulo Schmidt são responsáveis pela agressividade e pela tensão da música e os vocais mais calmos de Annia Bertoni ficaram com a parte épica nesta letra sobre Teseu e o Minotauro.

    O tema sobre o Minotauro continua na seguinte, a colérica The Fall Of Minotaur, que também é marcada pela fúria dos vocais guturais de Paulo Schmidt e por evoluções instrumentais bastante técnicas, que passam pelo Death Metal mais direto e por trechos Melódicos, além de modificações de ritmo inesperadas e impactantes. A mudança para a quinta música quase não é percebida e Dedalus and Icarus' Escape é sobre a morte de Ícaro em um andamento inicialmente cadenciado, que ganha mais força e melodia com Annia Bertoni adquirindo mais evidência em suas potentes vocalizações, assim como os solos de guitarras feitos por Paulo Melo, que saem de uma linha cadenciada para outra mais rápida com precisão, e isso, acompanhado de perto pelos demais. Para confirmar sinta as notas pesadas feitas pelo baixista Thiago Souza.

    Para Corona Borealis, o Megaira misturou acordes mais eruditos com um agressivo ritmo cadenciado, que é dotado de muitos solos e urros, que são rompidos pelos vocais de Annia Bertoni em uma conversa de Teseu, Ariadne, Afrodite e Baco, que se desenvolve em um estilo envolvente narrando o surgimento da constelação do título da música.

    De início onde a junção de baixo, bateria e guitarra chamam a atenção por conta das alterações realizadas pelo quinteto, End Of A Reign ( Begin Of Judgement ) marca a sétima de Power, Lies And Death detalhando a viagem de Minos para ser um juiz no Tartaro através de guturais robustos de Paulo Schmidt e mais Heavy de Annia Bertoni. E o Megaira continua com uma canção onde cada parte está tão bem encaixada, que nos mantém entretidos com sua proposta diversa com alterações de ritmo constantes, onde mais uma vez ao adentrarem na última do cd, praticamente não percebemos, pois, Erynyes sobe até para um Black Metal em seus vocais, acelera tanto quanto um Power Metal e conta com os sempre vocais urrados de Paulo Schmidt e com suas partes tradicionais, que são capitaneadas pela vocalista Annia Bertoni e amparadas nos riffs de guitarras feitos por Paulo Melo em uma atmosfera oitentista com teclados mais voltados ao formato sombrio europeu.

    O Megaira realiza uma excelente estreia com este álbum, que é conceitual, provido de composições impressionantes, onde a mistura de estilos conferiu um formato todo único ao cd, que certamente vai agradar em usa primeira audição, assim sendo, procure o quanto antes este lançamento da Shinigami Records. Em suma, foi melhor que o esperado.
Nota: 9,0.

Site Oficial: http://megairaofficial.com/
Facebook: https://www.facebook.com/MegairaOfficial/
Youtube: http://www.youtube.com/channel/UCtb4T_pvf31l88p6cvn9-SQ
Bandcamp: https://megaira.bandcamp.com

Por Fernando R. R. Júnior
Julho/2018

Voltar para Resenhas