Broken & Boned - Hypocrisy Hymns
 
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Faixas - Independente - 2018

    E a Região Norte do Brasil tem no Broken & Boned - banda que teve sua origem em 2012 na cidade de Marabá/PA - uma de suas principais representantes do Death/Thrash Metal. Em 2014 foi lançado o demo Vengeance e em 2015 começaram as sessões do primeiro cd. Entretanto, eles sofreram a saída do vocalista Diógenes Oliveira e que foi substituído pelo Rômulo Portela ( ex-Nervochaos ) de forma que puderam continuar as gravações.

    Em 2016, o Broken & Boned se apresentou ao lado do Nervochaos, do Visceral Slaughter, do Nervecell e do Into Darkness no Calabouço Metal Fest realizado na cidade natal da banda e em julho deste ano, eles disponibilizaram o single False Divinity, que já serviu para uma ideia do que estava por vir no primeiro álbum. Isso rendeu um convite para tocarem com o Torture Squad e resultou no álbum ao vivo Live At Californica Pub, que também foi publicado no canal do Youtube do Broken & Boned.

     Com o nome revelado em 2017, Hypocrisy Hymns foi somente disponibilizado aos fãs em janeiro de 2018 e foi o primeiro registro completo de estúdio da banda, que então era formada por Rômulo Portela nos vocais, Carlos Nava na guitarra e vocais, Lucio de Paula no baixo, Marcel "Marshall" Alencar na guitarra e Carlos Cerqueira na bateria, cujas gravações aconteceram no Legacy Studio e Rebirth Studio com a produção de Marcos Saraiva e Carlos Nava. Os processos de mixagem e masterização foram realizados aos cuidados de Marcos Saraiva no Legacy Recording Studio em Belém/PA.

    Hypocrisy Hymns está embalado em 'paper sleeve' e teve sua capa desenhada por André Tavares com alguns estandartes de religiões tecendo ácidas críticas a hipocrisia dogmática que direciona e comanda o pensar da sociedade mundial e seus encartes são assinados por Luis Renato Coelho.Vamos aos detalhes das músicas.

    A curta instrumental Peaceless/Hopeless faz a abertura de Hypocrisy Hymns com dedilhados no violão, que trazem ares dramáticos e bastante sombrios na execução de Marcos Saraiva até se ligarem em Transcending Faith, que ativa o Death Thrash Metal voraz do quinteto com a eclosão dos vocais guturais de Rômulo Portela, sendo que a base para que isso aconteça é realizada de forma cadenciada através dos solos de guitarras em um andamento mais lento. Depois em A Fable, o Broken & Boned aplica um ritmo fortificado, que alterna trechos cadenciados com outros acelerados, onde os urros não param exceto ao meio da música, que vozes desconexas aparecem criando um ambiente de aflição no ar.

    Novamente investindo em dedilhados sinistros porém, executados com uma singular leveza, Vengeance começa calma para que em instantes depois sua fúria ganhe a luz com todos os seus vocais guturais que contam com o convidado Leon Ferreira ao lado de Rômulo Portela, sendo que nesta quarta música de Hypocrisy Hymns nota-se que o Death Metal da banda exibe flertes lentos com o Doom e com o Black Metal, onde saliento os marcantes solos dos guitarristas Carlos Nava e Marcelo "Marshall" Alencar, que dominam a parte final da música.

    Para a faixa seguinte, temos a Puz Of a Sick World, cujo andamento carregado favorece aos muitos urros de Rômulo Portela sempre passando muita revolta a cada verso até estourarem em um final acelerado que dura até a linhagem do princípio retornar e encerrar a composição. Em False Divinity temos a mais veloz composição deste Hypocrisy Hymns, que será ótima para as rodas nas partes em que eles aumentam e diminuem a sua intensidade do que ouvimos de acordo com o tanto de urros contido em sua letra, onde ressalto também que estão os melhores solos de guitarras do cd.

    Esta implacável avalanche sonora continua com Rebirth, que mantém uma linhagem pesada e devidamente furiosa, mas a maior surpresa são alguns vocais limpos surgirem - mesmo que momentaneamente - no refrão em meio a uma "chuva" de guturais, que pela seção rítmica variada e envolvente se tornou a minha favorita no álbum, que para fechar encontramos novos dedilhados serenos que suavizam antes da última bordoada que é a Rage, um Death Metal colérico e de formato violento até o instante que eles diminuem sua potência incluindo trechos suaves, que são rompidos por uma tonelada de solos de guitarras, que voltam a destruir com tudo na sequencia encerrando o disco com a presença de um verdadeiro coral matador composto de Cirez Waldez, Max de Castro, Frutuozo Júnior, Noriell Sousa e Geraldo Capilé.

    Hypocrisy Hymns exibe um Death Metal Moderno e sempre raivoso em suas composições com um estilo denso e na maioria das vezes cadenciado com urros até o talo que é do agrado dos fãs do estilo e de bandas como Sepultura, Deicide e até Pantera em mais uma prova do atual nível de grande qualidade dos nomes mais extremos brasileiros. Atualmente, o Broken & Boned já começou a produção de seu segundo disco, que terá o nome de Lies Inside Delusion e sairá pela MS Metal Records e sua distribuição será pela Voice Music, ou seja, são mais canções matadoras à caminho.
Nota: 8,5.

Por Fernando R. R. Júnior
Março/2020

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